A candidata de direita às presidenciais do Peru Keiko Fujimori foi esta segunda-feira oficialmente declarada vencedora da segunda volta pela autoridade eleitoral, três semanas após a votação. Fujimori obteve 50,13% dos votos, contra os 49,86% alcançados pelo seu rival de esquerda, Roberto Sanchez, segundo os resultados finais publicados no site da Oficina Nacional de Processos Eleitorais (ONPE).Esta foi a terceira eleição presidencial consecutiva no Peru que se decide por menos de 50.000 votos.A 26 de junho a então provável vencedora das presidenciais no Peru declarou que é preciso concentrar-se "nos próximos cinco anos" de Governo, além de apelar à união entre os peruanos.A candidata de direita garantiu que o seu objetivo é "fazer com que o Estado volte a funcionar" e prestar serviços básicos aos moradores de bairros como Villa María del Triunfo e Mariátegui, a sul da capital, Lima, que visitou na quinta-feira."O que vamos fazer é recuperar as ruas para podermos sair em segurança, para que as nossas crianças recebam um bom pequeno-almoço na escola, para terem os seus uniformes escolares, para poderem aprender e ter oportunidades", disse a líder do partido Força Popular.Fujimori expressou ainda gratidão pela participação dos apoiantes como representantes do partido nas mesas de voto na segunda volta das presidenciais, que decorreram a 7 de junho, e disse que permitiu a supervisão da votação e da contagem."Muitos de vós ajudaram-nos nesta cruzada cívica, participando voluntariamente para defender a democracia", declarou a filha e herdeira política do antigo presidente Alberto Fujimori (1990-2000)."O que devemos fazer agora é construir pontes, voltar a abraçar-nos e trabalhar juntos pela unidade de todos os peruanos. Vamos realizar projetos, construir escolas e trabalhar juntos pela paz, pela ordem e pelo desenvolvimento do nosso país", acrescentou.A comissão eleitoral tinha indicado na quinta-feira que a proclamação do vencedor da segunda volta teria lugar a 03 de julho, data em que esperava concluir o julgamento dos recursos e a proclamação preliminar pelos júris eleitorais especiais de todo o país.Na quarta-feira, Sánchez declarou que vai recorrer para a comissão eleitoral do Peru da rejeição do pedido para anular os votos no estrangeiro da segunda volta.Sánchez denunciou o que chamou "fraude em curso" e afirmou que não reconhecerá Keiko Fujimori como vencedora.Segundo afirmou, irregularidades administrativas e na conservação do material eleitoral teriam afetado o sufrágio fora do país, que representa cerca de 300 mil votos e beneficiou amplamente a rival.Entretanto, a missão de observação eleitoral da Organização dos Estados Americanos (OEA) no Peru reiterou na quarta-feira que não observou qualquer irregularidade na contagem dos votos da segunda volta das eleições presidenciais, nem dentro, nem fora do país andino.Também uma missão da União Europeia considerou que a segunda volta decorreu de forma "calma e ordenada", apesar de uma campanha fortemente polarizada.