Juiz do Supremo brasileiro nega ter favorecido banqueiro e acusa investigação de ser "ilegal"
Alexandre de Moraes, um dos juízes do Supremo Tribunal Federal (STF) do Brasil, negou ter favorecido Daniel Vorcaro, banqueiro no centro do escândalo Banco Master, e classificou como "inconstitucional e ilegal" a investigação que levantou suspeitas sobre a relação entre ambos. Moraes pronunciou-se pela primeira vez sobre o caso poucas horas antes de o Supremo se reunir esta terça-feira, 15 de setembro.
Numa manifestação enviada ao presidente do STF, Edson Fachin, e divulgada pelo portal G1, Moraes afirmou que nunca favoreceu Vorcaro ou o Banco Master e que também nunca julgou processos envolvendo o banqueiro ou a instituição financeira. Segundo o juiz, o relatório produzido no caso "não apontou a existência de nenhum indício de infração penal" da sua parte.
Moraes contesta ainda as alegadas mensagens que o ligariam a Vorcaro. O magistrado afirma que o relatório não apresenta "nenhuma mensagem" da sua autoria que demonstre favorecimento, consultoria jurídica ou conhecimento antecipado de operações policiais.
Segundo Moraes, as suspeitas assentam em parte em anotações encontradas no telemóvel do banqueiro, sem demonstração de que tenham efetivamente sido enviadas para si.
O juiz atribui as acusações a motivações "político-eleitorais" e a uma tentativa de "vingança". Moraes sustenta ainda que a investigação conduzida pelo também juiz do Supremo André Mendonça é ilegal por ter avançado sem pedido da Procuradoria-Geral da República, da Polícia Federal ou autorização prévia do plenário. Mendonça, por sua vez, defende a legalidade das medidas que adotou.
Recorde-se que Alexandre de Moraes tornou-se uma das figuras centrais da política brasileira nos últimos anos, sobretudo pelo papel nos processos contra Jair Bolsonaro, ex-presidente condenado e preso por tentativa de golpe de Estado e pai de Flávio Bolsonaro, candidato às eleições presidenciais de outubro. A oposição brasileira tentar ligar Moraes ao atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição.
André Mendonça, por sua vez, foi indicado ao Supremo pelo próprio Bolsonaro, que durante o mandato prometeu nomear para o tribunal um ministro "terrivelmente evangélico" - expressão que passou a ser associada a Mendonça, pastor presbiteriano.
O caso, detalhado esta segunda-feira pelo correspondente do DN no Brasil, João Almeida Moreira, provocou uma crise e fortes divergências dentro do Supremo brasileiro. O plenário reúne-se esta terça-feira para analisar o relatório da Polícia Federal sobre as mensagens atribuídas a Vorcaro e discutir se os elementos reunidos justificam a abertura de uma investigação envolvendo Moraes a menos de vinte de dias do primeiro turno no Brasil, marcado para dia 4 de outubro.
