Jean-Pierre Clamadieu: França pode passar sem gás russo "a longo prazo"

"A realidade do momento é que há muito gás a entrar na Europa, os contratos de gás, incluindo os russos, estão a níveis muito elevados de entrega", disse o presidente da Engie.

A França poderá passar sem o gás russo "a longo prazo", disse este sábado o presidente do 'gigante' francês da energia Engie, Jean-Pierre Clamadieu, numa altura em que a União Europeia procura alternativas para reduzir a dependência energética da Rússia.

"A longo prazo, sim. A questão está em que prazo", disse Clamadieu à France Inter, antes de afirmar que a França era "provavelmente capaz de reduzir a dependência do gás russo de uma forma muito significativa" dentro de "três ou quatro anos".

O transporte do gás, de facto, depende de toda uma rede de infraestruturas (gasodutos, instalações de liquefação, etc.) cuja instalação é complexa, disse Clamadieu.

Advertindo no final de março que a França precisaria de gás russo "a médio ou longo prazo", e remetendo a decisão para os governos europeus, o gigante francês da energia mudou gradualmente a sua posição sobre a questão.

"Se tivermos de enfrentar uma interrupção súbita, é um cenário muito mais difícil, e exigirá ajustes que provavelmente também serão brutais", advertiu Clamadieu.

Procurando diversificar os fornecimentos, o grupo assinou um contrato de fornecimento de gás natural liquefeito (GNL) por 15 anos com a NextDecade, sediada nos EUA, no início de maio, embora uma mudança para o GNL não forneça "quantidades suficientes para substituir" o gás russo por enquanto.

A União Europeia sancionou a Rússia em cinco rondas sucessivas de sanções desde que a guerra na Ucrânia começou, em finais de fevereiro, e decidiu deixar de comprar carvão, tendo recorrido a fornecedores nos EUA para compensar um terço do fornecimento de gás russo, estimado num total de 150 mil milhões de metros cúbicos.

Desde o início da invasão da Ucrânia pela Rússia, as importações europeias de gás, petróleo e carvão renderam ao Kremlin 44 mil milhões de euros, de acordo com um estudo do Crea, um 'think tank' (grupo de reflexão) com sede na Finlândia.

"A realidade do momento é que há muito gás a entrar na Europa, os contratos de gás, incluindo os russos, estão a níveis muito elevados de entrega", disse o presidente da Engie.

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