Trezentos e trinta e dois dias depois dos ataques terroristas e do rapto de mais de 250 pessoas por parte do Hamas, e na ressaca do anúncio da morte de seis reféns, Israel vai parar esta segunda-feira em apoio aos 64 cativos que se presumem vivos e aos corpos de 33 que permanecem na Faixa de Gaza. A greve geral, anunciada pelo presidente da central sindical Histadrut, faz-se também em protesto para com o executivo liderado por Benjamin Netanyahu por este não chegar a acordo com o Hamas para a realização de uma trégua e uma troca de presos. Ao já habitual protesto de sábado à noite em Telavive, marcado desta vez por confrontos com a polícia e a detenção de manifestantes, juntou-se outro, multitudinário, neste domingo, e uma greve geral a cumprir na segunda. A intensificação da pressão sobre o governo de coligação liderado por Benjamin Netanyahu exponenciou-se após a notícia da morte de mais seis reféns. À exceção de Carmel Gat, de 40 anos, que foi raptada no kibbutz Be’eri, os restantes -- Alex Lobanov, de 32 anos; Almog Sarusi, de 27; Eden Yerushalmi, de 24; Hersh Goldberg-Polin, 23; e Ori Danino, 25 -- estavam no festival Nova..Os seus corpos foram encontrados pelo exército israelita num túnel, a várias dezenas de metros de profundidade, na cidade de Rafah, no sul de Gaza. Distavam cerca de 800 metros do túnel onde as forças israelitas resgataram um refém vivo, Farhan al-Qadi, na semana passada. Alguns deles estavam na lista dos próximos reféns a libertar, disse um membro do Hamas à AFP. Um exame forense realizado no Centro Nacional de Medicina Legal determinou que todos foram mortos por “múltiplos tiros à queima-roupa” nas últimas 48 a 72 horas, ou seja, entre quinta e sexta-feira, disse o porta-voz do Ministério da Saúde de Israel. Esta informação contradiz o grupo terrorista que, em comunicado, culpou os bombardeamentos israelitas pelas mortes. Além disso aproveitou para tentar influenciar os EUA. “Se o presidente [Joe] Biden está preocupado com as suas vidas, deve deixar de apoiar este inimigo com dinheiro e armas e pressionar a ocupação para que ponha imediatamente termo à sua agressão”. Antes de Netanyahu reagir às notícias, já o presidente norte-americano e a sua vice haviam lamentado as mortes, que incluem um cidadão norte-americano. Goldberg-Polin, cujos pais discursaram na recente convenção democrata. “É trágico e condenável. Os líderes do Hamas vão pagar por estes crimes. E continuaremos a trabalhar para chegar a um acordo que garanta a libertação dos restantes reféns”, declarou Biden no X. O primeiro-ministro israelita, num vídeo gravado, responsabilizou o Hamas pelo sucedido, afirmou que a organização islamista “recusa manter verdadeiras negociações” e prometeu vingar-se dos perpetradores dos assassínios e respetivos cabecilhas. “Iremos perseguir-vos, alcançar-vos-emos e acertaremos contas convosco”, assegurou ao dirigir-se aos membros do Hamas. Visão diferente tem a oposição e parte do governo. Netanyahu insiste em manter as forças israelitas ao longo do corredor Philadelphi (entre o enclave e o Egito) e o corredor de Netzarim, que atravessa a Faixa de Gaza no centro do território. Na quinta-feira, o governo israelita votou a favor da permanência no corredor de Philadelphi, contra a opinião do ministro da Defesa Yoav Gallant e de chefias da segurança do país. Estes temiam que essa decisão iria inviabilizar um acordo. Gallant apelou para que se reverta a decisão. .Manifestante com máscara de Netanyahu e mãos com tinta vermelha responsabiliza chefe do governo pela morte dos reféns. JACK GUEZ / AFP.Antes de um mar de gente se manifestar em Telavive e Jerusalém, a central sindical Histadrut juntou a sua voz às da oposição e da associação dos familiares dos reféns e decidiu paralisar a economia na segunda-feira. A última greve geral decorreu no ano passado em protesto com os planos de reforma judicial feitos à medida de Netanyahu. cesar.avo@dn.pt