Poucas horas depois de os Estados Unidos terem anunciado que Israel e Líbano tinham concordado em implementar um cessar-fogo para pôr fim às hostilidades - um dos requisitos de Teerão para obter um acordo mais amplo e terminar a guerra com Washington - começaram a surgir entraves para que esta trégua seja bem sucedida, desde a recusa do Hezbollah em aceitá-lo a declarações vindas do governo de Telavive sobre a continuação dos combates.O primeiro destes entraves é o facto de o cessar-fogo entre Israel e o Líbano estar condicionado ao fim dos combates por parte do Hezbollah e à retirada de todos os seus combatentes a sul do rio Litani, no sul do país, é referido num comunicado conjunto dos EUA, Líbano e Israel, divulgado após as negociações desta quarta-feira em Washington.E aqui esbarra num pormenor - embora o acordo tenha sido assinado entre os governos do Líbano e de Israel, a verdade é que o exército libanês não faz parte do conflito, pois os combates são entre o Hezbollah e Telavive.O responsável do Hezbollah libanês, Naim Qassem, disse esta quinta-feira, 4 de junho, que o grupo apoiado pelo Irão rejeitou o acordo assinado no dia anterior, exigindo a retirada total de Israel. Para Qassem, a exigência de que os combatentes do Hezbollah deixem o sul do Líbano sob fogo significaria “rendição, derrota e a conquista dos objetivos do inimigo”.“O que nos preocupa é o fim da agressão, o cessar-fogo e a retirada de Israel”, prosseguiu, afirmando ainda que “não assumimos qualquer compromisso com nenhuma das partes de cessar a resistência enquanto houver ocupação”.Também o comandante da Força Quds, o braço estrangeiro da Guarda Revolucionária Islâmica do Irão, afirmou esta quinta-feira que o Hezbollah exige que Israel recue para as posições que ocupava antes do início da guerra. “Apoiar a resistência no Líbano é um dever de todos nós, e expulsar Israel da região é um objetivo alcançável para os muçulmanos”, declarou Esmail Qaan em comunicado. “A exigência mínima da resistência é a retirada do regime usurpador para a posição que ocupava antes do início da guerra de 40 dias.”Por outro lado, o ministro da Defesa israelita, Israel Katz, garantiu esta quinta-feira que Telavive vai continuar a “desmantelar as infraestruturas terroristas” no sul do Líbano e que tem “liberdade de ação, com o apoio dos Estados Unidos, para atacar Beirute em resposta a ataques contra comunidades e território israelitas”.“Nesta fase, as Forças de Defesa de Israel continuarão as suas operações de fogo e terrestres, permanecerão na zona de segurança no Líbano até à linha amarela - incluindo a área de Beaufort - e sem o regresso da população, enquanto continuam a desmantelar a infraestrutura terrorista no terreno”, referiu ainda Katz, em comunicado.Neste sentido, as Forças de Defesa de Israel emitiram um alerta ontem de manhã, afirmando que os combates iriam continuar no sul do Líbano e apelando à população para “evitar dirigir-se para sul do rio Zahrani”. Já a Agência Nacional de Notícias do Líbano informou que várias pessoas ficaram feridas em ataques israelitas nas zonas de Tiro e Nabatieh, no sul do país.Ainda em Washington, o presidente do Líbano, Joseph Aoun, declarou esta quinta-feira que esta recente ronda de negociações acabou com condições favoráveis ao seu país e é “a última oportunidade” para se chegar a um cessar-fogo definitivo e abrangente..UE anuncia 100 milhões de euros para as Forças Armadas do Líbano para "fortalecer Estado libanês" e combater ameaça do Hezbollah.Israel avança no Líbano onde trégua é só no papel