As autoridades israelitas já deram ordens para restringir o acesso dos muçulmanos à mesquita de Al-Aqsa, em Jerusalém, durante o Ramadão, garantiu o xeque Ekrima Said Sabri, antigo grande mufti de Jerusalém, em entrevista à agência turca Anadolu. O mês sagrado do islão, durante o qual os crentes desta religião praticam o ritual do jejum, e que começa esta terça-feira à noite, está a deixar os responsáveis pela defesa de Israel em alerta, apesar do cessar-fogo na Faixa de Gaza. Segundo o Haaretz, as forças de defesa de Israel (IDF, na sigla em inglês) admitem episódios violentos, depois da decisão do governo de Benjamin Netanyahu de reabrir o processo de registo de terras na Cisjordânia ocupada, visto por muitos como uma forma de anexação daquele território palestiniano. Israel avançou com este processo burocrático - que se aplica à chamada área C, sob controlo total de Israel e lhe permitirá confiscar as terras de palestinianos que não consigam provar que são os proprietários - pela primeira vez desde 1967, propondo registar grandes áreas da Cisjordânia como “propriedade estatal”. O presidente da Autoridade Palestiniana, Mahmoud Abbas, denunciou o que considera “uma anexação de facto do território palestiniano ocupado”.Nos últimos dias, as forças israelitas na Cisjordânia foram reforçadas. Além dos 21 batalhões já destacados para aquele território, foram enviados operacionais dos comandos e quatro batalhões adicionais. As operações incluem a destruição da infraestrutura que Israel considera como terrorista e um aumento no ritmo das detenções de alegados militantes. Apesar de o grosso das forças israelitas continuar concentrado em Gaza, as IDF disseram-se preparadas para ataques contra alvos específicos na Cisjordânia nas próximas semanas. Têm-se também multiplicado os ataques de colonos contra aldeias palestinianas. No dia 11, habitantes locais denunciaram a destruição de 15 casas palestinianas e um curral numa aldeia perto de Jericó. O aumento da violência de colonos israelitas levou muitos palestinianos a fugir.Fora de Jerusalém Oriental, cerca de três milhões de palestinianos vivem na Cisjordânia, ao lado de mais de meio milhão de israelitas instalados em colonatos consideradas ilegais ao abrigo do direito internacional.Críticas do mundo árabeA decisão de Israel de reabrir o processo de registo de terras na Cisjordânia ocupada foi logo alvo de críticas por parte de várias lideranças árabes. A Autoridade Palestiniana (AP), o Hamas, o Egito e o Qatar condenaram a decisão, com o Ministério dos Negócios Estrangeiros da AP a garantir que “rejeita qualquer tentativa de designar terras da Cisjordânia como ‘território público’ sob o controlo da força de ocupação”. Em comunicado, o Hamas , o grupo islamita no poder em Gaza desde 2007, classificou a decisão de Israel de tentativa de “roubar e judaizar” territórios palestinianos e considerou a medida ilegítima, “nula e sem efeito”. Para o Hamas, autor do ataque terrorista de 7 de outubro que fez 1200 mortos em Israel e desencadeou a guerra de retaliação israelita na Faixa de Gaza, a decisão foi “emitida por uma potência ocupante ilegítima”.O Governo do Egito disse na X que “condena veementemente” o anúncio, que considera “uma escalada perigosa com o objetivo de consolidar o controlo israelita” sobre a Cisjordânia e uma violação de acordos internacionais”. Já o Qatar denunciou, na mesma rede social, as medidas aprovadas por Israel, que descreveu como “uma extensão dos planos para privar o povo palestiniano dos seus direitos”. Com Lusa.Irão espera acordo “justo e equitativo”, mas rejeita “submissão diante de ameaças”