A trégua negociada entre Israel e Líbano em Washington voltou esta quinta-feira, 4 de junho, a provocar tensão política interna em Israel, depois de Itamar Ben Gvir, ministro da Segurança Nacional, ter qualificado o acordo como “um grave erro”. Ben Gvir acusou conselheiros do primeiro‑ministro Benjamin Netanyahu de o pressionarem para aceitar uma solução que, na sua opinião, não garante a segurança da fronteira nem a retirada efetiva do Hezbollah das áreas próximas ao rio Litani, a cerca de 30 km de distância dessa mesma fronteira.O pacto prevê uma cessação das hostilidades condicionada à paralisação dos ataques do Hezbollah e contempla ainda a criação de zonas‑piloto onde o Exército libanês teria controlo exclusivo do território, excluindo forças não estatais. Foram as negociações mediadas pelos Estados Unidos que permitiram o entendimento, mas críticos internos argumentam que o Estado libanês não possui meios suficientes para impor essa retirada nem para conter o movimento xiita.As críticas não se limitaram a Ben Gvir, uma vez que Avigdor Liberman, líder do Israel Beiteinu (partido de extrema-direita e da oposição ao governo), também considerou a suspensão temporária das operações uma oportunidade para o Hezbollah se reorganizar. A fragilidade do acordo ficou patente poucas horas após o anúncio, com a Agência Nacional de Informação do Líbano a relatar ataques aéreos israelitas no sul do país que provocou vítimas mortais, enquanto o exército israelita deu nota de um alerta aéreo no norte de Israel provocado por uma infiltração de aparelho hostil. Estes episódios levantam dúvidas sobre a imediata aplicabilidade da trégua e sobre a capacidade das partes em travar novas escaladas.O contexto humanitário e militar no terreno é grave — segundo as autoridades libanesas, os combates já causaram milhares de mortos e um vasto número de deslocados —, o que torna a estabilidade da trégua uma prioridade frágil e contestada por amplos sectores políticos. .Israel avança no Líbano onde trégua é só no papel