O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, suspendeu esta segunda-feira (8 de junho) as operações no Irão, após ter ordenado que fossem atingidos “alvos militares e económicos” em retaliação pelos mísseis lançados por Teerão no domingo (7 de junho) à noite. Mas deixou claro que irá responder com uma “força esmagadora” caso os iranianos voltem a atacar e que as operações contra o Hezbollah vão continuar no sul do Líbano. Mais cedo, Teerão tinha anunciado o fim dos seus ataques contra Israel, avisando que os retomaria caso sejam reiniciados os bombardeamentos no Líbano (e já não apenas contra Beirute). “Israel e Irão devem cessar imediatamente os ataques”, tinha escrito horas antes o presidente dos EUA, Donald Trump, na Truth Social. Ambos recuaram perante a pressão norte-americana. Mas até quando? .Numa segunda mensagem, Trump explicou que ambos os lados procuram “um cessar-fogo imediato” e que “as negociações finais de paz estão em curso, sujeitas a possíveis obstáculos impostos pela ignorância ou estupidez”. Trump tinha telefonado, logo no domingo à noite, a Netanyahu, pedindo-lhe que não respondesse aos ataques iranianos - mas sem sucesso. Israel retaliou de madrugada ao lançamento de vários mísseis, que Teerão, por seu lado, tinha dito serem a resposta ao bombardeamento israelita contra os arredores de Beirute - o que tinha dito ser uma “linha vermelha”. Um ataque que já tinha sido lançado após o Hezbollah ter disparado vários rockets contra o norte de Israel. O que começou com uma violação da trégua acordada dias antes por Israel e o Líbano com o apoio dos EUA, que estava condicionada ao fim dos ataques do Hezbollah (que não aceitou o acordo), foi escalando até à primeira troca de mísseis entre israelitas e iranianos desde o cessar-fogo do início de abril. ."Parem de disparar". Trump avisa Irão e Israel após primeira troca de ataques desde cessar-fogo de abril.“O Irão e o Hezbollah tentaram impor-nos uma nova lógica e isso para mim é intolerável e inaceitável”, disse Netanyahu num vídeo. “Pensaram que podiam atacar Israel a partir do território libanês e do Irão e que não iríamos reagir. Isso não aconteceu nem vai acontecer. Não enquanto eu estiver aqui”, acrescentou, defendendo “firmemente” o direito de Israel de agir contra os inimigos. “Neste momento, estamos a suspender os nossos ataques, pois, após termos atingido o regime terrorista em Teerão, este cessou os ataques contra nós. Caso o regime terrorista no Irão cometa o erro de retomar os ataques, responderemos com uma força esmagadora.”Horas antes, o regime iraniano tinha anunciado o fim das operações - deixando também as suas condições: “Na sequência da firme resposta do Irão ao regime sionista, é declarada a cessação das operações das Forças Armadas”, indicaram num comunicado divulgado pelos meios oficiais iranianos. Mas alertaram que, se Israel retomar a sua agressão contra Beirute ou o sul do Líbano (alargando a “linha vermelha” que existia), irá realizar “ações muito mais severas e enérgicas do que as tomadas até agora”. Na véspera, já a Guarda da Revolução tinha dito que o ataque - que envolveu cerca de 30 mísseis - tinha sido só um “aviso” e que se a agressão israelita continuasse “as respostas seriam mais abrangentes”. Na resposta israelita durante a madrugada, foram atingidos sistemas de defesa aérea iranianos e uma fábrica de produtos químicos na região de Mahshahr. Teerão admitiu “danos parciais” no complexo, receando-se que pudesse atacar infraestruturas semelhantes noutros países na região.Entretanto os Houthis, a milícia iemenita apoiada pelo Irão que controla a capital Sana’a, anunciaram que vão bloquear a passagem de navios relacionados com Israel no Mar Vermelho - ameaçando alargar a todos os outros navios se a escalada de violência continuar.Os Houthis também lançaram dois mísseis contra Israel, tendo um deles sido intercetado e outro não chegou ao território israelita. Os ataques neste ponto de passagem, estando o Estreito de Ormuz já fechado, seriam mais um golpe ao mercado energético mundial.O primeiro-ministro do Paquistão, país que está a tentar servir de mediador entre Washington e Teerão, deixou o alerta. “O recente aumento da violência no Médio Oriente é um forte lembrete dos perigos associados a um cessar-fogo frágil e das consequências insuportáveis que pode acarretar”, escreveu Shehbaz Sharif no X. “Enquanto trabalhamos com afinco e dedicação, juntamente com os nossos irmãos e parceiros, para encontrar uma solução diplomática pacífica para o conflito, e especialmente quando o objetivo final está prestes a ser alcançado, instamos sinceramente todas as partes a exercerem moderação e a darem à paz mais uma oportunidade”, acrescentou o primeiro-ministro.Apesar desta troca de ataques, Trump continua confiante de que será possível um acordo com o Irão, deixando claro que o bloqueio aos portos iranianos vai continuar até um “acordo final” ser alcançado. Esta segunda-feira (8 de junho), o Comando Central dos EUA (responsável pela operação militar no Irão) anunciou ter intercetado um petroleiro sem carga no Golfo de Omã que tentava seguir para um desses portos. “Um caça F/A-18 Super Hornet do porta-aviões USS Abraham Lincoln disparou uma munição de precisão contra os compartimentos de máquinas e de direção do navio depois de a tripulação se ter recusado a cumprir as ordens das forças americanas”, revelaram em comunicado, indicando ainda que desde o início do bloqueio, a 13 de abril, em resposta ao fecho do Estreito de Ormuz por parte de Teerão, já desativaram sete embarcações e redirecionaram outros 134 navios. Só 42 navios com ajuda humanitária puderam passar, alegam. .Netanyahu avisa: combate contra o Irão e o Hezbollah “não acabou”