Registo de protesto na capital iraniana na sexta-feira.
Registo de protesto na capital iraniana na sexta-feira.Foto: ABEDIN TAHERKENAREH / EPA / Lusa

Médio Oriente. Irão mantém Estreito de Ormuz fechado enquanto durar bloqueio dos EUA

Do lado norte-americano, o presidente Donald Trump garantiu que o bloqueio iniciado esta semana pelas forças americanas “se manterá em pleno” até que seja alcançado um acordo com o Irão.
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Irão mantém Estreito de Ormuz fechado enquanto durar bloqueio dos EUA

O Irão afirmou que o Estreito de Ormuz permanecerá encerrado até que os Estados Unidos levantem o bloqueio aos portos iranianos, segundo declarações da marinha dos Guardas da Revolução divulgadas pelos meios estatais.

A decisão surge após Teerão ter avisado todos os navios para permanecerem ancorados na zona do Golfo Pérsico, alertando que qualquer tentativa de atravessar o estreito poderá ser interpretada como cooperação com o “inimigo”.

Do lado norte-americano, o presidente Donald Trump já garantiu que o bloqueio iniciado esta semana pelas forças americanas “se manterá em pleno” até que seja alcançado um acordo com o Irão.

O estreito tinha sido reaberto brevemente na sexta-feira antes de Teerão recuar na decisão.

Cessar-fogos em vigor no Médio Oriente: o ponto de situação

Há atualmente dois acordos de cessar-fogo em vigor no conflito no Médio Oriente:

EUA e Irão
O cessar-fogo entre os Estados Unidos e o Irão entrou em vigor a 8 de abril e deverá durar 14 dias, até dia 22. O presidente Donald Trump afirmou que o acordo foi condicionado à reabertura do Estreito de Ormuz, que este sábado voltou a ser encerrado pelos iranianos.

O Paquistão, que mediou as negociações, indicou que o entendimento incluiria também o Líbano. No entanto, essa interpretação não é consensual: Teerão concorda, mas os EUA e Israel contestam essa leitura.

Israel e Líbano
Um segundo cessar-fogo foi acordado entre Israel e o Líbano, com início a 16 de abril e duração prevista de 10 dias, até 26 de abril. O acordo foi anunciado pelos EUA.

Trump apelou ao Hezbollah, apoiado pelo Irão, para respeitar o entendimento. Já o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, afirmou que as tropas israelitas vão permanecer posicionadas até 10 quilómetros dentro do sul do Líbano, apesar do cessar-fogo.

Guarda Revolucionária do Irão alerta navios para ficarem ancorados no Golfo Pérsico

A Guarda Revolucionária do Irão ordenou que os navios na região permaneçam ancorados no Golfo Pérsico após novo encerramento do Estreito de Ormuz, decretado este sábado pelos iranianos.

A aproximação ao estreito será considerada cooperação com o "inimigo", afirmou a Marinha da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) em comunicado divulgado pelos meios de comunicação estatais iranianos.

O comunicado acrescenta que as declarações feitas por Donald Trump sobre o estreito "não têm validade".

Papa Leão não está "interessado" em alimentar confronto com Trump

O papa Leão XIV afirmou que não tem interesse em entrar num confronto direto com o Donald Trump, depois de vários dias de críticas públicas do líder norte-americano.

Falando aos jornalistas durante o voo para Angola, o pontífice reagiu à polémica em torno de um discurso recente, no qual criticou líderes que “gastam milhares de milhões em guerras” e afirmou que o mundo está a ser “devastado por um punhado de tiranos”. Apesar das interpretações feitas por muita gente, Leão XIV garante que não se tratava de uma resposta direta a Trump.

“Foi visto como se eu estivesse a tentar confrontar o presidente, o que não é do meu interesse”, disse.

O papa acrescentou que o discurso tinha sido preparado duas semanas antes, “muito antes de o presidente comentar” as suas posições, e considerou que a cobertura mediática das suas declarações “não foi totalmente rigorosa”, segundo escreve a Sky News.

Irão recusa novas negociações presenciais com os EUA para já

O vice-ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, Saeed Khatibzadeh, afirmou que Teerão não está disponível para novas negociações presenciais com os Estados Unidos enquanto Washington mantiver o que classificou como exigências “maximalistas”.

Depois de uma ronda de conversações no último fim de semana em Islamabad - que durou menos de um dia e terminou sem acordo -, o responsável iraniano diz que ainda não há condições para avançar. “Ainda não chegámos ao ponto de avançar para uma reunião concreta”, afirmou, citado pela Associated Press, durante um fórum diplomático na Turquia.

Segundo a Sky News, Khatibzadeh sublinhou que o Irão pretende primeiro fechar um “acordo-quadro” antes de regressar a negociações presenciais, embora admita que continuam a existir contactos indiretos entre as partes.

Do lado norte-americano, a Casa Branca tinha sinalizado a possibilidade de uma nova ronda em Islamabad, com o Paquistão como mediador.

Entre os principais pontos de discórdia está a questão nuclear. O responsável iraniano rejeitou a possibilidade de entregar urânio enriquecido aos EUA, considerando essa hipótese “inviável”.

As negociações entre os dois países permanecem assim num impasse, apesar de contactos diplomáticos em curso.

EUA preparam-se para tomar o controlo de petroleiros iranianos

A guerra continua a ferro e fogo, sobretudo no estreito de Ormuz. Várias embarcações comerciais foram atacadas este sábado, como foi reportado por governantes do Reino Unido e Índia (ver peças abaixo).

Neste contexto, as forças armadas dos EUA estão a encetar planos para tomar o controlo de petroleiros ligados ao Irão e apreender navios comerciais que estejam a navegar em águas comerciais. A informação está a ser avançada pelo Wall Street Journal, que cita autoridades norte-americanas.

Recorde-se que, na sexta-feira, o ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão deixou a garantia de que o estreito de Ormuz estava totalmente aberto à circulação de embarcações. Porém, os EUA mantiveram o "bloqueio" que havia sido anunciado por Donald Trump e o clima aqueceu, de tal forma que o Irão optou por repor as restrições à circulação na região.

Dois navios com bandeira da Índia atacados no estreito de Ormuz

Dois petroleiros com bandeira da Índia foram atacados quando tentavam atravessar o estreito de Ormuz.

A informação foi divulgada pelo ministro dos Negócios Estrangeiros da Índia, em comunicado. Vikram Misri chamou para uma reunião de emergência o embaixador iraniano em Nava Deli, Mohammad Fathali, na sequência do evento.

Neste contexto, Misri mostrou a preocupação pelos ataques. Adicionalmente, pediu, para o quanto antes, o reatar da facilitação da travessia dos navios ligados ao Estado indiano pelo estreito de Ormuz.

Irão diz que EUA apresentaram "novas propostas" para paz duradoura

O Irão anunciou hoje que recebeu "novas propostas" dos Estados Unidos para terminar a guerra no Médio Oriente de forma permanente, mas ainda não respondeu, noticia a agência noticiosa oficial, a Irna.

"Nos últimos dias, durante a visita a Teerão do comandante do exército paquistanês, na qualidade de mediador, os americanos apresentaram novas propostas; o Irão está atualmente a analisá-las e ainda não respondeu", lê-se numa nota do Conselho Supremo de Segurança Nacional.

Na nota noticiada pela Irna e citada pela agência francesa de notícias, a France-Presse (AFP), os dirigentes iranianos garantem que os seus negociadores não farão "qualquer compromisso".

Os Estados Unidos e Israel lançaram no dia 28 de fevereiro um ataque militar contra o Irão, justificando-o com a inflexibilidade da República Islâmica nas negociações para pôr fim ao enriquecimento de urânio no âmbito do seu programa nuclear, que afirma destinar-se apenas a fins civis.

Em retaliação à ofensiva, o Irão encerrou o Estreito de Ormuz, abalando a economia mundial, e lançou ataques contra alvos em Israel, bases norte-americanas e infraestruturas civis em países da região como Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Jordânia, Omã e Iraque.

Lusa

Hezbollah nega envolvimento na morte de soldado francês

O Hezbollah nega envolvimento na morte de um soldado francês, este sábado, no sul do Líbano. Pede, por isso, que se aguarde pelo término das investigações.

Num comunicado, o grupo terrorista escreve que seria precipitado atribuir a culpa no imediato. Nesse sentido, lembra que está em curso o processo de investigação pedido pelo primeiro ministro libanês e levado a cabo pelas autoridades do Libano.

No mesmo âmbito, assinala o silêncio de Israel até ao momento e lembra que este último "ataca forças da Unifil", a Força Interina das Nações Unidas no Líbano.

Recorde-se que um soldado francês morreu e outros três ficaram feridos, em resultado do ataque que teve lugar na manhã deste sábado (ver peça abaixo). Emmanuel Macron, presidente francês, atribuiu culpas ao Hezbollah.

"Irão não consegue chantagear-nos", garante Trump

Donald Trump garante que "eles [Irão] não conseguem chantagear-nos", a respeito do Estreito de Ormuz.

A respeito das negociações, "teremos novidades ao final do dia, estamos a falar com eles", disse o presidente dos EUA, acrescentando que o Irão "queria fechar o estreito novamente."

"Mataram muita gente, muitos soldados", disse ainda, olhando para os últimos "47 anos", ou seja, desde a Revolução Iraniana, que permitiu instalar o regime que vigora até hoje.

Marinha britânica assinala mais um ataque e "atividade suspeita"

Depois do petroleiro atacado no estreito de Ormuz, na manhã deste sábado, outro navio foi atacado naquela área.

De acordo com a UKMTO, ligada à Marinha britânica, um cargueiro foi atingido por um "projétil desconhecido. Houve "danos em alguns contentores", mas não se regista qualquer "incêndio ou impacto ambiental", descreve. O incidente ocorreu a 25 milhas náuticas para nordeste de Omã.

Posteriormente, foi detetada "atividade suspeita" perto de um cruzeiro, em função de uma movimentação na água, 3 milhas náuticas a Este de Omã.

Soldado francês morto no Líbano. Macron culpa Hezbollah e exige consequências

Um soldado francês foi morto no Líbano enquanto trabalhava para as Nações Unidas no sentido de procurar pacificar a região.

A informação foi transmitida por Emmanuel Macron, que acrescenta que outros três soldados ficaram feridos e foram evacuados. O presidente francês salienta que "todas as indicações sugerem que o Hezbollah é responsável por este ataque."

O sargento major Florian Montorio foi morto no sul do país, fruto de um ataque contra a Força Interina das Nações Unidas no Líbano (UNIFIL, na sigla em inglês). "A França pede que as autoridades do Líbano prendam imediatamente os responsáveis", reitera Macron, em comunicado.

Pouco antes, o primeiro ministro libanês fez saber que a delegação, constituída por franceses, foi alvo de um ataque.

No X, Nawaf Salam condenou o ataque e disse que pediu "uma investigação imediata para conhecer as circunstâncias do ataque", pode ler-se. A situação "causa grande dano no Líbano e nas relações com nações amigas ao redor do mundo", acrescenta.

Guarda Revolucionária do Irão ataca petroleiro no estreito de Ormuz

Um petroleiro foi atingido a tiro no estreito de Ormuz, segundo reporta a UKMTO, ligada à Marinha britânica.

O incidente envolveu dois barcos armados da Guarda Revolucionária do Irão, que corresponde às forças armadas ligadas ao regime daquele país.

A UKMTO adianta que a embarcação e a tripulação estão a salvo e indica ainda que as autoridades competentes estão a investigar.

Dois navios comerciais atingidos a tiro no estreito de Ormuz

Dois navios comerciais foram atingidos a tiro quando tentavam atravessar o estreito de Ormuz, este sábado.

A informação foi divulgada pela Reuters, que contactou "três fontes de segurança marítima e de transporte." O impacto concreto não é, para já, conhecido.

Recorde-se que o Irão voltou atrás na ideia de desbloquear o estreito, com o argumento de que os EUA estariam a incumprir o acordo estabelecido entre os dois países.

Paquistão e Egito torcem por acordo de paz entre EUA e Irão

Países vizinhos do Irão continuam a mostrar-se muito favoráveis a um acordo entre EUA e Irão que permita recuperar um cenário mais pacífico no Golfo.

Da parte do Paquistão, Ishaq Dar, ministro dos Negócios Estrangeiros, fez saber que norte-americanos e iranianos estão "muito próximos" de alcançar um acordo. Recorde-se que delegações dos dois países reuniam no fim de semana passado em Islamabad, capital paquistanesa.

No mesmo sentido, o homólogo egípcio fez saber que Egito e Paquistão estão a trabalhar "no duro" para alcançar "um acordo final entre EUA e Irão", de forma a pôr um ponto final no conflito.

Citado pela AFP, o próprio esclareceu que "esperamos fazê-lo [alcançar um acordo] nos próximos dias", ainda que não tenha estabelecido um prazo desejado mais específico.

Seis aeroportos reabrem no Irão, incluindo em Teerão

Dois aeroportos de Teerão estão novamente operacionais, a que se juntam os de Mashhad, Birjand, Gorgan e Zahedan.

A informação foi dada a conhecer por uma fonte próxima das transportadoras aéreas iranianas à agência de notícias Tasnim, daquele país. As companhias que voam de e para o Irão preparar-se para voltar a operar voos domésticos e internacionais.

Em causa está a reabertura parcial do espaço aéreo, que esteve encerrado desde 28 de fevereiro, quando os EUA iniciaram os ataques.

Democratas criticam Trump por recuar nas sanções ao petróleo russo

Senadores do Partido Democrata dos EUA criticaram Trump por retirar as sanções ao petróleo.

A administração norte-americana optou por não estender a proibição de compra do petróleo comprado naquele país. O anúncio foi feito pelo Secretário de Estado do Tesouro, Scott Bessent.

A decisão levantou contestação entre o partido da oposição. Num comunicado, Chuck Chumer, senador por Nova Iorque, Elizabeth Warren (por Massachusetts) e Jeanne Shaheen (por New Hampshire) fazem saber que condenam a "volta de 180 graus" de Trump.

"Esta semana, Putin lançou o maior ataque aéreo do ano até agora na Ucrânia, matando 18 pessoas e a resposta da administração é reduzir sanções", alertam. "Putin é um dos grandes beneficiários da guerra de Trump no Irão, já que a Rússia viu as receitas do petróleo quase duplicarem em março", acrescentam ainda, no documento.

Preço do petróleo cai 9% na sexta-feira mas subiu 28% desde o início da guerra

O preço do petróleo caiu de forma expressiva na sexta-feira, em função da reabertura do Estreito de Ormuz. EUA e Irão chegaram a um acordo que fez tombar os receios sobre a oferta daquele recurso.

O barril de Brent (referência europeia para os contratos futuros de petróleo negociados na Europa) caiu 9,07% e ficou-se pelos 90,38 dólares. Em simultâneo, o WTI (equivalente para as negociações nos mercados norte-americanos) contraiu 11,45%, até aos 83,85 dólares por barril.

Ainda assim, é certo que a capacidade de oferta da indústria petrolífera não vai alcançar, durante os próximos meses, o mesmo nível em que estava antes do início da guerra. Posto isto, os preços estão 28% acima do valor observado no final de fevereiro.

Teerão volta a impor restrições à circulação no Estreito de Ormuz

O exército iraniano anunciou hoje que vai repor as restrições ao trânsito no Estreito de Ormuz, acusando os Estados Unidos de violarem os termos do acordo de cessar-fogo alcançado em 08 de abril.

Em comunicado, os militares explicaram que, apesar de terem concordado "de boa-fé" e "seguindo acordos prévios alcançados em negociações" em "permitir a passagem controlada de um número limitado de petroleiros e navios mercantes pelo estreito", os norte-americanos "continuam a praticar atos de pirataria e banditismo sob o pretexto de um alegado bloqueio". Assim, o exército iraniano anunciou que o controlo do estreito está a regressar "ao seu estado anterior".

Lusa

Trump afirma que Xi está "muito satisfeito" com reabertura de estreito de Ormuz

O Presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que o homólogo chinês, Xi Jinping, está "muito satisfeito" com a reabertura do estreito de Ormuz, prevendo um encontro entre dois líderes em Pequim "especial e histórico". "O Presidente Xi está muito satisfeito com o facto de o estreito de Ormuz estar aberto ou em rápida abertura", escreveu Trump numa publicação na rede Truth Social, da qual é proprietário.

Além disso, o líder norte-americano referiu que o próximo encontro com Xi Jinping em Pequim vai ser "especial e, possivelmente, histórico", e garantiu que espera concretizar avanços significativos na relação bilateral.

Lusa

Irão retoma voos internacionais em corredores aéreos no leste do país

O espaço aéreo do Irão reabriu parcialmente este sábado, 18 de abril, após sete semanas fechado devido ao conflito com os Estados Unidos e Israel, anunciou a Autoridade de Aviação Civil iraniana, segundo a agência de notícias Tasnim. "Os corredores aéreos na região leste do país estão abertos para voos internacionais", anunciou a Autoridade de Aviação Civil do Irão, acrescentando que a reabertura ocorreu às 07:00 locais (04:30 em Lisboa).

A organização indicou que as operações serão retomadas gradualmente e que voos internacionais estão autorizados a transitar pelo espaço aéreo iraniano em rotas localizadas no leste do país.

A Autoridade de Aviação Civil iraniana também informou que a retoma completa das operações dependerá da prontidão técnica e operacional dos setores civil e militar responsáveis pela gestão aeroportuária. A reabertura foi decidida após uma avaliação das condições de segurança pelo comité de coordenação civil e militar.

O espaço aéreo iraniano foi fechado após o início do bombardeamento de Israel e dos Estados Unidos da América, no dia 28 de fevereiro, que se estendeu por 39 dias consecutivos, até a entrada em vigor de um cessar-fogo de duas semanas, em 08 de abril, que expira na próxima quarta-feira.

Lusa

Bom dia

Bem-vindos ao live blog do Diário de Notícias deste sábado, 18 de abril. Continuamos a acompanhar os principais desenvolvimentos do conflito no Médio Oriente. Siga aqui ao minuto as principais notícias.

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