Teerão e Washington aceitaram esta segunda-feira, 29 de junho, suspender temporariamente qualquer ataque e planeiam reunir-se no Qatar, na terça-feira (30), para tentar resolver os diferendos em torno do estreito de Ormuz, noticiou o portal de notícias norte-americano Axios. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, informou, na Truth Social, que o "Irão solicitou uma reunião", agendada para esta terça-feira em Doha. No entanto, Teerão já tinha negado a existência de reuniões com os EUA marcadas para esta semana.“Decidimos parar todas as atividades [militares]”, informou o Axios, citando um responsável norte-americano que não foi identificado.Um segundo responsável dos Estados Unidos assegurou ao mesmo jornal online que ambas as partes cessavam os ataques “por enquanto” e que “os navios podiam circular livremente” no estreito, enquanto prosseguem as negociações para uma solução duradoura para o conflito.Estes dois responsáveis e uma terceira fonte confirmaram que iranianos e norte-americanos se encontrariam na terça-feira no Qatar.A emissora CNN relatou declarações semelhantes de um responsável da Administração do presidente Donald Trump, mas a Casa Branca não reagiu de imediato.Apesar do acordo assinado a 17 de junho, os dois países trocaram ataques nos últimos dias, acusando-se mutuamente de violar o cessar-fogo, com o controlo de Ormuz no centro das tensões. .Teerão nega que haja reuniões com EUA marcadas para esta semana.O Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano disse, entretanto, que não há reuniões previstas entre Irão e Estados Unidos esta semana no Qatar, negando notícias da imprensa norte-americana sobre um encontro na terça-feira.“Não há nenhuma reunião técnica dos grupos de trabalho planeada para esta semana”, afirmou o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Kazem Gharibabadi, segundo a televisão estatal, classificando as notícias como incorretas.Segundo o acordo, que engloba a suspensão temporária de ataques, o Irão compromete-se a permitir a passagem segura de navios comerciais no estreito de Ormuz, enquanto os Estados Unidos aceitam levantar o bloqueio aos portos iranianos.Na noite de sábado, o presidente norte-americano retomou ameaças, afirmando que o Irão “deixaria de existir” se os Estados Unidos decidissem retomar a guerra.O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, avisou no domingo os Estados Unidos de que Teerão tem controlo absoluto sobre o estreito de Ormuz nos próximos 30 dias de negociações e exigiu que os EUA pressionem Israel a retirar-se do Líbano.Araghchi fez as declarações no meio de novos confrontos com os EUA e após um acordo entre o Líbano e Israel que foi rejeitado pelo Hezbollah, partido paramilitar libanês e aliado estratégico de Teerão, que acredita que o acordo contraria o documento assinado pelo Irão e pelos EUA.O primeiro ponto do documento não só exige a suspensão dos bombardeamentos israelitas, como obriga as partes a encontrarem uma solução para a retirada de Israel do país.O acordo assinado na sexta-feira entre o Líbano e Israel, no entanto, apenas menciona uma “retirada gradual” condicionada à verificação do desarmamento do Hezbollah, algo que o grupo armado não tem intenção de fazer, entendendo ser uma manobra israelita para deixar o país indefeso.Nos últimos dias a tensão entre o Irão e os EUA voltou a aumentar após uma agressão iraniana a um navio com bandeira de Singapura que navegava pelo estreito de Ormuz.Washington descreveu este incidente como uma violação do acordo estabelecido entre os EUA e os iranianos, lançando posteriormente ataques aéreos de retaliação contra o Irão.Teerão, por sua vez, denunciou uma violação do cessar-fogo e respondeu com ataques contra bases e infraestruturas controladas pelos norte-americanos no Médio Oriente.O Irão e Omã tiveram uma reunião sobre o estreito de Ormuz, por onde passava, antes da guerra, um quinto dos navios que transportavam petróleo para todo o mundo. Nos últimos meses, as autoridades iranianas têm insistido que o estreito deve ser gerido conjuntamente por Teerão e Mascate, os dois Estados costeiros da zona.Washington e outros países já apelaram para o regresso ao estatuto anterior ao conflito, referindo-se à ausência de portagens.O memorando de entendimento assinado entre Teerão e Washington para pôr fim à guerra estipula que “a República Islâmica do Irão dialogará com o sultanato de Omã para definir a futura administração e os serviços marítimos no Estreito de Ormuz, em consulta com os outros Estados que fazem fronteira com o golfo pérsico, em conformidade com o direito internacional aplicável e os direitos soberanos dos Estados costeiros do estreito de Ormuz”.O texto prevê que a passagem de Ormuz seja gratuita “apenas durante 60 dias”, não estando ainda definido o que acontecerá após esse período..Trump ameaça "concluir trabalho militar" contra o Irão por violação do cessar-fogo.Irão ataca posições norte-americanas e acusa Estados Unidos de violação flagrante" do pré-acordo