Os Estados Unidos comunicaram ao Irão a disponibilidade para prosseguir as negociações sobre o fim da guerra no Médio Oriente, segundo anunciou esta sexta-feira, em Nova Deli o chefe da diplomacia iraniana, Abbas Araghchi.“Recebemos novamente mensagens da parte dos norte-americanos a indicar que estão dispostos a prosseguir as discussões e a manter os contactos”, declarou Araghchi à imprensa, citado pela agência de notícias France-Presse (AFP).O Presidente norte-americano, Donald Trump, criticou no domingo, 10 de maio, a resposta de Teerão à proposta dos Estados Unidos para acabar com a guerra, classificando-a como “totalmente inaceitável”.A informação avançada por Abbas Araghchi em Nova Deli, onde participa numa reunião dos BRICS, sinalizará uma nova tentativa de aproximação diplomática entre os dois países.No regresso da visita à China, Trump afirmou esta sexta-feira que o homólogo chinês, Xi Jinping, defende que o Irão não deve possuir armas nucleares.“Ele [Xi] está firmemente convencido de que eles [os iranianos] não devem possuir armas nucleares e deseja que reabram o estreito” de Ormuz, declarou Trump aos jornalistas a bordo do Air Force One, referindo-se à via marítima estratégica bloqueada pelo Irão.Entretanto, segundo anunciou a TV estatal iraniana, o Irão autorizou a passagem de mais navios pelo estreito de Ormuz, que estava quase totalmente paralisado por Teerão desde o início da guerra no Médio Oriente..Teerão autorizou a passagem de mais navios pelo estreito de Ormuz. Nas declarações em Nova Deli, o ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão recordou as negociações que a República Islâmica tinha em curso com Washington sobre o programa nuclear iraniano quando foi atacada pelos Estados Unidos e Israel.“O último encontro foi a 26 de fevereiro. O negociador [norte-americano] disse-nos que havia progressos significativos, mas dois dias depois começaram os ataques”, declarou.A ofensiva israelo-americana começou em 28 de fevereiro e interrompeu as negociações sobre o programa nuclear do Irão, que tinham sido retomadas depois de Trump ter retirado os Estados Unidos de um tratado internacional sobre a questão em 2018.A decisão tomada por Trump durante o primeiro mandato na presidência levou o Irão, de novo sob sanções norte-americanas, a retomar o programa de enriquecimento de urânio, em violação com as disposições do tratado de 2015.Araghchi disse que a falta de confiança com os Estados Unidos continua a ser o principal obstáculo para avançar nas negociações bilaterais.“O problema mais importante é a desconfiança”, afirmou Araghchi durante uma conferência de imprensa na capital indiana.Ainda assim, sustentou que Teerão continua a acreditar que não existe uma solução militar para o conflito, pelo que defendeu a necessidade de manter as negociações.“Não há outra solução que não seja uma solução negociada”, disse, também citado pela agência de notícias espanhola EFE.Araghchi acusou ainda Washington de enviar “mensagens contraditórias” sobre o processo diplomático, e disse que a situação dificulta qualquer avanço nas conversações.“Cada dia a mensagem é diferente, e isso é um problema”, afirmou.Araghchi insistiu que o Irão resistirá à pressão ocidental, da mesma forma que o fez durante décadas sob sanções internacionais.“Resistimos a mais de 40 anos de sanções, mas isso não mudou a nossa determinação”, assinalou.As declarações de Araghchi ocorrem no contexto de uma frágil trégua no Médio Oriente e durante a reunião dos chefes da diplomacia dos BRICS em Nova Deli.A reunião foi marcada por divisões internas do bloco sobre a guerra e o futuro das negociações com Washington, segundo a EFE.A guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irão causou milhares de mortos e provocou uma subida dos preços do petróleo, fazendo recear uma recessão económica global.O Irão respondeu à ofensiva israelo-americana com ataques contra os países do golfo Pérsico e o bloqueio do estreito de Ormuz, por onde passa habitualmente 20% dos produtos petrolíferos para os mercados internacionais.A China e a Índia são dois dos principais consumidores do petróleo do Irão e o governo indiano já adotou medidas de austeridade para tentar diminuir o consumo de combustíveis face à instabilidade dos mercados.