Azar Mansouri, a líder da Frente Reformista, Mohsen Aminzadeh, um diplomata que serviu como vice-ministro dos Negócios Estrangeiros no governo do presidente Mohammad Khatami, ou Ebrahim Asgharzadeh, um dos líderes do grupo de estudantes que invadiu a embaixada dos EUA em 1979. Estas são algumas das figuras do movimento reformista detidas no domingo à noite e na manhã de ontem pelas autoridades iranianas. A eles juntou-se também Javad Emam, porta-voz da Frente Reformista, cuja prisão foi anunciada pelo advogado de Mansouri. O Ministério Público de Teerão alegou que os detidos tinham feito todos os esforços para “justificar as ações da infantaria terrorista” - como o regime tem classificado os manifestantes - e afirmou que estavam a agir em conluio com os EUA e Israel. Também foram acusados de “atacar a unidade nacional, assumir uma posição contra a Constituição, promover a rendição, perverter grupos políticos e criar mecanismos secretos subversivos”.A Frente Reformista, que junta vários pequenos partidos, foi fundamental para garantir a eleição em 2024 do presidente Masoud Pezeshkian. A detenção da sua líder, presa por elementos da Guarda Revolucionária, é uma ação que pode aprofundar ainda mais as tensões em torno da forma como o regime tem gerido os protestos que começaram em finais de dezembro contra o aumento do custo de vida, mas que depois se transformaram em apelos à mudança do regime. Além de muitos milhares de manifestantes detidos, os números oficiais falam em pouco mais de 3000 mortos, a maioria membros das forças de segurança. Mas Mai Sato, a relatora da ONU para o Irão, garantiu em entrevista ao jornal Le Monde em finais de janeiro que o número de vítimas pode chegar às “dezenas de milhares”. Dias antes avançara mesmo um número mais concreto: 20 mil mortos. .Um mês de protestos no Irão. ONU denuncia dezenas de milhares de mortos. Regime fala em 3000.Azar Mansouri foi uma das personalidades reformistas que expressou profundo pesar pelas mortes dos manifestantes e afirmou que nada poderia justificar tal “catástrofe”. Numa declaração na semana passada, Mansouri disse: “Não permitiremos que o sangue destes entes queridos seja relegado ao esquecimento ou que a verdade se perca no pó. Defender os nossos direitos e lutar para esclarecer a verdade é um dever de todos nós. E, com todo o nosso ser, declaramos o nosso repúdio e raiva por aqueles que, de forma implacável e imprudente, arrastaram os jovens deste país para a terra e o sangue.”Estas últimas detenções seguem-se às de outros quatro defensores dos direitos humanos iranianos que assinaram uma declaração apoiada por 17 ativistas proeminentes a exigir um “referendo livre e transparente” para estabelecer um novo governo democrático no Irão. As primeiras três detenções foram as de Vida Rabbani, Abdollah Momeni e Mehdi Mahmoudian, mas entretanto um quarto signatário, Ghorban Behzadian-Nejad, conselheiro sénior do ex-primeiro-ministro reformista e candidato presidencial em 2009 Mir-Hossein Mousavi, também foi detido.As notícias destas detenções surgem num momento em que Irão e EUA retomaram as negociações sobre o programa nuclear iraniano. Perante a violenta repressão dos protestos, o presidente americano, Donald Trump, ameaçou o regime do ayatollah Ali Khamenei com novos ataques, depois de em junho de 2025 os EUA terem bombardeado instalações nucleares iranianas durante a guerra de 12 dias entre o Irão e Israel. O Guia Supremo - no poder desde 1989 quando sucedeu ao ayatollah Khomeini, fundador dez anos antes da República Islâmica - respondeu com alertas de uma “guerra regional”. Nas últimas semanas, os protestos parecem ter baixado de tom e na sexta-feira os EUA e o Irão retomaram negociações diretas em Omã. Uma nova ronda de contactos está prevista para a próxima semana. Segundo Phyllis Bennis, investigadora do Instituto de Estudos Políticos em Washington, ouvida pela Al Jazeera, é pouco provável que as últimas detenções no Irão afetem as negociações nucleares em curso. Mas recorda que as prisões ocorreram antes da visita do primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu à Casa Branca na quinta-feira, onde deverá falar do Irão com Trump. Netanyahu deverá pressionar Trump a incluir o programa de mísseis do Irão nas negociações entre os EUA e o Irão. O presidente americano disse estar disposto a que as negociações se concentrem exclusivamente na redução do programa nuclear do Irão, posição que alarma tanto os israelitas como alguns membros do seu Partido Republicano..Quem é Reza Pahlavi, por quem os iranianos clamam nos protestos?