Terminado o encontro de alto nível entre as delegações dos Estados Unidos e do Irão, as negociações prosseguem durante o resto da semana, na Suíça, ao nível técnico. Segundo um comunicado conjunto dos mediadores — Paquistão e Qatar —, os grupos de trabalho técnicos vão concentrar-se nas questões nucleares, nas sanções, nos mecanismos de monitorização e procedimentos de resolução de litígios. À saída de Bürgenstock, o vice-presidente norte-americano mostrou-se otimista. “Lançámos uma base muito boa para um acordo final bem-sucedido”, disse J.D. Vance. Em resultado disso, os EUA levantaram parcialmente as sanções ao comércio de petróleo iraniano e Teerão concordou com a visita de inspetores da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA). Ao que Donald Trump acrescentou: “O Irão aceitará inspeções aprofundadas para garantir a ‘integridade nuclear’ a longo prazo.”Vance regozijou-se com os “avanços importantes” obtidos na Suíça. “Foi um dia muito, muito bom”, disse em jeito de conclusão. Afirmou que a delegação norte-americana fez “exatamente o que queria”, ou seja, criar um “mecanismo para manter o estreito de Ormuz aberto”, mas também “um mecanismo semelhante para desarmar conflitos no âmbito do cessar-fogo regional”, e garantir que os iranianos aceitem novamente os inspetores da AIEA. Sobre os ativos iranianos congelados, o vice-presidente disse que há que garantir que o dinheiro “não sirva para financiar o terrorismo”, tendo mencionado a sugestão de Jared Kushner de trocar os ativos por soja, milho e trigo dos EUA..Ameaças mútuas marcam primeiro dia das negociações EUA-Irão.Pouco depois das declarações de Vance, o secretário do Tesouro Scott Bessent anunciou o levantamento das sanções da venda de petróleo iraniano “na sequência das discussões frutíferas em curso na Suíça”. Vaivéns diplomáticosO chefe da diplomacia dos Estados Unidos começa hoje uma viagem que o leva a três países do Golfo, Emirados, Koweit e Bahrein. “O secretário [Marco Rubio] abordará uma série de prioridades regionais, incluindo o memorando de entendimento com o Irão, os esforços para garantir um trânsito pleno, seguro e livre através do estreito de Ormuz, bem como a importância da paz e da estabilidade na região”, disse o Departamento de Estado em comunicado. “No Bahrein, o secretário também se reunirá com o Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) para debater prioridades comuns em toda a região.”Já o seu homólogo iraniano, Abbas Araghchi, acompanhou o presidente do Parlamento Bagher Ghalibaf numa visita ao sultanato de Omã. Segundo Teerão, a ordem de trabalhos incidia na discussão sobre a futura administração e serviços marítimos no estreito de Ormuz. De acordo com o memorando de entendimento, o Irão garante a passagem segura dos navios comerciais, do Golfo Pérsico ao Mar da Arábia, e vice-versa, sem qualquer custo durante 60 dias. A partir dessa data, o regime islâmico prevê taxar os navios que cruzem o estreito.Por fim, o presidente iraniano viaja hoje para o Paquistão. Habibollah Abbasi, diretor de relações públicas da presidência iraniana, destacou que um dos objetivos da viagem de Masoud Pezeshkian é agradecer ao primeiro-ministro Shehbaz Sharif pelos esforços de mediação entre o Irão e os EUA. Mas as consultas sobre o processo negocial agora iniciado deverão ser o prato principal da ementa.Israel defende colonatos Para Israel, viver na Cisjordânia, território palestiniano ocupado desde 1967, é um “direito fundamental”, disse o ministro dos Negócios Estrangeiros israelita Gideon Sa’ar à comissária europeia Dubravka Suica. “Todos os governos israelitas defenderam o nosso direito fundamental de viver na Judeia e Samaria, o berço histórico do povo judeu. Nenhum outro povo no mundo tem um direito tão sólido e documentado como o povo judeu à terra de Israel”, afirmou. A visita da comissária para o Mediterrâneo acontece em plena crise diplomática entre a UE e Israel. O MNE israelita cortou relações com a alta representante Kaja Kallas por esta ter alegadamente comparado a relação de Israel e a Palestina com o regime de apartheid. No mês passado, a UE aplicou sanções a “colonos extremistas” na Cisjordânia.