A Europa está a entrar em 2026 num ambiente crescente de tensão com os Estados Unidos, entre a nova estratégia de segurança nacional da Casa Branca e a suspensão de vistos a figuras como o ex-comissário francês Thierry Breton, e de divisão entre os Estados-membros do bloco, como se pode ver no falhanço em aprovar o empréstimo de reparações à Ucrânia baseado em ativos russos congelados. As eleições previstas para este ano poderão ter impacto na resposta do bloco dos 27 a cenários como este, em especial as legislativas na Hungria, marcadas para 12 de abril, que ditarão se Viktor Orbán continuará ou não como primeiro-ministro, cargo que ocupa desde maio de 2010. Desde que voltou à liderança do governo há 15 anos, após uma primeira passagem entre 1998 e 2002, Orbán tem vindo, entre outras coisas, a garantir progressivamente o controlo do sistema judiciário, dos media, dos organismos reguladores, tem reprimido os direitos das minorias, nomeadamente da comunidade homossexual usando como escudo a proteção das crianças, e tem alterado as leis eleitorais de forma a dificultar a vida da oposição. “A nível interno, a Hungria tem sido alvo de escrutínio por parte das instituições europeias devido à regressão dos padrões democráticos. Um relatório recente (25 de novembro de 2025), aprovado por larga maioria no Parlamento Europeu, afirma que o país se transformou num ‘regime híbrido de autocracia eleitoral’”, refere Serena Giusti, investigadora associada sénior do Instituto Italiano de Estudos Políticos Internacionais. O ano terminou ainda com a abertura de um processo de infração por parte de Bruxelas por incumprimento da legislação europeia sobre a liberdade de imprensa.Quanto à relação com Bruxelas e no Conselho Europeu, Orbán é um crítico das políticas da União Europeia, do apoio militar à Ucrânia à aplicação de sanções de sanções à Rússia, com quem mantém relações próximas. Paralelamente, o primeiro-ministro húngaro é dos poucos líderes europeus verdadeiramente aliado de Donald Trump. “Se 2026 for para ser um ano melhor para a democracia (europeia), isso terá de partir dos povos da Hungria e dos EUA, que têm a oportunidade de desferir um rude golpe nos seus líderes antidemocráticos”, escreveu o especialista em populismo Cas Mudde numa análise publicada na semana passada no Voxeurop, referindo-se às eleições húngaras e às intercalares de novembro nos EUA.Em 2022, o Fidesz (o partido de Orbán) conquistou 54,13% dos votos, o que se traduziu na sua quarta supermaioria consecutiva de dois terços do parlamento. Mas desta vez, as sondagens têm vindo a mostrar que o líder húngaro poderá não ter a vida tão facilitada, com o Tisza de Péter Magyar, um antigo aliado de Orbán, a surgir de forma consistente com uma maior percentagem de intenções de votos - a estreia política do Tisza ocorreu nas europeias de junho de 2024, quando obteve 30% dos votos, conquistando 7 dos 21 lugares da Hungria no Parlamento Europeu.“Orbán respondeu a esta nova ameaça eleitoral engendrando a aprovação de uma lei de redistribuição dos círculos eleitorais que dificultará a obtenção de uma maioria parlamentar por parte do Tisza. Os autocratas não caem facilmente”, nota James M. Lindsay, investigador do Conselho de Relações Externas. Nórdicos também vão a votosDepois de perder Copenhaga pela primeira vez desde 1938, os sociais-democratas de Mette Frederiksen irão este ano - a data ainda não foi marcada, mas não poderá passar de 31 de outubro - enfrentar umas eleições parlamentares. As sondagens indicam que a primeira-ministra, no poder desde 2019, deverá perder o cargo. A 13 de setembro será a vez dos suecos escolherem um novo parlamento que, por sua vez, elegerá o próximo chefe do governo. O primeiro-ministro Ulf Kristersson, que lidera uma coligação de centristas, socialistas, liberais e democratas-cristãos, apresenta intenções de voto semelhantes às das eleições de 2023, mas, segundo James M. Lindsay, “as eleições gerais da Suécia servirão como indicador da força da política populista na Europa, e do impacto das campanhas de influência estrangeira”.Estão ainda previstas eleições parlamentares na Letónia até 3 de outubro para escolher quem sucederá à coligação de centro-direita da primeira-ministra Evika Silina, cujo partido está agora em segundo lugar nas sondagens. A 22 de março, os eslovenos também vão às urnas, com analistas ouvidos pela Euronews a dizerem que a formação de um governo após as eleições poderá ser difícil, dado que vários partidos novos e mais pequenos estão a entrar na corrida. .Orbán e oposição medem forças nas ruas de Budapeste.Copenhaga virou mais à esquerda para castigar Mette