O Governo de Hong Kong iniciou o processo para dissolver três empresas ligadas ao extinto jornal Apple Daily, fundado pelo magnata pró-democracia Jimmy Lai e encerrado em 2021 ao abrigo da Lei de Segurança Nacional, imposta por Pequim em 2020.O secretário para a Segurança de Hong Kong, Chris Tang, enviou notificações por escrito à Apple Daily Limited, Apple Daily Printing Limited e AD Internet Limited, concedendo-lhes até 25 de fevereiro para apresentarem a defesa antes de recomendar ao chefe do Executivo a eliminação dessas empresas do Registo Comercial, lê-se num comunicado do Governo.As três empresas foram anteriormente condenadas, juntamente com Lai, por conspiração para colusão com forças estrangeiras e por conspirar para publicar material sedicioso, crimes tipificados na legislação de segurança nacional.Cada uma recebeu uma multa de 3.004.500 dólares de Hong Kong (cerca de 324 mil euros).Um porta-voz da secretaria para a Segurança invocou o artigo 31.º da Lei de Segurança Nacional, que permite a suspensão das operações ou a revogação das licenças de entidades sancionadas por esta norma."Considerando a gravidade dos crimes cometidos, considera-se necessário proibir a operação ou a continuidade destas empresas em Hong Kong para salvaguardar a soberania nacional", afirmou o porta-voz em comunicado.Se a proposta for aprovada pelo chefe do Executivo, as empresas serão eliminadas do registo e passam a ser consideradas "organizações proibidas".Quem atuar como membro ou prestar assistência a essas entidades poderá enfrentar multas de até um milhão de dólares de Hong Kong (107 mil euros) e penas de até 14 anos de prisão.O porta-voz sublinhou que as leis em vigor vão ser aplicadas "com determinação, plenitude e fidelidade" para prevenir, reprimir e punir qualquer atividade que ponha em risco a segurança do Estado.O Apple Daily, último jornal abertamente pró-democracia da ex-colónia britânica, encerrou as atividades em junho de 2021, após uma operação policial em grande escala, congelamento de ativos e a detenção de executivos ao abrigo da Lei de Segurança Nacional promulgada após os protestos antigovernamentais em massa e, por vezes, violentos de 2019.Lai, fundador do jornal e símbolo da dissidência de Hong Kong, foi condenado a 20 anos de prisão na passada segunda-feira, no desfecho do mesmo caso. A defesa de Lai não esclareceu se irá recorrer da sentença.O empresário, de 78 anos, permanece detido desde dezembro de 2020 e acumula condenações anteriores por manifestações não autorizadas e fraude no arrendamento de escritórios..Magnata da imprensa pró-democracia de Hong Kong sentenciado com 20 anos de prisão