Bill e Hillary Clinton na tomada de posse de Donald Trump em 2017.
Bill e Hillary Clinton na tomada de posse de Donald Trump em 2017.Departamento de Defesa dos EUA / U.S. Marine Corps Lance Cpl. Cristian L. Ricardo

Hoje Hillary, amanhã Bill. Casal Clinton testemunha sobre Jeffrey Epstein

A antiga secretária de Estado e o antigo presidente serão ouvidos pela Comissão de Supervisão da Câmara dos Representantes perto da sua casa no Estado de Nova Iorque e não no Capitólio.
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Hillary Clinton vai testemunhar esta quinta-feira, 26 de fevereiro, perante os membros da Comissão de Supervisão da Câmara dos Representantes no âmbito de uma investigação do Congresso sobre Jeffrey Epstein. Na sexta-feira, dia 27, será a vez de Bill Clinton, marcando a primeira vez que um antigo presidente será obrigado a depor perante o Congresso dos Estados Unidos desde Gerald Ford em 1983. As audições terão lugar não no Capitólio, mas em Chappaqua, a cidade no Estado de Nova Iorque onde vivem os Clinton, e serão à porta fechada e não públicas como pretendia o casal. No entanto, o congressista republicano James Comer, que preside à comissão, disse que as transcrições dos seus depoimentos serão tornadas públicas.

Estes dois dias de depoimentos surgem após meses de um braço de ferro entre Bill e Hillary Clinton e James Comer. O testemunho do antigo presidente foi inicialmente pedido para o passado mês de outubro e depois reagendado para dezembro, tendo Bill Clinton se recusado a comparecer. Uma nova intimação marcou uma nova data para 13 de janeiro, à qual o democrata também faltou.

Quanto à antiga secretária de Estado, o seu depoimento esteve inicialmente agendado para 9 de outubro, depois alterado para 18 de dezembro e novamente para 14 de janeiro, não tendo comparecido em nenhuma das datas.

O casal argumentou que as intimações eram legalmente inválidas e que com elas os republicanos pretendiam levar a cabo uma campanha de retaliação política alinhada com Donald Trump. Acabaram por ceder no início deste mês depois de terem sido alertados que iriam ser considerados em desacato com o Congresso, defendendo que os seus depoimentos deveriam ser públicos para demonstrar aos norte-americanos que não tinham nada a esconder e, ao mesmo tempo, minimizaria a politização dos seus depoimentos face a uma maioria republicana.

“Solicitei a divulgação completa dos arquivos de Epstein. Prestei depoimento juramentado sobre o que sei. E, nesta semana, concordei em comparecer pessoalmente perante a comissão. Mas isso ainda não é suficiente para os republicanos da Comissão de Supervisão da Câmara”, escreveu Bill Clinton no X no dia 6. “Agora, o presidente Comer diz que quer câmaras, mas apenas à porta fechada. Quem beneficia com este acordo? Não são as vítimas de Epstein, que merecem justiça. Nem o público, que merece a verdade. Isto serve apenas interesses partidários. Isto não é apuramento de factos, é pura política.”

Na mesma publicação, o antigo presidente garantiu que não ia ficar “de braços cruzados enquanto me usam como peça de um jogo de poder num tribunal de fachada à porta fechada, orquestrado por um Partido Republicano aterrorizado. Se querem respostas, vamos parar com os joguinhos e fazê-lo da forma correta: numa audiência pública, onde o povo americano possa ver por si próprio do que se trata realmente.” Os Clinton não conseguiram que os seus depoimentos fossem públicos, mas serão gravados e transcritos, tendo Comer garantido que as transcrições serão tornadas públicas.

Numa entrevista dada na semana passada à BBC, Hillary Clinton, por seu turno, acusou a administração Trump de “encobrimento” quanto à divulgação de ficheiros sobre Jeffrey Epstein. “Divulguem os ficheiros. Estão a protelar”, disse.

A antiga secretária de Estado norte-americana afirmou ainda que ela e o marido estavam a ser usados para desviar a atenção do atual presidente. “Vejam só esta cortina de fumo. Teremos os Clinton, até mesmo Hillary Clinton, que nunca conheceu o sujeito”, referiu ainda dizendo que se encontrou com Ghislaine Maxwell, a parceira de Epstein que está a cumprir uma pena de 20 anos por conspiração para abuso de menores e tráfico sexual de adolescentes, “em algumas ocasiões".

Bill Clinton, por seu turno, que surge várias vezes nos arquivos divulgados pelo Departamento de Justiça, confirmou que conhecia Jeffrey Epstein, mas garantiu ter cortado o contacto com ele há duas décadas. Ambos negam ter conhecimento dos crimes sexuais cometidos na altura pelo falecido empresário.

“Ninguém está a acusar os Clinton de qualquer irregularidade”, disse recentemente James Comer, presidente da Comissão de Supervisão da Câmara dos Representantes. “Só temos muitas perguntas.”

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