Donald Trump e Kamala Harris num momento do debate eleitoral.
Donald Trump e Kamala Harris num momento do debate eleitoral.MARIO TAMA / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / Getty Images via AFP

Harris para Trump: "Você não está a concorrer contra Biden, está a concorrer contra mim"

O primeiro debate entre os dois candidatos à Presidência dos EUA foi marcado pela diferença de tom entre ambos: a democrata esteve essencialmente focada nos planos que tem caso venha a vencer, enquanto o republicano criticou a Administração anterior e não largou a questão da imigração, do início ao fim.
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A candidata democrata Kamala Harris prometeu, no primeiro debate presidencial norte-americano com Donald Trump, uma "economia de oportunidades" com um corte fiscal de seis mil dólares para famílias jovens e 15 mil dólares para pequenas empresas. 

Esta foi a nota inicial do debate, em que a vice-presidente norte-americana esteve muito focada em tentar passar o seu "plano" para o caso de ser presidente, enquanto Donald Trump gastou quase todo o tempo a criticar a Administração de Joe Biden e a falar nos "perigos" da imigração.

A situação chegou a um ponto em que Harris, a dada altura, diz a Trump: "Você não está a concorrer contra Biden, está a concorrer contra mim", em tom que desarma o ex-presidente.

Aquilo que Harris chama o plano para a economia foi descrito através do seu passado. 

"Fui criada na classe média e sou a única pessoa aqui, esta noite, que tem um plano para elevar as pessoas da classe média na América", afirmou Kamala Harris no debate terça-feira (madrugada de quarta-feira em Lisboa), ao ser questionada sobre o estado da economia. 

A candidata reconheceu que as famílias estão a ter dificuldades com a escassez de habitação acessível e que é necessário construir mais: prometeu trabalhar com o sector privado para construir mais três milhões de casas até ao final do mandato. 

Harris também cunhou o termo "IVA do Trump" para descrever o que serão os efeitos da taxa de 20% que o republicano quer impor a bens importados. "Isso resultaria em despesas de mais quatro mil dólares por ano", em média, para as famílias, apontou a democrata, acusando-o de querer oferecer cortes de impostos aos ricos às custas da classe média. 

"Trump deixou-nos o pior desemprego desde a Grande Depressão, a pior epidemia de saúde pública num século e o pior ataque à nossa democracia desde a Guerra Civil", acusou Kamala Harris.

"Estivemos a limpar a porcaria deixada por Trump", continuou, afirmando que Trump "não tem um plano" para as pessoas e que os economistas avaliaram negativamente a sua proposta de taxas. 

"A Administração Trump resultou num dos défices mais elevados da História", apontou. 

Ao longo do debate, Kamala Harris regressou várias vezes à sua mensagem económica, dizendo que, ao contrário da "velha retórica" de Trump, ela tem um plano para tornar os bens mais baratos e a habitação mais acessível. 

Questionada sobre a sua mudança de opinião quanto ao fracking, método de extração de hidrocarbonetos do solo, Harris garantiu que não irá bani-lo e que não o baniu enquanto vice-presidente. 

Esta é uma questão crucial na Pensilvânia, um Estado decisivo, onde os candidatos estão empatados. 

"Eu dei o voto que aprovou a Lei de Redução da Inflação, que abriu novas licenças de fracking", salientou Harris. "O que eu defendo é que precisamos de investir em fontes de energia diversas para reduzir a dependência de petróleo estrangeiro", afirmou, lembrando o grande aumento da exploração petrolífera doméstica durante a Administração Biden.

"Tenho um plano para a economia de oportunidades", declarou, contrastando com o plano de Donald Trump de voltar a cortar os impostos às empresas e milionários.

Já Trump, ao seu estilo, apelidou a adversária de "marxista" e acusou-a de apenas copiar as políticas do atual presidente, Joe Biden.

"Ela não tem um plano. Ela copiou o plano de Biden e resume-se a quatro frases. Quatro frases que são apenas 'vamos tentar reduzir os impostos'. Ela não tem programa", disse o ex-presidente.

Trump voltou a afirmar que a inflação nos Estados Unidos é "provavelmente a pior da história" norte-americana, uma falsa alegação que a imprensa norte-americana rapidamente clarificou, embora assinalando que a inflação durante o corrente Governo de Biden tem sido maior do que o normal nos últimos anos.

O ex-presidente manteve sempre o tom irritado - que se agravou quando Harris disse que "nos comícios de Trump as pessoas fartam-se e começam a sair" - e acusou-a de o usar para dividir os americanos.

"Provavelmente levei um tiro na cabeça por causa das coisas que dizem sobre mim. Eles falam sobre democracia. Eu sou uma ameaça à democracia. Eles são a ameaça à democracia", disse Trump, referindo-se a uma tentativa de assassinato durante um comício na Pensilvânia em julho, no qual ele foi ferido na orelha.

Um argumento que Harris rapidamente virou contra o adversário: "Eu acho que é uma tragédia termos alguém que quer ser presidente e que, de forma consistente, ao longo de sua carreira, tentou usar a questão racial para dividir o povo americano", disse a democrata.

Ao longo de hora e meia de debate, assuntos como o aborto, a guerra na Ucrânia e o conflito na Faixa de Gaza foram discutidos, com Harris a conseguir responder sempre de forma mais substantiva, enquanto Trump rapidamente voltava ao argumento dos "milhões de imigrantes" que a atual Administração "está a deixar entrar" no país.

Num dos momentos mais altos do debate, em resposta a Donald Trump usar um argumento já várias vezes repetido de que consegue acabar com a guerra na Europa "ainda antes de começar o mandato", Harris responde-lhe: "Se não fôssemos nós, Putin estaria sentado em Kiev com os olhos no resto da Europa, a começar na Polónia”. 

Trump, prosseguiu Harris, “rapidamente desistiria a favor do que pensa ser uma amizade com um ditador que o comeria ao almoço!"

Com Lusa e AFP

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