O entusiasmo com que JD Vance disse estar “obcecado” com investigar os ficheiros sobre aliens e OVNIs, afirmando que os primeiros são “demónios”, durante uma passagem pelo podcast conservador The Benny Show, contrastou com a falta de entusiasmo que mostrou quando questionado sobre a guerra no Irão. Esta relutância em apoiar o conflito voltou a manifestar-se na última reunião da Administração, quando o vice-presidente se limitou a dizer que agora os EUA agora têm “opções” que não tinham antes do início dos ataques israelo-americanos, passando rapidamente para uma mensagem de Boa Páscoa para as tropas. A sua falta de entusiasmo não podia contrastar mais com a defesa fervorosa que, segundo a AP, Marco Rubio terá feito da guerra nesta mesma reunião. Para o secretário de Estado dos EUA, o conflito é “um favor” à América e ao mundo. Este é apenas o último exemplo da postura diferente que os dois homens que parecem mais bem posicionados para suceder a Trump na Casa Branca têm tido em relação a este conflito. E se os olhos dos americanos estão ainda postos nas intercalares de novembro - nas quais os democratas esperam recuperar pelo menos uma das câmaras do Congresso -, a verdade é que já começam a surgir movimentações com vista às presidenciais de 2028. No New Hampshire, um dos estados que tradicionalmente dá o tiro de partida no processo das primárias, a AP garantia já haver (pré)candidatos republicanos a fazer contactos com responsáveis locais. A acreditar na última sondagem da Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC), divulgada no sábado e realizada durante o encontro deste ano, 53% dos mais de 1600 participantes inquiridos escolheriam Vance como candidato. Segundo a Reuters, Marco Rubio ficaria em segundo lugar com 35%.Ora a um ano da data em que se prevê o anúncio das primeiras candidaturas e a pouco menos de dois do início das primárias, tanto Vance como Rubio sabem que têm de pensar muito bem na sua estratégia para não afugentar eleitores. O primeiro tem optado por manter a sua posição de contenção em relação a intervenções militares dos EUA no estrangeiro, mas com o cuidado de não parecer desleal em relação ao presidente. Já Rubio tem sido fiel à imagem de falcão, sendo um dos maiores apologistas da guerra. Palavras que se poderão virar contra ele, dependendo da evolução do conflito. Veterano do Iraque, Vance tem repetido que o Irão não pode ter a arma nuclear, mas garantindo que Trump não tem intenções de envolver os EUA “num conflito que se prolongue por anos sem um objetivo claro”, como afirmou numa entrevista à FOX News no início de março. O próprio Trump já admitiu que o vice é “menos entusiasta” acerca do conflito, mas que mesmo assim é “bastante entusiasta”. O presidente pareceu insinuar que Vance terá mantido essa posição em discussões privadas sobre o Irão, dizendo aos jornalistas que o seu número dois foi “filosoficamente um pouco diferente” dele no início.Rubio, por seu lado, já defendia uma política externa musculada e uma América mais intervencionista muito antes de assumir a chefia da diplomacia americana. Como secretário de Estado, cargo que acumula com o de conselheiro para a segurança nacional, Rubio considerou a operação militar que levou à captura do presidente Nicolás Maduro na Venezuela, no início do ano, como uma “necessidade estratégica” e tem repetido a necessidade de uma mudança de regime em Cuba, a ilha de onde os seus pais emigraram antes ainda da revolução. Quanto ao Irão, dias depois dos primeiros ataques, Rubio considerou “sensata” a decisão de Trump de iniciar o conflito, lembrando a “ameaça iminente” que tornou esta operação “necessária”. A divergência entre Rubio e Vance em relação ao Irão parece refletir a divisão crescente entre os republicanos sobre o conflito. Uma sondagem AP-NORC Center for Public Affairs Research revelou que metade dos inquiridos consideram a ação militar “adequada”. Dois em cada dez republicanos afirmam que não foi suficientemente longe, enquanto cerca de um quarto diz que foi longe demais..Como Rubio passou de “Pequeno Marco” a polícia bom de Trump