Protestos na capital da Gronelândia
Protestos na capital da GronelândiaEPA/CHRISTIAN KLINDT

Parlamento Europeu suspende ratificação de acordo comercial com EUA. Trump diz que sem ele NATO estava no lixo

Jens-Frederik Nielsen, chefe do governo dinamarquês, avisou a população que é preciso "estar preparados para todas as possibilidades" e lembrou que a Gronelândia faz parte da NATO.
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Enviado russo diz ter mantido discussões construtivas com EUA em Davos

O emissário russo Kirill Dmitriev afirmou hoje que manteve discussões construtivas com representantes norte-americanos com vista a pôr fim ao conflito na Ucrânia, à margem do Fórum Económico Mundial, em Davos, na Suíça.

“As reuniões estão a decorrer de forma construtiva e cada vez mais pessoas estão a tomar consciência da justeza da posição russa”, afirmou Dmitriev aos jornalistas após uma reunião com os enviados norte-americanos Steve Witkoff e Jared Kushner.

Já o porta-voz do Kremlin (presidência russa), Dmitri Peskov, não confirmou se Dmitriev irá encontrar-se com o Presidente norte-americano Donald Trump, que estará em Davos na quarta-feira.

Peskov referiu hoje de manhã que o encontro entre enviados especiais de Washington e Moscovo teria como "foco principal" discutir tópicos como a "cooperação comercial, económica e de investimento".

"Somos a favor do restabelecimento dessas relações", disse o porta-voz presidencial citado pela agência russa TASS.

Trump afirma que gostaria de envolver opositora María Corina Machado no futuro do país

O Presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou hoje que gostaria de envolver a líder da oposição venezuelana, María Corina Machado, no futuro do país, embora a tenha afastado da sua estratégia após a captura do ex-líder Nicolás Maduro.

Em conferência de imprensa em Washington, no dia em que se assinala o primeiro ano do seu regresso à Casa Branca, Trump referiu-se a “uma mulher incrivelmente bondosa", depois de María Corina Machado lhe ter oferecido o Prémio Nobel da Paz que recebeu em 2025, num gesto não reconhecido pelo comité de Oslo.

"Estamos em negociações com ela e talvez possamos envolvê-la de alguma forma. Gostava muito de poder fazê-lo", declarou sem detalhes.

O Presidente norte-americano insistiu hoje que a Venezuela enviava anteriormente os seus "traficantes de droga e prisioneiros" para os Estados Unidos, uma situação que se alterou após a captura de Maduro.

"Eu era contra a Venezuela, mas agora amo a Venezuela", disse Trump, acrescentando que tem "trabalhado muito bem" com o novo Governo da Presidente interina, Delcy Rodríguez, antiga vice-presidente de Maduro, que assumiu o poder após a sua deposição.

Donald Trump indicou que as petrolíferas estão a preparar-se para fazer "investimentos massivos" na Venezuela, um país que diz possuir “mais petróleo até do que a Arábia Saudita".

Fundo de pensões dinamarquês vai vender títulos do Tesouro norte-americano

O fundo de pensões dinamarquês AkademikerPension vai vender títulos do Tesouro norte-americanos devido à situação financeira do governo dos Estados Unidos, no meio de uma crise transatlântica resultante da ameaça do Presidente Donald Trump em anexar a Gronelândia.

"A decisão baseia-se na situação financeira precária do governo dos EUA, o que nos faz pensar que precisamos de encontrar uma forma alternativa de gerir a nossa liquidez e risco", disse o gestor de investimento Anders Schelde à agência EFE.

No futuro, em vez de obrigações do Tesouro, o fundo dinamarquês investirá em dólares e em dívida de curto prazo de agências governamentais, entre outros instrumentos.

A decisão "não está diretamente relacionada com a atual disputa entre os EUA e a Europa, mas, claro, isso não tornou a decisão mais difícil", acrescentou Schelde.

O AkademikerPension, um fundo de pensões que gere as poupanças dos professores e académicos dinamarqueses, com investimentos totais que, segundo o seu site, ascendem a 164 mil milhões de coroas dinamarquesas (cerca de 22 mil milhões de euros), detém títulos do Tesouro dos EUA no valor de 100 milhões de dólares (cerca de 85,24 milhões de euros).

Lusa

Exército do Canadá estuda cenário de invasão pelos EUA

O presidente dos EUA publicou na sua conta da rede social Truth Social uma imagem gerada por IA onde Gronelândia, Canadá e Venezuela aparecem como território americano.
O presidente dos EUA publicou na sua conta da rede social Truth Social uma imagem gerada por IA onde Gronelândia, Canadá e Venezuela aparecem como território americano.FOTO: Donald J. Trump / Truth Social

O Exército canadiano criou um cenário de invasão militar do Canadá pelos Estados Unidos e suas possíveis respostas, noticiou hoje o diário Globe and Mail, enquanto o Presidente norte-americano novamente falava de conquistar o país.

É a primeira vez em mais de um século que o Exército do Canadá teoricamente considera a hipótese de um ataque dos Estados Unidos ao seu território, segundo o jornal canadiano, que cita dois altos responsáveis governamentais.

Estes sublinharam, todavia, que não se trata de um plano operacional, mas de um modelo, utilizado para fins de reflexão estratégica, considerando, aliás, altamente improvável que uma tal operação seja equacionada pelo Governo de Donald Trump.

Mas, desde que regressou à Casa Branca, em janeiro do ano passado, para iniciar o seu segundo mandato presidencial (2025-2029), Trump tem reiteradamente expressado o desejo de que o Canadá se torne o 51.º Estado norte-americano.

Na madrugada de hoje, enquanto as ambições dos Estados Unidos na Gronelândia preocupavam os aliados de Washington, Trump publicou uma série de fotos geradas por Inteligência Artificial na sua rede social, Truth Social, mostrando-o na Sala Oval com líderes europeus, em frente a um mapa onde a bandeira norte-americana cobre não só os Estados Unidos, mas também o Canadá, a Gronelândia e a Venezuela.

De acordo com os cenários considerados pelos militares canadianos, em caso de uma ofensiva vinda do sul, as forças norte-americanas poderiam neutralizar posições estratégicas canadianas importantes em menos de uma semana, ou até mesmo em apenas dois dias.

Nesse cenário, a resposta canadiana poderá assumir a forma de uma campanha de tipo insurgente, incluindo emboscadas e “táticas de guerrilha” comparáveis às dos conflitos no Afeganistão, prevê o Exército.

Contactado pela agência de notícias francesa AFP, o Ministério da Defesa Nacional do Canadá não emitiu até agora qualquer comentário sobre a situação.

O Canadá é um membro fundador da NATO (Organização do Tratado do Atlântico-Norte, bloco de defesa ocidental) e parceiro de Washington na defesa aérea do continente norte-americano, com um comando militar conjunto, o NORAD.

Lusa

Trump diz que se não fosse ele "a NATO estaria no caixote do lixo da história"

Donald Trump fez uma publicação na rede social Truth Social, na qual defende que a NATO ainda existe devido à sua ação.

"Nenhuma pessoa ou presidente, fez mais pela NATO do que o presidente Donald J. Trump. Se eu não tivesse aparecido, já não haveria NATO!!! Estaria no caixote do lixo da história. É triste, mas verdade!!!", pode ler-se na publicação do presidente dos Estados Unidos, na sequência das questões que envolvem o seu objetivo de anexar a Gronelândia.

Dinamarca defende presença permanente da NATO

A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, defendeu hoje que a solução para a segurança da Gronelândia poderia ser uma presença permanente da NATO, ao estilo dos países bálticos, afirmando que Copenhaga fez esse pedido à Aliança Atlântica.

"O que propusemos através da NATO é uma presença mais permanente na Gronelândia e arredores", disse, em declarações reportadas pela agência Ritzau, após uma sessão de escrutínio parlamentar em Copenhaga.

A proposta é inspirada no trabalho da aliança na região do Mar Báltico, onde as tropas da NATO estão permanentemente estacionadas na Estónia, Letónia e Lituânia e também cooperam na vigilância marítima através da missão chamada “Baltic Sentinel”.

"Isto pode ser transferido para a região ártica", considerou Frederiksen.

Perante as pressões do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para anexar a Gronelândia, o ministro da Defesa dinamarquês, Troels Lund Poulsen, e a ministra dos Negócios Estrangeiros da ilha ártica, Vivian Motzfeldt, propuseram ao secretário-geral da NATO, Mark Rutte, uma missão em redor do território autónomo do Reino da Dinamarca.

Frederiksen comentou hoje que "houve uma resposta positiva" ao compromisso da NATO em reforçar a segurança.

A primeira-ministra dinamarquesa também aludiu às manobras militares designadas como “Resistência Ártica”, levadas a cabo pelas forças armadas dinamarquesas na Gronelândia e que foram acompanhadas por alguns aliados europeus da NATO, sublinhando que não se trata de uma reação contra os Estados Unidos, com os quais houve "total transparência".

Outros países enviaram militares em reconhecimento para explorar possibilidades de cooperação.

Lusa

Paulo Rangel diz que Portugal é favorável a resposta europeia a tarifas de Trump

Portugal apoia uma resposta europeia às tarifas anunciadas pelo presidente norte-americano Donald Trump sobre países que se opõem ao controlo da Gronelândia pelos Estados Unidos, disse hoje no parlamento o ministro dos Negócios Estrangeiros.

“Somos favoráveis a uma reação da União Europeia”, que deverá ser anunciada durante o dia pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou Paulo Rangel, durante uma audição na comissão parlamentar de Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas.

Questionado por Rui Tavares, deputado do Livre, sobre a eventual adoção de um “mecanismo anticoerção”, invocado pelo Presidente francês, Emmanuel Macron, Paulo Rangel admitiu que “tem uma eficácia externa”, reconhecendo “alguma pertinência” na proposta.

A ativação deste mecanismo anticoerção requer a maioria qualificada dos países da UE e permite, por exemplo, impor limites às importações de um país ou ao acesso a determinados mercados, com bloqueio de investimentos.

Rangel comentou que a imposição de tarifas põe em causa o acordo anterior entre a administração norte-americana e a UE, além de que taxar seis países-membros tem efeitos nos 27, devido ao mercado único.

No sábado, Donald Trump afirmou que pretende cobrar tarifas (de 10% em fevereiro e de 25% em junho) sobre mercadorias de oito países europeus devido à oposição ao controlo dos EUA sobre a Gronelândia, entre os quais seis Estados-membros da UE (Dinamarca, Suécia, França, Alemanha, Países Baixos e Finlândia) e dois outros (Noruega e Reino Unido).

Sobre as ameaças de Trump sobre o território autónomo da Noruega, o ministro manifestou “imensa preocupação”, porque “cria um problema sério dentro da NATO, pilar fundamental da segurança para Portugal”, além de levantar problemas sobre o respeito pela integridade territorial e soberania.

Rangel disse estar a acompanhar a situação “rigorosamente ao minuto”, juntamente com parceiros da UE e da NATO, nomeadamente durante todo o fim de semana passado.

O Governo português, acrescentou, “prefere uma solução de diálogo sempre, apesar das retóricas que os protagonistas possam usar”.

O ministro considerou existir “espaço para uma negociação” e recomendou “alguma contenção na linguagem”.

Em resposta ao deputado da Iniciativa Liberal Rodrigo Saraiva sobre a possibilidade de enviar militares portugueses para aquela ilha no Ártico, "em coordenação com os aliados", como fizeram outros países europeus, Rangel lembrou que essa decisão cabe ao Conselho Superior de Defesa Nacional e ao Presidente da República, numa altura em que o país realiza eleições presidenciais.

"A nossa posição, até agora, foi a de não contribuir nem com declarações retóricas nem com atos simbólicos para escalar a situação", salientou.

Lusa

Parlamento Europeu suspende ratificação de acordo comercial com EUA

O Parlamento Europeu decidiu suspender o processo de ratificação do acordo comercial entre a União Europeia (UE) e os Estados Unidos, em resposta às mais recentes ameaças do Presidente norte-americano, indicaram hoje os principais grupos políticos.

Existe um "acordo maioritário" entre os grupos políticos para congelar o acordo comercial celebrado no ano passado entre os Estados Unidos e a UE, assegurou o presidente do grupo S&D (Socialistas e Democratas, que inclui o PS), Iratxe García Pérez, citado pela agência France-Presse (AFP).

O PPE (direita, que integra os portugueses PSD e CDS-PP), o maior grupo no Parlamento Europeu, também confirmou o congelamento nas discussões sobre o acordo.

Concluído no verão, o acordo prevê taxas aduaneiras de 15% sobre as exportações europeias para os Estados Unidos, mas a abolição de tarifas relativamente às exportações norte-americanas para a UE.

Não permitir o acesso sem impostos às empresas norte-americanas ao mercado europeu é "uma ferramenta muito poderosa", disse hoje Manfred Weber, líder do grupo Partido Popular Europeu (PPE).

"É uma alavanca extremamente poderosa. Não acredito que as empresas concordem em abdicar do mercado europeu", disse Valérie Hayer, presidente do grupo centrista Renew - de que faz parte a Iniciativa Liberal.

Por outro lado, parte da extrema-direita manifestou-se contra o congelamento deste acordo.

"Achamos que isto é um erro", disse Nicola Procaccini, co-presidente dos Reformistas e Conservadores Europeus (ECR).

Já o grupo Patriotas (que abrange o Chega), presidido pelo eurodeputado francês Jordan Bardella (União Nacional), é a favor da "suspensão" deste acordo.

Agora é o "equilíbrio de poder" que é imposto aos Estados Unidos de Donald Trump, disse Bardella aos eurodeputados.

O congelamento das discussões no Parlamento Europeu impede a ratificação deste acordo e, consequentemente, a sua implementação.

No sábado, Donald Trump afirmou que pretende cobrar tarifas (de 10% em fevereiro e de 25% em junho) sobre mercadorias de oito países europeus devido à oposição ao controlo dos Estados Unidos sobre a Gronelândia, entre os quais seis Estados-membros da UE (Dinamarca, Suécia, França, Alemanha, Países Baixos e Finlândia) e dois outros (Noruega e Reino Unido). 

Os diferentes grupos políticos, por outro lado, estão mais desunidos quanto a outras possíveis respostas às ameaças de Donald Trump de anexar a Gronelândia, um território ártico sob soberania da Dinamarca, um país membro da UE e da NATO.

O PPE, através do seu presidente, apelou a um desagravamento das tensões, recusando a implementação do mecanismo europeu anticoerção proposto pelo Presidente francês, Emmanuel Macron, que, por exemplo, limitaria o acesso das empresas norte-americanas a contratos públicos europeus.

O mesmo se aplica ao ECR, cujo vice-presidente Nicola Procaccini também se manifestou contra tal medida.

O uso do que alguns apelidaram de "bazuca" económica europeia é apoiado pelas outras famílias políticas no Parlamento Europeu.

O ministro dos Negócios Estrangeiros português, Paulo Rangel, admitiu hoje “alguma pertinência” quanto a este mecanismo.

Lusa

Protestos na capital da Gronelândia
Macron diz que UE pode ser forçada a usar ‘bazuca’ comercial contra EUA

Operação militar é improvável mas ilha deve estar preparada, avisa primeiro-ministro da Gronelândia

O primeiro-ministro da Gronelândia, Jens-Frederik Nielsen, considerou esta terça-feira (20) improvável uma operação militar contra a ilha, mas disse que o território cobiçado pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, deve estar preparado para esse cenário.

É improvável que a força militar venha a ser utilizada, mas também não está excluído. A outra parte [Trump] disse-o claramente”, afirmou Nielsen, citado pela agência de notícias France-Presse (AFP).

O líder do território autónomo da Dinamarca reforçou a importância da união defensiva em declarações durante uma conferência de imprensa em Nuuk, a capital da ilha.

“É por isso que temos de estar preparados para todas as possibilidades, mas sublinhe-se: a Gronelândia faz parte da NATO e, se houvesse uma escalada, isso teria também consequências para o resto do mundo”, afirmou.

Trump ameaçou tomar a Gronelândia pela força se Copenhaga não aceitar vender a ilha a Washington, alegando que é fundamental para a segurança dos Estados Unidos devido à atividade da Rússia e da China na região.

Face às ameaças, a Dinamarca e sete parceiros europeus enviaram no fim de semana tropas para exercícios de defesa da Gronelândia e do Ártico, que levaram Trump a fazer novas ameaças, desta vez com tarifas alfandegárias.

O vice-primeiro-ministro gronelandês, Múte Bourup Egede reforçou a ideia de Nielsen e disse que o território autónomo da Dinamarca tem de estar pronto para enfrentar mais pressão dos Estados Unidos.

Para esse efeito, foi criado um grupo de coordenação que inclui pessoal da Polícia, do Comando Ártico (a autoridade militar máxima na ilha), municípios e ministérios.

“Temos o dever de estar preparados para tudo”, declarou Egede, também ministro das Finanças e antecessor de Nielsen na chefia do governo regional, citado pela agência de notícias espanhola EFE.

Nielsen reiterou ser inaceitável qualquer discussão sobre uma possível anexação da ilha pelos Estados Unidos.

Relembrou que a Gronelândia é parte integrante da NATO e defendeu a necessidade de uma maior presença militar na região face às crescentes tensões no Ártico.

Nielsen referiu ainda a importância de manter a “estreita colaboração” com a Dinamarca, com a NATO e com a União Europeia, apesar de o território não pretender regressar ao bloco europeu, que abandonou em 1985.

O chefe do governo regional lamentou também que Trump tenha publicado nas últimas horas na rede social de que é proprietário uma imagem gerada por Inteligência Artificial da Gronelândia com a bandeira dos Estados Unidos.

“Claro que seguimos o que se passa nas redes sociais. Não é respeitoso. Queremos diálogo nos canais adequados, não tem de ser feito nos meios de comunicação e nas redes”, comentou Nielsen.

O vice-presidente Egede referiu-se ainda ao impacto humano da crise, afirmando que a pressão exercida pelos Estados Unidos está a afetar emocionalmente os cerca de 57 mil habitantes do território.

Lusa

Protestos na capital da Gronelândia
Trump ameaça França com tarifas de 200% para pressionar Macron

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