Gronelândia: Acordo NATO-EUA visa impedir acesso russo e chinês à região
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Gronelândia: Acordo NATO-EUA visa impedir acesso russo e chinês à região

Secretário-geral da NATO, Mark Rutte, diz que discussões têm por objetivo garantir coletivamente a segurança de sete países do Ártico.
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As conversações EUA-NATO sobre a Gronelândia visam impedir que a Rússia e a China tenham acesso ao território autónomo dinamarquês e a países do Ártico, afirmou esta quinta-feira, 22 de janeiro, o secretário-geral da Aliança Atlântica, Mark Rutte.

As discussões, iniciadas no Fórum Económico de Davos com o presidente norte-americano, Donald Trump, têm por objetivo garantir coletivamente a segurança de sete países do Ártico face à Rússia e à China, referiu.

Rutte citou os Estados Unidos, o Canadá, a Dinamarca, a Islândia, a Suécia, a Finlândia e a Noruega.

Trata-se de assegurar que “os chineses e os russos não possam ter acesso económico e militar à Gronelândia”, afirmou, citado pela agência de notícias France-Presse (AFP).

A porta-voz da NATO, Allison Hart, precisou que “o secretário-geral não propôs qualquer compromisso sobre a soberania” da Dinamarca em relação ao território.

Já uma fonte próxima das discussões de quarta-feira entre Trump e Rutte disse à AFP que os EUA e a Dinamarca vão renegociar o acordo de defesa de 1951 sobre a Gronelândia.

A segurança do Ártico será reforçada e contará com a contribuição dos países europeus da Aliança Atlântica, afirmou a mesma fonte.

A fonte, que não foi identificada pela agência francesa, acrescentou que a hipótese de colocar bases norte-americanas na Gronelândia sob soberania norte-americana não foi abordada em Davos.

A revisão do tratado de 1951 surge num contexto de crescente interesse estratégico pela região, procurando os aliados garantir uma maior coordenação militar face aos novos desafios de segurança no Hemisfério Norte, de acordo com a AFP.

O acordo de 1951 refere-se ao destacamento de tropas na Gronelândia e foi alterado pela última vez em 2004.

O documento, intitulado “Defesa: Gronelândia”, estabelece atualmente no primeiro artigo que a base aérea de Thule, ou Pituffik, é a “única zona de defesa” na ilha ártica.

A nova renegociação destina-se a incluir uma cláusula sobre a Cúpula Dourada, o escudo antimíssil que Trump pretende implementar, indicou a agência de notícias espanhola EFE. O projeto tem um custo estimado de 175 mil milhões de dólares (149,6 mil milhões de euros, ao câmbio atual).

Inspirado no sistema de defesa de Israel, o escudo deverá estar operacional até ao final do atual mandato de Trump, em 2029.

O sistema visa proteger não só os Estados Unidos, mas também o Canadá, prioritariamente contra eventuais ameaças da China e da Rússia.

A revisão do tratado bilateral de 1951 é um dos quatro pilares do pré-acordo alcançado em Davos sobre a Gronelândia entre Trump e Rutte, com a participação do chanceler alemão, Friedrich Merz.

Outro ponto do entendimento NATO-EUA é o controlo de investimentos e minérios, indicou a EFE.

A Administração norte-americana vai poder intervir no controlo de investimentos na Gronelândia, impedindo que potências rivais assegurem recursos estratégicos. Trump confirmou que o acordo vai garantir direitos sobre minerais de terras raras na região.

O quarto ponto tem a ver com o reforço da segurança europeia no Ártico, com os Estados europeus da NATO a assumirem um compromisso mais firme com a segurança regional.

Trata-se de uma exigência de Washington face à presença de navios e submarinos russos e chineses, com Trump a defender que apenas os Estados Unidos conseguem garantir a segurança da “massa de gelo” ártica.

O pré-acordo não inclui, até ao momento, qualquer menção à transferência de soberania ou integridade territorial da ilha, disse a EFE, pontos em que a Dinamarca e a Gronelândia têm recusado ceder.

Antes, a primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, afirmara que o acordo sobre a Gronelândia em negociação entre a NATO e os Estados Unidos não punha em questão a soberania da Dinamarca sobre o território autónomo.

Frederiksen disse num comunicado divulgado esta quinta-feira que a NATO estava “plenamente ciente da posição” da Dinamarca.

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PM dinamarquesa sobre Gronelândia. "Podemos negociar todas as questões políticas, mas não a nossa soberania"

“Podemos negociar todas as questões políticas: segurança, investimentos, economia. Mas não podemos negociar a nossa soberania. Fui informada de que isso também não foi o caso”, afirmou.

Frederiksen reiterou que “somente a Dinamarca e a Gronelândia podem tomar decisões sobre assuntos que dizem respeito à Dinamarca e à Gronelândia”.

Trump anunciou na quarta-feira em Davos que tinha conseguido um acordo com a NATO sobre a Gronelândia, e que os Estados Unidos tinham alcançado tudo o que queriam.

O presidente não divulgou pormenores, mas retirou a ameaça de impor taxas alfandegárias a oito países europeus que enviaram tropas para a Gronelândia na sequência do seu propósito de adquirir a ilha, mesmo pela força.

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