França duvida se UE pode confiar na Austrália após fim do 'contrato do século'

O Governo francês diz que duvida da confiança que se pode depositar na Austrália, depois de Camberra ter assinado um pacto com os Estados Unidos e o Reino Unido abandonando a promessa de compra de submarinos à França.

"Temos negociações comerciais com a Austrália, não vejo como é que podemos ter confiança numa parceria com os australianos", afirmou esta sexta-feira Clement Beaune, secretário de Estado dos Assuntos Europeus francês, na televisão France 24.

O governante francês referia-se às negociações em curso entre a União Europeia e a Austrália para a conclusão de um acordo comercial de forma a facilitar as trocas entre os dois continentes.

Mesmo se a Comissão Europeia, mandatada pelos 27 para levar a cabo estas negociações, diz que as duas situações não estavam ligadas, o Governo francês não pensa da mesma forma.

"Nas relações internacionais, o que conta não são as boas intenções, mais a palavra dos países. A assinatura de um contrato é uma coisa importante e válida. Se não temos confiança neste parceiro, não podemos avançar", explicou Beaune.

Esta declaração é mais do que uma opinião já que a partir de janeiro, a França assume a presidência da União Europeia e caberá ao país definir as prioridades da organização até junho.

Camberra comprometeu-se em 2016 a comprar 12 submarinos à empresa francesa Naval Group por um valor de 34 milhões de euros, num apelidado "contrato do século", e o revés do contrato, anunciado pelo primeiro-ministro australiano, Scott Morrison, a partir da Casa Branca na quarta-feira, causou ondas de choque em terras gaulesas.

Os australianos terão justificado esta mudança por preferirem agora submarinos a propulsão nuclear, uma tecnologia que o Naval Group não tem capacidade de produzir, enquanto os Estados Unidos sim.

No entanto, para a maioria dos observadores, é uma questão política e geoestratégica, com a Austrália a aproximar-se dos parceiros anglófonos.

Para além do contrato para a compra de material de Defesa, o contrato com a França incluía também uma parceria estratégia entre os dois países que deveria durar 50 anos.

As consequências para o setor da aeronáutica em França e na Europa são difíceis de prever, já que a indústria pesada contava com este contrato para prosperar nos próximos anos. O ministro dos Negócios Estrangeiros, Jean Yvres Le Drian, disse que foi "um golpe baixo" por parte dos australianos.

O Naval Group, que tem uma participação de 62% do Estado francês, já disse que vai pedir uma indemnização, para a qual ainda não há uma estimativa de valor.

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