Foi a primeira mulher a liderar a Suécia e levou o país à NATO. Agora tenta voltar ao poder
Magdalena Andersson entrou para a história da Suécia em novembro de 2021. Cem anos depois de as suecas terem conquistado o direito de voto, tornou-se na primeira mulher a assumir a chefia do governo do país. Mas não sem um percalço: foi eleita pelo parlamento e demitiu-se poucas horas depois, devido à rejeição do orçamento do executivo que levou à saída dos Verdes da coligação. Dias mais tarde, acabaria por ser reeleita e iniciou formalmente o seu curto, mas histórico, mandato, durante o qual deu início ao processo de adesão da Suécia à NATO.
Cinco anos depois, os últimos quatro na oposição, Andersson procura devolver o poder aos sociais-democratas. No domingo (13 de setembro), os suecos elegem um novo parlamento numas eleições legislativas renhidas entre os partido do bloco do centro-esquerda e o bloco da direita, atualmente no poder.
Nascida em 1967 em Uppsala, Andersson estudou Economia na Universidade de Estocolmo e em Harvard, nos EUA. Grande parte da sua reputação foi construída dentro da máquina do Estado, trabalhando como assessora económica e especialista em finanças públicas antes de ascender às estruturas dirigentes do Partido Social-Democrata (conhecido simplesmente como S).
Foi como ministra das Finanças no governo de Stefan Löfven, entre 2014 e 2021, que ganhou fama de gestora rigorosa das contas públicas e de negociadora disciplinada, cultivando uma imagem de competência técnica. Quando Löfven se demitiu da liderança social-democrata, foi a escolha natural para lhe suceder, tornando-se primeira-ministra sem passar por eleições legislativas.
O seu mandato durou menos de um ano, mas coincidiu com a invasão russa da Ucrânia, em fevereiro de 2022. Um acontecimento que levou o seu governo a abandonar décadas de neutralidade militar e a promover a candidatura da Suécia à NATO, uma das maiores mudanças estratégicas da política externa sueca desde a II Guerra Mundial.
A decisão implicou uma mudança histórica dentro do próprio Partido Social-Democrata, tradicional defensor da não-alinhamento militar. “A Rússia é a maior ameaça à Suécia”, reiterou Andersson numa entrevista, já esta semana, procurando ligar figuras da extrema-direita sueca a Moscovo, dizendo que representam uma ameaça à segurança.
Vitória com sabor a derrota
Nas legislativas de setembro de 2022, o S voltou a ser o mais votado, mas o conjunto da direita e da direita radical conquistou uma maioria parlamentar, permitindo a Ulf Kristersson formar governo (e concluir o processo de adesão à Aliança Atlântica).
Durante décadas, os conservadores mantiveram distância dos Democratas da Suécia (SD), partido anti-imigração e nacionalista. Mas a ascensão eleitoral do SD levou à aproximação entre as duas forças e à assinatura de um acordo que permitiu ao executivo do conservador Kristersson governar com o apoio parlamentar da formação liderada por Jimmie Akesson.
A reconfiguração do campo da direita acabou por tornar-se numa oportunidade para Andersson. Ao longo dos últimos meses, as sondagens apontaram de forma consistente para uma vantagem do bloco de centro-esquerda. Há três semanas, algumas projeções davam-lhe uma liderança de cerca de dez pontos percentuais, levando vários analistas a considerar praticamente certo o seu regresso ao cargo de primeira-ministra.
Mas a distância tem vindo a diminuir. A sondagem da Novus, de 7 de setembro, dava ao bloco de centro-esquerda 50,3% das intenções de voto, contra 47,9% da direita. A principal razão para a proximidade nas sondagens não é a queda do S (lidera com 27%), mas o ressurgimento dos Liberais, que fazem parte da coligação governamental.
Durante meses, estiveram abaixo da barreira dos 4% necessária para entrar no parlamento, mas nas últimas sondagens estão acima, o que melhora as contas da direita. “As eleições ainda não estão decididas. Vai ser uma disputa renhida”, avisou Andersson.
A campanha centrou-se em temas familiares para os eleitores suecos: o aumento da criminalidade associada a gangues, a imigração e a integração dessas comunidades, a economia e o custo de vida, a energia e a segurança europeia.
Andersson procurou apresentar-se como uma líder experiente, combinando a defesa do Estado social com posições mais duras do que as tradicionais da social-democracia sueca em relação a criminalidade e imigração.
Mas os adversários recordam que o crescimento da violência associada aos gangues ocorreu durante os anos em que os sociais-democratas estiveram no poder e acusam o partido de não ter reagido suficientemente cedo aos desafios da integração.
“Tínhamos um dos sistemas de asilo mais generosos da Europa, e isso foi um erro”, admitiu Andersson, lembrando que os sociais-democratas são agora “muito mais rigorosos em matéria de imigração e criminalidade do que eram anteriormente”.


