O programa espacial chinês sofreu um revés esta segunda-feira (10 de agosto) com a perda catastrófica de um foguetão Longa Marcha 7A, que explodiu em pleno voo pouco mais de um minuto após a descolagem a partir do Centro de Lançamento Espacial de Wenchang, na ilha de Hainan. A bordo seguiria um satélite de telecomunicações militares, ainda que a carga a bordo fosse classificada, que se destruiu totalmente no incidente.O lançamento decorria dentro da normalidade até o veículo atingir a zona de máxima pressão aerodinâmica (Max Q), altura em que se registou um forte clarão no céu noturno, seguido do desmantelamento da estrutura do lançador. Este foi o primeiro insucesso do modelo Longa Marcha 7A desde a sua estreia em março de 2020, interrompendo uma sequência de missões bem-sucedidas.O foco da investigação inicial centra-se no desempenho dos motores YF-100 do primeiro estágio, que utilizam uma mistura de querosene e oxigénio líquido. Trata-se de uma componente crítica para a frota espacial do país, uma vez que o mesmo tipo de motor equipa outras famílias essenciais de veículos, como os Longa Marcha 5, 6 e 8.A eventual necessidade de paralisar a frota para auditorias técnicas pode gerar um efeito de contágio no calendário de missões prioritárias de Pequim. O impacto mais imediato poderá incidir sobre a missão robótica Chang'e 7, desenhada para explorar o polo sul da Lua e com lançamento previsto para as próximas semanas a bordo de um Longa Marcha 5, cuja janela de voo fica agora dependente do apuramento das causas do acidente.