Flávio Bolsonaro é investigado pela polícia brasileira por corrupção, lavagem de dinheiro e outros crimes
Flávio Bolsonaro, candidato à presidência da República do Brasil nas eleições de 4 de outubro, é investigado pela Polícia Federal brasileira (PF) para apurar a possível prática de crimes relacionados ao financiamento da produção do filme Dark Horse, sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro, pai do candidato.
O processo foi autorizado em julho pelo juiz André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), após pedido da PF mas a informação de que Flávio consta na lista de investigados só foi conhecida nesta sexta-feira, dia 11, após o relator do caso levantar o sigilo a pedido de Edson Fachin, presidente do STF.
Segundo a decisão, a PF investiga suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e outros possíveis crimes que teriam sido praticados por Flávio Bolsonaro no contexto do financiamento do filme por Daniel Vorcaro, o banqueiro dono do extinto Banco Master e preso desde março.
O financiamento do filme de Bolsonaro é investigado em dois inquéritos: no primeiro, sob condução de André Mendonça, apura as transferências feitas por Vorcaro – em que circunstâncias foram feitas, qual a origem do dinheiro, qual o montante exato e qual o destino final. Investigadores suspeitam que parte dos recursos não tenha sido usada no filme e sim para financiar despesas de Eduardo Bolsonaro, ex-deputado e irmão de Flávio, nos EUA.
O segundo inquérito, sob condução do ministro Flávio Dino, investiga se a produtora do filme, a Go Up Entertainment, usou emendas parlamentares – recursos públicos à disposição dos congressistas – para pagar a produção. A PF fez uma operação quinta-feira, dia 10, com buscas ao deputado Mário Frias, ex-ator e ex-secretário da Cultura de Bolsonaro, entre outros alvos.
O caso entrou de rompante no noticiário depois de o site The Intercept Brasil revelar conversas entre Flávio e Vorcaro, nas quais o candidato solicita dinheiro para financiar a produção. Vorcaro chegou a pagar cerca de dez milhões de euros aos produtores do filme, via fundo nos EUA, num total de mais de 20 milhões de euros pedidos pelo rival de Lula da Silva nas eleições.

