O líder dos conservadores espanhóis Alberto Núñez Feijóo anunciou que, uma vez no poder, irá replicar a recente decisão tomada na região de Madrid e reconhecer o embrião como um membro da unidade familiar. Uma medida criticada à esquerda no mesmo dia em que duas sondagens publicadas sobre as intenções de voto confirmam a tendência de queda dos dois partidos do governo e a liderança do Partido Popular, embora numa delas o PSOE recupere três décimas.“Quando uma mulher está à espera de um filho isso já devia refletir-se nas ajudas e nos subsídios do setor público. Fiz isso em 2011 na Galiza, a presidente da comunidade de Madrid já o reiterou, e se tiver responsabilidades de governo farei uma lei nacional para que o concebido e não nascido tenha repercussão do ponto de vista económico e social na mulher, na família que o está a esperar”, disse Feijóo numa entrevista à Antena 3 espanhola. Mais tarde, o porta-voz do PP Borja Sémper disse que o anúncio do seu líder inscreve-se numa futura lei de apoio às famílias, para que ter filhos “deixe de ser heroísmo”. Em Madrid, a medida aprovada pela assembleia regional, na semana passada, com o voto favorável do Vox (extrema-direita) distingue-se da iniciativa em vigor na Galiza porque não está limitada a famílias numerosas. Qualquer mulher que comprove a gravidez pode começar a obter benefícios a partir da 14.ª semana de gestação. Entre estes, o apoio ao arrendamento jovem, bolsas para jardins de infância privados, ou o passe de transportes públicos. Junta-se a outras medidas já em vigor como os apoios de 500 euros por filho a partir da 21.ª semana de gestação para mulheres com menos de 30 anos e há cinco anos registadas na região. O objetivo da política é duplo: é um incentivo à natalidade e também um alargamento da proteção do embrião. Isabel Díaz Ayuso, a presidente da região de Madrid, disse no mês passado: “Cada vida importa desde o primeiro suspiro e por isso estamos a legislar para o não nascido.” A intenção, já anunciada em 2019 pela própria, mas só agora concretizada, com uma correlação de forças políticas favorável, inspira-se no movimento antiaborto dos Estados Unidos, onde cerca de metade dos estados aprovaram medidas que reconhecem a personalidade jurídica do feto. Em consequência, alguns desses estados limitam ou proíbem o aborto e até a contraceção.O porta-voz do Vox Antonio Fúster disse concordar com o “espírito” da proposta de Feijóo, mas que, quando o partido de Santiago Abascal chegar ao poder, a lei será modificada e melhorada, mas sem explicitar como. Já os socialistas responderam ao líder do PP pela voz do ministro dos Direitos Sociais, Pablo Bustinduy. Este perguntou aos conservadores “o que acontece aos direitos dos concebidos já nascidos”, ao pedir o seu apoio para a aprovação parlamentar de políticas de apoio às crianças e respetivas famílias no próximo orçamento. Mais contundente mostrou-se o porta-voz do Podemos. Pablo Fernández disse que, a concretizar-se a proposta de Feijóo em lei, a interrupção da gravidez poderia passar a ser crime. “Não vamos permitir que se proíba o direito ao aborto, por mais que o digam Ayuso, Feijóo ou a estrela da manhã.”Esta proposta acontece quando o bloco da direita e extrema-direita nacional — PP e Vox — alcança 49,1% (segundo sondagem 40 db para o El País) ou 52,3% (na sondagem NC Report para o La Razón). No primeiro estudo de opinião, o PSOE, apesar das investigações e dos julgamentos à volta de Pedro Sánchez, encurta 0,7 pontos percentuais a distância ao PP, agora em 4%. Já o Vox, apesar de terceiro destacado, está em perda há quatro meses..Feijóo e Sánchez fazem contas ao futuro após desaire na Andaluzia