O Kremlin disse esta segunda-feira (6 de abril) que é “altamente provável” que se encontrem “indícios” de que a Ucrânia colocou explosivos junto a um gasoduto na Sérvia que transporta gás russo para a Hungria. Os explosivos foram detetados no domingo (5 de abril) tendo o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, denunciado uma tentativa de sabotagem a uma semana das eleições, lembrando que “a Ucrânia está há anos a tentar cortar a Europa da energia russa”. Kiev rejeita qualquer ligação a este caso, falando numa “operação de falsa bandeira da Rússia como parte da forte interferência de Moscovo nas eleições húngaras”. O presidente sérvio, Aleksandar Vucic, anunciou no domingo (5 de abril) que as autoridades tinham encontrado “dois grandes pacotes de explosivos com detonadores” dentro de mochilas em Kanjiza, no norte do país, “a algumas centenas de metros do gasoduto”. O Balkan Stream é uma extensão do TurkStream e transporta gás russo para a Sérvia e Hungria, tendo Budapeste reforçado a segurança do seu lado com proteção militar. A uma semana das eleições, em que o seu partido surge atrás nas sondagens, Orbán denunciou a tentativa de sabotagem, ficando aquém de acusar diretamente Kiev (mas sugerindo que a culpa será da Ucrânia). Também tem acusado os ucranianos de atrasar propositadamente as reparações ao oleoduto de Druzhba, danificado num ataque russo.O líder da oposição e favorito nas eleições, Peter Magyar, lançou dúvidas sobre o incidente, alegando que parece ter sido criado para favorecer Orbán. “Várias pessoas indicaram publicamente que algo iria acontecer ‘acidentalmente’ no gasoduto na Sérvia na Páscoa, uma semana antes das eleições húngaras. E foi exatamente o que aconteceu”, disse, denunciando uma tentativa de “gerar pânico” orquestrada pelos “conselheiros russos” de Orbán. O primeiro-ministro diz que em causa está a segurança energética da Hungria e que não é hora para fazer “teatro político”. .Orbán avisa que Hungria vive período muito crítico após tentativa de sabotagem de gasoduto.Moscovo apresenta a mesma versão do líder húngaro. “A situação é potencialmente muito perigosa. Esta é uma artéria energética vital, que opera atualmente sob extrema pressão. E antes disso, como sabemos, o regime de Kiev esteve diretamente envolvido em tais atos de sabotagem contra infraestruturas energéticas críticas”, disse o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, sugerindo ser “altamente provável” que também desta vez surjam provas do envolvimento de Kiev. .Ucrânia nega ligação a explosivos encontrados perto de gasoduto na Sérvia