Exclusivo "Existe na cultura política chinesa um sentimento de superioridade civilizacional"

Especialista da Ásia do Instituto Montaigne em Paris e autor de livros como La Rennaisance de l"Asie ou o recente La Chine à Nos Portes - Une Stratégie pour l"Europe, o académico francês François Godement é um dos oradores nesta quinta-feira da conferência UE-Ásia : Desafios e Futuro, uma iniciativa da Gulbenkian, que pode ser seguida no Facebook e no YouTube.

Para compreender a atual vontade de poder da China é preciso revisitar o chamado século das humilhações, o século que se seguiu à derrota na Guerra do Ópio?
Penso que a resposta curta é sim, porque um dos motores do sentimento nacionalista é a reação à humilhação sofrida a partir do século XIX. Mais abrangentemente, penso que na cultura política chinesa há um sentimento de superioridade intelectual, de superioridade civilizacional. E isto apesar de, em vários períodos, a China ter chegado a ser governada por dinastias estrangeiras, como a dos mongóis e a dos manchus, e ter sido semicolonizada a partir do século XIX. Mas a vontade de poder da China não passa pela conquista, como, numa comparação histórica, fizeram os portugueses e os espanhóis e depois nós os franceses e também os ingleses a partir da época das grandes descobertas. A vontade de poder da China é virada para ela mesma.

Qual é o papel do presidente Xi Jinping na atual visão geopolítica?
Tem uma influência enorme, porque Xi Jinping, depois de presidentes anteriores reformistas muito influenciados pelos modelos estrangeiros, pelo menos a nível económico e tecnológico, surge como um conservador, alguém que reteve da sua juventude a ideia de uma China profunda, ligada à terra, e que, se não deixa de olhar para o estrangeiro em termos geopolíticos, é na China que se centra o seu pensamento.

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