Petro (esquerda) saiu do cargo em agosto, sendo sucedido pelo político de extrema-direita, Abelardo de la Espriella
Petro (esquerda) saiu do cargo em agosto, sendo sucedido pelo político de extrema-direita, Abelardo de la EspriellaFOTO: RICARDO STUCKER/Palácio do Planalto

Ex-presidente colombiano propõe rede mundial de "ativismo digital" de apoio a Lula no Brasil

Gustavo Petro defende que sejam seres humanos a derrotar os bots, que diz serem usados pela extrema-direita, representada na segunda-volta das eleições brasileiras por Flávio Bolsonaro.
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O ex-presidente colombiano, Gustavo Petro, propôs este sábado (11 de outubro), na Cidade do México, a construção de um "ativismo digital unido" face à alegada utilização de inteligência artificial (IA) e bots para manipular eleições na América Latina, particularmente no Brasil.

A ideia central para essa passaria pela mobilização de milhares de pessoas em todo o mundo, que publicassem mensagens diárias favoráveis a Luiz Inácio Lusa da Silva, em contrapeso ao poder dos 'bots', que têm a capacidade, cada um, de gerar diariamente mais 5000 publicações nas redes sociais de apoio direto e indireto do candidato da extrema-direita, Flávio Bolsonaro.

Petro, que falava na palestra "A Colômbia perante o abismo", na Feira do Livro do Zócalo, na capital mexicana, acusou a alegada manipulação eleitoral através da IA em países como a Colômbia, Equador e Peru, por meio de bots ou perfis falsos utilizados para manipular os eleitores.

Nesse sentido, apelou a que se "derrotassem" esses bots nas eleições do Brasil "com seres humanos a substituir essa capacidade comunicacional", e que "o eleitorado possa compreender o que é virtualidade e o que é realidade".

Segundo Petro, se cada indivíduo distinguir essa diferença, "o progressismo vence, porque destruímos realmente os donos mais poderosos do capital, que são os donos dessa virtualidade".

"Essa é uma estratégia, uma tática, diria eu", salientou o ex-presidente colombiano.

Petro apelou à construção de um "ativismo digital unido" entre os movimentos progressistas de diferentes países, que "seja capaz de superar a imensa quantidade de dólares e euros que os detentores do capital investem para manipular a consciência humana, individual e coletiva".

"Como é que percebemos que as eleições no Brasil não são as eleições de outro país?", questionou.

Perante isso, propôs que milhares de pessoas publicassem diariamente mensagens em português a partir de diferentes partes do mundo, incluindo cidades como Los Angeles, Miami e Madrid, para contrariar a atividade dos bots que, segundo afirmou, podem gerar até 5.000 mensagens por dia cada um.

O objetivo seria chegar diretamente ao eleitorado brasileiro, inclusive mostrando o Presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, para que os eleitores "percebam que o Lula não é mau", explicou.

O alerta de Petro coincide com as eleições presidenciais no Brasil, cujo primeiro turno se realizou a 4 de outubro, e o segundo turno está previsto para o próximo dia 25.

Lula procura a reeleição contra o senador de extrema-direita Flávio Bolsonaro, num clima de forte polarização.

O apelo surge ainda num contexto de maior controlo sobre a desinformação nas eleições brasileiras. A justiça eleitoral e as plataformas reforçaram medidas para travar o uso de IA, "deepfakes" e interferências nas eleições.

A visita de Petro ao México ocorre num contexto de mudanças políticas na região, onde diversas forças progressistas e conservadoras disputam o poder.

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