O ex-magnata pró-democracia de Hong Kong Jimmy Lai ganhou o recurso contra uma condenação por fraude de 2022, poucos dias após ser condenado a 20 anos de prisão por conluio com o exterior e publicação sediciosa."Validamos os recursos, anulamos os veredictos e suspendemos as penas" no processo por fraude, declarou o juiz do Tribunal Superior de Hong Kong Jeremy Poon.A decisão representa uma vitória surpreendente para Lai, fundador do extinto jornal Apple Daily, atualmente com 78 anos, que não compareceu em tribunal, permanecendo detido.O caso de fraude pelo qual foi condenado em 2022 teve origem numa disputa sobre um contrato de arrendamento e não estava relacionado com as acusações que enfrentava ao abrigo da lei de segurança nacional. Jimmy Lai tinha sido condenado neste caso a cinco anos e nove meses de prisão por um esquema "planeado, organizado e de vários anos", como qualificou na altura o juiz de primeira instância.Durante o julgamento, a acusação argumentou que uma empresa de consultoria operada por Lai a título pessoal ocupava escritórios que o Apple Daily tinha arrendado para as operações de publicação e impressão do jornal. Lai foi condenado por violar os termos do contrato de arrendamento que o Apple Daily assinou com uma empresa estatal, o que a acusação caracterizou como fraude.Os advogados de defesa argumentaram que o caso deveria ter sido tratado na esfera cível e não na criminal, acrescentando que a dimensão dos locais em causa era mínima.O ex-executivo do Apple Daily Wong Wai-keung foi também acusado no mesmo caso e condenado a 21 meses de prisão.Em 10 de fevereiro, um tribunal de Hong Kong condenou Jimmy Lai a 20 anos de prisão por conluio com o estrangeiro e publicação sediciosa.A sentença, proferida apesar da pressão externa, é a mais severa ao abrigo da lei de segurança nacional imposta pela China em 2020, após os protestos pró-democracia, por vezes violentos, que abalaram Hong Kong no ano anterior. .Magnata da imprensa pró-democracia de Hong Kong sentenciado com 20 anos de prisão