Europa em emergência: UE reúne-se para decidir resposta às ameaças de Trump
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Europa em emergência: UE reúne-se para decidir resposta às ameaças de Trump

Reunião extraordinária em Bruxelas este domingo visa traçar estratégia contra tarifas alfandegárias por causa da Gronelândia. MNE dinamarquês já se disse "surpreendido" por decisão de Washington.
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Os embaixadores dos Estados-Membros da União Europeia (Coreper II) foram convocados para uma reunião de urgência este domingo (18 de janeiro), às 17h00 (menos uma hora em Lisboa), em formato restrito, para discutir o futuro das relações com os Estados Unidos.

O encontro de emergência surge em reação ao anúncio do presidente norte-americano, Donald Trump, da imposição de tarifas aduaneiras contra oito nações europeias, em retaliação à oposição à pretensão de Washington em controlar a Gronelândia.

A administração Trump confirmou a intenção de aplicar uma taxa de 10% já em fevereiro -- valor que escalará para os 25% em junho -- incidindo sobre mercadorias provenientes da Dinamarca, Suécia, França, Alemanha, Países Baixos, Finlândia, Noruega e Reino Unido.

A decisão apanhou as capitais europeias de surpresa, com o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Dinamarca -- país que mantém a administração da Gronelândia -- a ter-se mesmo declarado "surpreendido" com este anúncio. Copenhaga sublinhou a natureza inesperada desta medida, lançada perante um caso que, juridicamente, considera encerrado.

Numa declaração conjunta, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o presidente do Conselho Europeu, António Costa, alertaram para o risco de uma "espiral descendente perigosa". Os líderes europeus reafirmaram que a soberania territorial é um princípio inalienável do direito internacional, posição secundada pelo Presidente francês Emmanuel Macron, que classificou a atitude de Washington como "inaceitável", garantindo que a Europa não cederá a "intimidações".

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Gronelândia: Governo da Dinamarca diz-se "surpreendido" com ameaças de aumento de tarifas de Trump

Tensão militar no Ártico

A resposta europeia estendeu-se ao campo militar. Num gesto de solidariedade com a Dinamarca, vários países iniciaram manobras e o destacamento de pequenos contingentes para a Gronelândia.

França e Países Baixos já confirmaram o desembarque de forças especiais e equipas de reconhecimento em Nuuk e noutras localizações estratégicas da ilha, visando assegurar a integridade do território face às pretensões norte-americanas.

Mas ao contrário dos seus parceiros, Itália recusou formalmente participar nestas manobras militares. A primeira-ministra Giorgia Meloni tem procurado equilibrar a sua proximidade política com Trump com a defesa dos interesses do bloco europeu. Em declarações recentes, Meloni afastou o cenário de uma invasão militar, sublinhando que tal ação "não seria do interesse de ninguém" e teria repercussões catastróficas para a Aliança Atlântica.

A líder italiana defende que a solução para o impasse deve ser encontrada exclusivamente no seio da NATO. Meloni apelou a uma presença "séria e significativa" da Aliança no Ártico para responder às preocupações de segurança dos EUA, posicionando-se como uma potencial mediadora.

Esta visão é partilhada pelo seu Ministro da Defesa, Guido Crosetto, que criticou os pequenos destacamentos militares europeus na região, classificando-os como ineficazes e defendendo que qualquer movimento deve ser coordenado estritamente através das estruturas da NATO.

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