A França anunciou esta quarta-feira, 7 de janeiro, que está a trabalhar, em colaboração com vários aliados europeus, num plano de resposta caso os Estados Unidos concretizem a ameaça de invadir e anexar a Gronelândia, depois de a Casa Branca ter voltado a dizer estar a considerar “múltiplas alternativas”, incluindo a militar. “Queremos agir, mas queremos fazê-lo em conjunto com os nossos parceiros europeus”, avançou à rádio France Inter o ministro dos Negócios Estrangeiros francês, Jean-Noël Barrot, revelando que o tema seria discutido na reunião que tinha marcada para ontem com os seus homólogos alemão e polaco. Uma fonte de Berlim referiu que a Alemanha está a “trabalhar em estreita colaboração com outros países europeus e com a Dinamarca nos próximos passos em relação à Gronelândia”.Segundo a Reuters, Johannes Koskinen, presidente da Comissão dos Negócios Estrangeiros do parlamento finlandês, pediu que a questão fosse levantada na NATO, pois os aliados devem “discutir se algo precisa de ser feito e se os EUA devem ser postos na linha, no sentido em que não podem desconsiderar os planos acordados em conjunto para prosseguir as suas próprias ambições de poder”. Mesmo assim, o líder da diplomacia francesa continua a acreditar que uma intervenção militar norte-americana no território autónomo dinamarquês continua a ser uma “ficção política”. “Não faria absolutamente nenhum sentido um país da NATO atacar outro país da NATO. Seria completamente insensato e, acima de tudo, seria totalmente contrário aos interesses dos Estados Unidos”, acrescentou. Barrot revelou ainda ter falado ao telefone na terça-feira com o seu homólogo norte-americano, declarando que Marco Rubio lhe garantiu que “esta não era a opção escolhida pelos Estados Unidos” e “afastou a possibilidade de uma repetição do que aconteceu na Venezuela na Gronelândia”.À espera de falar com Rubio estão os líderes da diplomacia da Dinamarca e da Gronelândia, que pediram uma reunião urgente com o homólogo americano. “Gostaríamos de acrescentar algumas nuances à conversa”, disse o dinamarquês Lars Løkke Rasmussen. “A gritaria precisa de ser substituída por um diálogo mais sensato. Agora”. Rubio, que esteve esta quarta-feira a falar sobre a Venezuela e a Gronelândia no Congresso, confirmou que o encontro com os seus homólogos dinamarquês e gronelandesa será na próxima semana. Aos jornalistas recusou falar sobre a ilha do Ártico, mas, de acordo com o New York Times, o secretário de Estado norte-americano disse aos congressistas e senadores que Trump planeia comprar a Gronelândia em vez de a invadir, mas sem entrar em detalhes como esta seria feita. A Casa Branca tem uma versão diferente da que tem vindo a ser apresentada por Rubio, tendo afirmado na terça-feira à noite que Trump está a avaliar “múltiplas alternativas” para tomar posse da Gronelândia, incluindo por via militar. “[O presidente] deixou claro que a aquisição da Gronelândia é uma prioridade de segurança nacional para os EUA e é vital para manter sob controlo os nossos adversários na região do Ártico”, disse a porta-voz Karoline Leavitt.Já esta quarta-feira, Donald Trump - sem explicar o significado das suas palavras tendo em conta a sua ameaça de anexar o território de um país da NATO, a Dinamarca - usou a Truth Social para escrever sobre a Aliança. “A Rússia e a China não temem a NATO sem os EUA, e duvido que a NATO estivesse lá para nós se realmente precisássemos dela. Todos temos a sorte de eu ter reconstruído as nossas forças armadas no meu primeiro mandato e de continuar a fazê-lo. Estaremos sempre lá pela NATO, mesmo que ela não esteja lá por nós”, lamentou..Europa (e Canadá) responde às novas ameaças dos EUA afirmando que “a Gronelândia pertence ao seu povo”