Mais de metade dos europeus (58%) diz estar pessimista quanto ao futuro do mundo, ao mesmo tempo que se mostra otimista com o futuro da União Europeia (59%), de acordo com o dados do Eurobarómetro da Primavera do Parlamento Europeu, que são revelados esta quarta-feira, 1 de julho. O primeiro cenário representa um aumento de seis pontos em relação aos dados de novembro, o segundo uma subida de dois pontos, valores que se podem explicar pelo facto de esta sondagem ter sido feita entre abril e maio, ou seja, já depois do início da guerra entre os Estados Unidos e o Irão. A perspetiva dos portugueses neste capítulo não destoa muito da média europeia, com 55% a mostrarem-se pessimistas com o futuro do mundo (mais sete pontos em relação a novembro) e 65% a dizerem estar otimistas com o futuro do bloco comunitário (mais um ponto). Quanto ao futuro de Portugal, 60% dos cidadãos nacionais disseram estar otimistas (uma subida de dois pontos), sendo ainda de notar que este valor está acima dos 58% dos europeus que se mostraram otimistas quanto ao futuro do seu próprio país (mais um ponto em relação a novembro). Em termos emocionais, o sentimento dominante é de incerteza (44% entre os 27 e 49% em Portugal), seguido de esperança (43%/48%) e confiança, sendo que aqui Portugal surge com 43%, dez pontos acima do registado entre os cidadãos dos 27. O sentimento que colheu menos respostas foi a raiva - 15%/3%. Portugal está também acima da média europeia quando a pergunta é se a UE é um lugar de estabilidade num mundo conturbado, aliás é o país do bloco com a percentagem mais alta - 94% dos portugueses dizem que sim (mais cinco pontos) e apenas 5% não concordam (menos dois pontos), enquanto a média europeia é de 75% a concordarem - um máximo histórico, representando uma subida de oito pontos - e 22% a discordarem (menos oito pontos). Neste sentido, 68% (mais dois pontos em relação a novembro) dos europeus referem que no futuro o papel da UE a proteção dos seus cidadãos contra crises globais e riscos de segurança deve tornar-se mais importante (em Portugal este valor é de 90%, uma subida de 13 pontos), com apenas 19% a dizerem que deve manter-se igual (4% em Portugal) e 11% a defenderem que deve tornar-se menos importante (3% no nosso país). Para que a opinião da maioria neste capítulo seja cumprida 90% dos europeus (e 97% dos portugueses) acham que os 27 devem reforçar a sua união para enfrentar os desafios globais atuais, um valor igual (97% em Portugal) aos que acha, que a UE deve promover o respeito pelo direito internacional por parte de todos os países. Já 73% (92% no nosso país) acredita que a UE precisa de mais recursos para enfrentar esses desafios.Olhando ainda para o futuro, a defesa e segurança é a área que colheu mais preferências dos europeus (39%, menos um ponto em Portugal) entre aquelas que acreditam que a UE se deve focar para reforçar a sua posição no mundo, seguindo-se a independência energética (35%, menos dois pontos entre os portugueses) e a competitividade, economia e indústria (32%). Com 43%, esta última é a área que os portugueses acham que a UE mais deve apostar. O alargamento, o euro e a cultura estão no fundo da lista de apostas no futuro. De uma maneira geral, os europeus mostram-se satisfeitos com a sua qualidade de vida (83%) - aqui os portugueses mostram valores mais baixos (74%) - com cerca de metade (62%) a dizerem que esta melhorou no último ano (menos oito pontos em Portugal). Quanto à interpretação que dão à qualidade de vida, a saúde física e mental surge em primeiro (51% entre os europeus e 61% em Portugal), seguindo-se a situação financeira e a capacidade de fazer face às despesas do dia a dia (49%/48%) e a qualidade e acesso à saúde (46%/50%). Olhando para os próximos cinco anos, 50% dos europeus acha que o seu nível de vida não se vai alterar (39% em Portugal) - em novembro estes valores eram superiores - e 29% (em novembro eram 28%) a acreditar que irá diminuir (39% no nosso país, o segundo mais alto da UE a seguir aos 44% da França apesar de uma descida de oito pontos). Apenas 18% (14% entre os portugueses) diz que irá aumentar, uma ligeira subida em relação a novembro. Quando os europeus analisam a imagem que têm da União Europeia, metade dizem que esta é positiva (67% em Portugal), 33% referem ter uma opinião neutra (26% no nosso país) e 17% optam por uma avaliação negativa (16% entre os portugueses. De notar ainda que no aspeto da nota positiva, esta subiu um ponto em relação ao barómetro anterior entre os europeus, mas desceu dois entre os portugueses. Uma descida que não impede 90% cidadãos do nosso país de considerarem que Portugal beneficia em ser membro do bloco (apenas 7% dizem que não), números distantes dos 74% dos europeus que acham que o seu país tirou proveito em aderir à UE e dos 21% que dizem o contrário. Quanto às razões que levam a que os europeus a acharem que o seu país beneficia por ser um dos 27, as opções mais votadas são as de que o bloco contribui para manter a paz e reforçar a segurança (40%, mais três pontos), melhora a cooperação entre o seu país e os restantes membros (34%, menos dois pontos) e o facto de contribuir para o crescimento económico do seu país (28%, menos um ponto). Para os portugueses, que estão a celebrar os 40 anos de adesão ao bloco, a principal razão é o facto de a UE dar ao nosso país uma voz mais forte no mundo (43%, menos dois pontos), seguindo-se a contribuição para o crescimento económico do país (40%, mais dois pontos), e trazer novas oportunidades de trabalho para os nossos cidadãos (31%, menos três pontos). .Eurobarómetro diz que portugueses são os cidadãos da UE mais preocupados com as catástrofes naturais.Eurobarómetro: Portugueses querem UE mais focada na competitividade e no combate à pobreza.Eurobarómetro. 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