EUA passam a designar Hezbollah representante do Irão
O governo dos Estados Unidos anunciou que vai passar a designar o Hezbollah como representante libanês da Guarda Revolucionária do Irão, avançando com novas sanções a uma rede de financiamento do movimento xiita.
O Departamento do Tesouro norte-americano emendou, segundo um comunicado divulgado esta quinta-feira, o texto jurídico que qualificava o Hezbollah como "organização terrorista" passando a designar o movimento como "ao serviço do regime iraniano sob o comando da Força Qods do Corpo dos Guardas da Revolução Islâmica".
"Esta nova classificação especifica que o Hezbollah é um representante do Irão, e não uma entidade autónoma", que age "quase sem considerar a soberania libanesa, o povo libanês ou o Estado libanês", declarou por sua vez um responsável do Departamento de Estado, sob anonimato.
Washington designou o Hezbollah como "organização terrorista estrangeira" em 1997, e depois classificou o movimento como "organização terrorista especialmente designada" em 2001.
A alteração ocorre enquanto os Estados Unidos patrocinam negociações diretas entre Israel e o Líbano, ainda tecnicamente em estado de guerra, rejeitadas pelo Hezbollah.
O Líbano foi arrastado no início de março para o conflito entre o Irão, por um lado, e Israel e os Estados Unidos, por outro, quando o Hezbollah atacou o território israelita em apoio a Teerão.
Israel retaliou com intensos bombardeamentos no Líbano e enviou tropas para este país, causando mais de 4.300 mortes, segundo Beirute.
A decisão norte-americana anunciada esta quinta-feira "baseia-se em anos de designações que repetidamente evidenciaram a integração operacional, financeira e logística entre o Hezbollah e a Força Qods", acrescentou o responsável do Departamento de Estado citado pela AFP, destacando que o movimento libanês "funciona como uma extensão da Força Qods".
"Não se trata de um movimento de resistência libanês", sublinhou.
As sanções anunciadas também esta quinta-feira visam 10 pessoas que fazem parte de uma rede responsável por transferências de fundos para o Hezbollah, já sancionado várias vezes pelos Estados Unidos, segundo o Tesouro norte-americano.
Esta rede usa "cobradores a viajar em voos comerciais entre o Líbano, a Turquia, os Emirados Árabes Unidos e o Irão" para transferir centenas de milhões de dólares, permitindo ao Hezbollah "contornar as sanções" em vigor, acrescentou a mesma fonte.

