EUA: Ormuz recuperou o fluxo de Brent pré-guerra. Acabou a chantagem de Teerão
Seis meses após a escalada militar com o Irão, o tráfego de crude através do Estreito de Ormuz recuperou a normalidade e atingiu o valor mais alto desde o final de fevereiro, com mais de 17 milhões de barris transportados num único dia. Para a administração norte-americana, os números marcam uma viragem estratégica no Médio Oriente: o regime de Teerão "está a perder a capacidade de manter a economia global refém" do estrangulamento das rotas marítimas do Golfo Pérsico.
A garantia foi deixada pelo secretário norte-americano da Energia, Chris Wright, em entrevista à CNBC. O governante sublinhou que a segurança energética internacional foi blindada não apenas pelo regresso em massa dos petroleiros ao estreito, mas também pela ativação de rotas terrestres alternativas: somando o petróleo que a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos desviam por oleodutos para contornar a passagem marítima, as exportações da região superaram mesmo os níveis anteriores à eclosão do conflito.
"Com ou sem o Irão, o petróleo e o gás continuarão a fluir da região do Golfo Pérsico, e isso está a acontecer", rematou o responsável norte-americano, afastando o cenário de disrupção dos mercados internacionais.
Antes do início dos ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão, a 28 de fevereiro, aproximadamente 20 milhões de barris de petróleo bruto e outros produtos petrolíferos passavam diariamente pelo estreito de Ormuz.
Os números avançados por Wright são superiores às estimativas das empresas independentes que monitorizam o tráfego marítimo através do estreito, mas o ministro de Donald Trump afirmou que Washington possui "os melhores dados disponíveis" e que estas empresas podem não estar a contabilizar embarcações que navegam "secretamente" pelo estreito.
Os números, acrescentou, mostram que "o Irão está a perder a sua capacidade de interromper o tráfego marítimo" e que, embora continue a causar "algumas interrupções", o regime de Teerão "está a perder essa vantagem".
Os Estados Unidos estabeleceram um corredor marítimo ao longo da costa de Omã, do lado oposto ao Irão no estreito, para facilitar a passagem dos petroleiros dos seus aliados do Golfo, que por vezes navegam durante a noite.
No entanto, o Irão tem atacado esporadicamente os navios que utilizam esta rota e exige que as embarcações comerciais utilizem um corredor localizado junto às suas águas.
Entretanto, o preço do crude norte-americano WTI, que fechou ontem acima dos 90 dólares por barril, depois de os Estados Unidos terem bombardeado o Irão pela segunda vez numa semana, cotava nos 89,68 dólares por barril esta manhã.
Washington e Teerão retomaram os ataques depois de quase um mês sem hostilidades e na sequência do anúncio da administração Trump de uma campanha de pressão económica contra a República Islâmica.

