EUA dizem que enviados estão a caminho de Doha para negociar. Irão nega reuniões marcadas para esta semana
FOTO: EPA/ABEDIN TAHERKENAREH

EUA dizem que enviados estão a caminho de Doha para negociar. Irão nega reuniões marcadas para esta semana

Responsável dos EUA disse que ambas as partes cessavam ataques e que “os navios podiam circular livremente” em Ormuz. Trump anunciou que Irão solicitou uma reunião, agendada para esta terça-feira em Doha. Antes, Teerão negou reuniões com os norte-americanos marcadas para esta semana.
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A Casa Branca reiterou esta segunda-feira, 29 de junho, que os enviados especiais de Washington às negociações de paz com o Irão estão a caminho de Doha para conversações, apesar de Teerão ter garantido que não há encontro previsto.

“Os enviados especiais [Steve] Witkoff e Jared Kushner vão viajar para Doha para realizar reuniões de alto nível, enquanto continuamos a discutir o memorando de entendimento”, avançou a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, à televisão Fox News.

Esta informação surge depois de, o portal de notícias norte-americano Axios, Teerão e Washington terem aceitado suspender temporariamente qualquer ataque e há planos para se reunirem no Qatar, na terça-feira (30), para tentar resolver os diferendos em torno do estreito de Ormuz.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, informou, na Truth Social, que foi o "Irão a solicitar uma reunião" para esta terça-feira em Doha. No entanto, Teerão já tinha negado a existência de reuniões com os EUA marcadas para esta semana.

“Decidimos parar todas as atividades [militares]”, informou o Axios, citando um responsável norte-americano que não foi identificado.

Um segundo responsável dos Estados Unidos assegurou ao mesmo jornal online que ambas as partes cessavam os ataques “por enquanto” e que “os navios podiam circular livremente” no estreito, enquanto prosseguem as negociações para uma solução duradoura para o conflito.

Estes dois responsáveis e uma terceira fonte confirmaram que iranianos e norte-americanos se encontrariam na terça-feira no Qatar.

A emissora CNN relatou declarações semelhantes de um responsável da Administração do presidente Donald Trump, mas a Casa Branca não reagiu de imediato.

Apesar do acordo assinado a 17 de junho, os dois países trocaram ataques nos últimos dias, acusando-se mutuamente de violar o cessar-fogo, com o controlo de Ormuz no centro das tensões.

Teerão nega reuniões marcadas com EUA para esta semana

Foi o Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano que disse não haver reuniões previstas entre Irão e Estados Unidos para esta semana no Qatar.

“Não há nenhuma reunião técnica dos grupos de trabalho planeada para esta semana”, afirmou o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Kazem Gharibabadi, segundo a televisão estatal, classificando as notícias como incorretas.

Segundo o acordo, que engloba a suspensão temporária de ataques, o Irão compromete-se a permitir a passagem segura de navios comerciais no estreito de Ormuz, enquanto os Estados Unidos aceitam levantar o bloqueio aos portos iranianos.

Na noite de sábado, o presidente norte-americano retomou ameaças, afirmando que o Irão “deixaria de existir” se os Estados Unidos decidissem retomar a guerra.

O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, avisou no domingo os Estados Unidos de que Teerão tem controlo absoluto sobre o estreito de Ormuz nos próximos 30 dias de negociações e exigiu que os EUA pressionem Israel a retirar-se do Líbano.

Araghchi fez as declarações no meio de novos confrontos com os EUA e após um acordo entre o Líbano e Israel que foi rejeitado pelo Hezbollah, partido paramilitar libanês e aliado estratégico de Teerão, que acredita que o acordo contraria o documento assinado pelo Irão e pelos EUA.

O primeiro ponto do documento não só exige a suspensão dos bombardeamentos israelitas, como obriga as partes a encontrarem uma solução para a retirada de Israel do país.

O acordo assinado na sexta-feira entre o Líbano e Israel, no entanto, apenas menciona uma “retirada gradual” condicionada à verificação do desarmamento do Hezbollah, algo que o grupo armado não tem intenção de fazer, entendendo ser uma manobra israelita para deixar o país indefeso.

Nos últimos dias a tensão entre o Irão e os EUA voltou a aumentar após uma agressão iraniana a um navio com bandeira de Singapura que navegava pelo estreito de Ormuz.

Washington descreveu este incidente como uma violação do acordo estabelecido entre os EUA e os iranianos, lançando posteriormente ataques aéreos de retaliação contra o Irão.

Teerão, por sua vez, denunciou uma violação do cessar-fogo e respondeu com ataques contra bases e infraestruturas controladas pelos norte-americanos no Médio Oriente.

O Irão e Omã tiveram uma reunião sobre o estreito de Ormuz, por onde passava, antes da guerra, um quinto dos navios que transportavam petróleo para todo o mundo.

 Nos últimos meses, as autoridades iranianas têm insistido que o estreito deve ser gerido conjuntamente por Teerão e Mascate, os dois Estados costeiros da zona.

Washington e outros países já apelaram para o regresso ao estatuto anterior ao conflito, referindo-se à ausência de portagens.

O memorando de entendimento assinado entre Teerão e Washington para pôr fim à guerra estipula que “a República Islâmica do Irão dialogará com o sultanato de Omã para definir a futura administração e os serviços marítimos no Estreito de Ormuz, em consulta com os outros Estados que fazem fronteira com o golfo pérsico, em conformidade com o direito internacional aplicável e os direitos soberanos dos Estados costeiros do estreito de Ormuz”.

O texto prevê que a passagem de Ormuz seja gratuita “apenas durante 60 dias”, não estando ainda definido o que acontecerá após esse período.

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