"Ninguém deve ser morto a tiro por participar num protesto. Ninguém deveria ter de pôr a sua vida em risco apenas para expressar as suas opiniões. As forças de segurança israelitas têm de fazer algumas mudanças fundamentais na forma como operam na Cisjordânia, incluindo mudanças nas suas regras de atuação. Tem de mudar e nós vamos deixar isso bem claro aos altos responsáveis do governo israelita” Foi desta forma que o maior aliado de Israel -- os EUA -- reagiu à morte de Aysenur Eygi, de 26 anos, pela voz do secretário de Estado Antony Blinken. A ativista de nacionalidade norte-americana e turca, voluntária de um grupo pró-palestiniano, encontrava-se em Beita numa manifestação contra a expansão dos colonatos quando foi morta com um tiro na cabeça. Segundo testemunhas, Eygi e outros ativistas tinham saído da rua e encontravam-se num olival depois de habitantes e forças israelitas se envolverem numa troca de pedras e tiros. Para Blinken, a investigação israelita “parece mostrar o que as testemunhas oculares disseram e deixaram claro, que o seu homicídio não foi provocado nem justificado”. Não há, todavia, qualquer sinal de que Washington vá diminuir o apoio a Israel. Joe Biden e o seu governo têm mantido uma relação tensa com o líder israelita Benjamin Netanyahu. O presidente dos EUA divergiu publicamente sobre a forma como Telavive tem lidado com as negociações para reaver os sequestrados pelo Hamas ou pela forma como a ajuda humanitária à Faixa de Gaza diminuiu. Em maio, a transferência de bombas de 225 e de 900 quilos foi suspensa para que estas não fossem usadas em áreas densamente povoadas do enclave (as primeiras acabaram por voltar a ser enviadas a partir de julho). Já candidata às presidenciais, a vice-presidente Kamala Harris criticou o “devastador” conflito em Gaza e disse que não ficaria em silêncio. Também a UE, através do chefe da diplomacia Josep Borrell, teceu críticas à política israelita na Cisjordânia. O catalão disse que Israel está a abrir uma nova frente de conflito para “transformar a Cisjordânia numa nova Gaza, com aumento de violência, deslegitimando a Autoridade Palestiniana e fomentando provocações para reagir com força”.