O presidente americano, Donald Trump.
O presidente americano, Donald Trump.EPA/FRANCIS CHUNG / POOL

"Eu não garanti que não haveria guerra". Trump recusa que conflito com Irão quebre promessa eleitoral

Numa entrevista tensa à NBC, o presidente dos EUA desvalorizou as críticas à sua política externa e classificou a intervenção contra Teerão como um "serviço ao mundo". E abandonou o programa.
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O presidente dos EUA, Donald Trump, rejeitou categoricamente a ideia de que o recente desencadear das hostilidades militares com o Irão represente uma traição à sua repetida promessa de campanha de "não iniciar novas guerras". Numa entrevista transmitida este domingo (7 de junho) no programa Meet the Press, da estação NBC, o chefe de Estado norte-americano afirmou que, enquanto candidato, "não prometeu nada" que impedisse uma ação defensiva imediata.

"Bem, bem. Em primeiro lugar, eu não garanti que não haveria guerra", declarou Trump à moderadora Kristen Welker, na entrevista gravada na passada sexta-feira no estado do Wisconsin. "Porque é que eu teria construído as forças armadas mais fortes do mundo?", questionou retoricamente.

O cerne da contestação à atual administração baseia-se na retórica isolacionista e pacífica que marcou a corrida à Casa Branca em 2024, onde os adversários democratas eram frequentemente rotulados como "belicistas". Contudo, face ao atual cenário internacional, Trump demarcou-se desse posicionamento ao justificar as operações em curso:

"Eu não gosto de guerras sem fim. Isto não é uma guerra sem fim. Estamos nisto há três meses", argumentou, referindo-se aos combates com o Irão que tiveram início a 28 de fevereiro deste ano.

O presidente insistiu que está a prestar "um serviço ao mundo e ao país" ao travar as ambições nucleares de Teerão — "Não se pode permitir que o Irão tenha uma arma nuclear, ou eles vão fazer-vos explodir", alertou —, embora tenha gerado alguma ambiguidade ao afirmar, noutro momento da entrevista, que os ataques aéreos norte-americanos do ano passado já tinham "obliterado" as instalações nucleares da República Islâmica.

Trump defendeu igualmente as operações norte-americanas na Venezuela, que culminaram na destituição de Nicolás Maduro, no início de janeiro deste ano. Para a Casa Branca, tanto o teatro de operações do Médio Oriente como o da América Latina constituem intervenções cirúrgicas e rápidas, que não encontram paralelo com os prolongados e desgastantes conflitos históricos dos EUA no Vietname ou no Iraque.

Tensão no estúdio e alegações de fraude eleitoral

A tensão da entrevista agravou-se quando a jornalista Kristen Welker começou a pressionar o presidente sobre as contradições da sua estratégia diplomática, nomeadamente a decisão tomada no seu primeiro mandato de abandonar o acordo nuclear assinado por Barack Obama sem ter conseguido negociar o "melhor entendimento" que prometera aos eleitores. Frustrado com as interrupções e o confronto direto da entrevistadora, Donald Trump terminou a entrevista de forma abrupta, abandonando o local de gravação.

Antes do encerramento forçado, o presidente aproveitou ainda os microfones da NBC para defender a legalidade de um fundo de compensação de 1,8 mil milhões de dólares — recentemente descartado — destinado a apoiar aliados políticos da administração e voltou a reiterar, sem apresentar provas, alegações de fraude massiva na contagem prolongada de votos nas eleições primárias da Califórnia, realizadas na passada terça-feira.

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