Nicolás Maduro deverá ser julgado nos Estados Unidos por acusações de terrorismo e tráfico de droga, afirmou este sábado, 3 de janeiro, a procuradora-geral norte-americana, Pam Bondi, depois de um ataque das forças norte-americanas nas quais capturaram o presidente venezuelano e a mulher.Numa declaração divulgada nas redes sociais, Pam Bondi indicou que Nicolás Maduro e a mulher, Cilia Flores, alegadamente retirados à força da Venezuela e detidos por forças norte-americanas, "enfrentarão em breve a Justiça americana em solo americano e em tribunais americanos".Mais tarde, Bondi tornou pública a acusação, que, segundo avança a Associated Press, imputa a Maduro a liderança de um “governo corrupto e ilegítimo que, durante décadas, utilizou o poder governamental para proteger e promover atividades ilegais, incluindo o tráfico de droga". A acusação alega ainda que os esforços de combate ao narcotráfico “enriqueceram e consolidaram a elite política e militar da Venezuela”.“Este ciclo de corrupção baseado no tráfico de droga enriquece os bolsos das autoridades venezuelanas e das suas famílias, ao mesmo tempo que beneficia os narcoterroristas violentos que operam impunemente em solo venezuelano e que ajudam a produzir, proteger e transportar toneladas de cocaína para os Estados Unidos”, diz a acusação.Segundo o documento, de 25 páginas, a acusação estende-se à mulher de Maduro, Cilia Flores, e ao filho mais velho, Nicolás Ernesto Maduro Guerra - referido como O Príncipe ou Nicolasito."Este tráfico de droga em larga escala também concentrou poder e riqueza às mãos da família de Maduro Moros, incluindo a sua mulher, a alegada primeira-dama da Venezuela, Cilia Adela Flores de Maduro, a arguida, e o filho de Maduro Moros, membro da Assembleia Nacional da Venezuela, Nicolas Ernesto Maduro Guerra, também conhecido por 'Nicolasito” ou 'O Príncipe', o réu", lê-se.As autoridades norte-americanas acusam Maduro de se ter associado a “alguns dos narcotraficantes e narcoterroristas mais violentos e prolíficos do mundo” para introduzir toneladas de cocaína nos EUA.As autoridades estimam que até 250 toneladas de cocaína tenham sido traficadas pela Venezuela até 2020, de acordo com a acusação. As drogas eram transportadas em lanchas rápidas, barcos de pesca e navios porta-contentores, ou por aviões a partir de pistas de aterragem clandestinas, alegam as autoridades.. Maduro tinha sido acusado formalmente por "narco-terrorismo" em 2020 num processo movido num tribunal de Nova Iorque, mas até agora desconhecia-se que a sua mulher também estava acusada.Nessa acusação, o Departamento de Justiça norte-americano alegava que Maduro tinha convertido a Venezuela num Estado criminoso ao serviço de traficantes de droga e grupos terroristas que tinham alegadamente roubado milhares de milhões de dólares do país.Os Estados Unidos ofereceram uma recompensa de 55 milhões de dólares por informações que levassem à captura de Maduro e de quatro outros responsáveis do regime.Os procuradores do tribunal de Nova Iorque acusaram Maduro e o seu 'número dois', Diosdado Cabelo, de conspirarem com rebeldes colombianos e militares para "inundar os Estados Unidos com cocaína" e usar o tráfico como "arma contra a América".Nicolás Maduro e a mulher estão a caminho de Nova Iorque a bordo de um navio de guerra, onde será julgado, segundo revelou Donald Trump, que também divulgou uma foto do presidente venezuelano detido.. O presidente dos Estados Unidos disse também ter assistido ao vivo à operação para capturar e retirar da Venezuela o seu homólogo. "Eu assisti, literalmente, como se estivesse a assistir a um programa de televisão", disse, em entrevista à Fox News, citado pela agência Associated Press (AP)."Assistimos numa sala e acompanhámos todos os detalhes", acrescentou.Donald Trump adiantou ainda, na entrevista telefónica, que Maduro foi capturado quando se encontrava "num local muito bem guardado, como uma fortaleza".O presidente norte-americano disse ainda que os Estados Unidos não deixarão nenhum membro do regime venezuelano suceder a Maduro.“Não podemos correr o risco de deixar alguma outra pessoa tomar o seu lugar e prosseguir o seu caminho”, afirmou nesta entrevista à Fox News.*Com agências