Na véspera de se assinalarem os três meses do ataque terrorista do Hamas, as atenções estiveram focadas na fronteira entre Israel e o Líbano, onde desde o primeiro momento se teme que as trocas de tiros praticamente diárias possam transformar-se numa guerra aberta entre os israelitas e o Hezbollah. O secretário de Estado norte-americano, Antony Blinken, e o chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell, estão no Médio Oriente e não poupam palavras para evitar que isso aconteça, mesmo que o foco principal das viagens seja a situação na Faixa de Gaza e o futuro do enclave..“Queremos garantir que os países estão a usar as suas relações com alguns dos atores que podem estar envolvidos, para manter o controlo, para garantir que não vemos o alargar do conflito”, disse Blinken na Grécia antes de seguir para a Jordânia. “Da perspetiva de Israel, claramente não está interessado, não quer uma escalada, mas também têm que estar totalmente preparados para se defenderem.”. Blinken já tinha estado na Turquia, onde reuniu com o presidente Recep Tayyip Erdogan, sendo que no seu itinerário, até quinta-feira, estão também o Qatar, os Emirados Árabes Unidos, a Arábia Saudita, Israel e a Cisjordânia ocupada e Egito. Em Telavive, deverá insistir na necessidade de proteger os civis em Gaza - o balanço de mortos dos ataques israelitas, segundo as autoridades controladas pelo Hamas, é de 22 700 pessoas..Já Borrell iniciou ontem uma visita ao próprio Líbano, reunindo com o primeiro-ministro, Najib Mikati, poucas horas depois de o Hezbollah ter lançado do mais de 60 rockets contra a base militar israelita de Meron. Uma “resposta preliminar” à morte do n.º 2 do Hamas, Saleh al Arouri, nos arredores de Beirute - o líder do Hezbollah, Hassan Nasrallah, já tinha avançado na sexta-feira “ser inevitável” dar uma resposta ao ataque israelita..Israel respondeu atacando dois complexos militares do grupo xiita libanês, tendo este anunciado a morte de cinco combatentes. Os dois lados não estão oficialmente em guerra, como em 2006, apesar de Nasrallah ter dito que as ações do seu grupo - que é também uma importante força política no Líbano - têm ajudado a distrair Israel, que de outra forma estaria 100% focado na Faixa de Gaza..“É imperativo evitar uma escalada regional no Médio Oriente, é absolutamente necessário evitar que o Líbano seja arrastado para um conflito regional”, disse Borrell, citado pela agência AFP, dizendo querer também enviar uma mensagem a Israel. “Nós queremos a paz. Não defendemos a guerra. Queremos apenas estabilidade (...), porque qualquer bombardeamento em grande escala no sul do Líbano levará a região a uma explosão integral”, alertou por seu lado o primeiro-ministro libanês..Faixa de Gaza.Entretanto, Israel diz já ter conseguido “desmantelar” o comando militar do Hamas no norte da Faixa de Gaza. O foco dos militares israelitas é agora fazer o mesmo no centro e no sul do enclave palestiniano. O porta-voz das Forças de Defesa de Israel, Daniel Hagari, revelou ainda que foram mortos os comandantes do batalhão responsável, no dia 7 de outubro, pelo ataque ao kibbutz Beeri..susana.f.salvador@dn.pt