
Milhões de eleitores norte-americanos votam esta terça-feira para definir o equilíbrio legislativo de Washington e fixar o alcance político do mandato de Donald Trump para os próximos dois anos. Em causa está a renovação integral dos 435 lugares da Câmara dos Representantes, 35 assentos no Senado e mais de três dezenas de governos estaduais, num escrutínio que funciona tradicionalmente como um referendo nacional à liderança da Casa Branca.
A governabilidade federal constitui o eixo central da disputa: caso o Partido Republicano retenha as maiorias parlamentares, a administração assegura caminho livre para aprofundar cortes fiscais, nomeações judiciais e controlos fronteiriços mais rigorosos. Mas uma vitória democrata em qualquer das câmaras devolverá à oposição instrumentos cruciais de supervisão, poder de veto orçamental e a capacidade de conduzir investigações a membros do executivo.
O veredito eleitoral é influenciado de forma direta pelo custo de vida, pela inflação e pelos preços dos combustíveis, que se mantêm no topo das preocupações do eleitorado a par de temas como imigração e cuidados de saúde. A par das disputas federais, dezenas de estados levam a votos iniciativas locais sobre matérias sensíveis como planeamento energético, infraestruturas tecnológicas e direitos civis.
No plano externo, o mapa que sair das urnas ditará o grau de previsibilidade dos Estados Unidos no comércio mundial e a continuidade do financiamento a alianças militares e de segurança.
Um Congresso dividido pode limitar significativamente as iniciativas externas da presidência e redefinir as prioridades estratégicas globais de Washington até à corrida presidencial de 2028.