"A República Dominicana possui uma das economias mais dinâmicas, não só das Caraíbas, mas de toda a América Latina. Há mais de 10 anos que crescemos a uma taxa de 5% a 6% e figuramos consistentemente entre as três economias com maior crescimento económico. Superamos as médias de crescimento económico da União Europeia e dos Estados Unidos”, afirmou Hugo F. Rivera, vice-ministro dos Negócios Estrangeiros para os Assuntos Económicos, em conversa com o DN, esta semana, em Lisboa.“Estamos a planear tornar-nos um país desenvolvido até 2036. Atualmente somos um país de rendimento médio-alto”, acrescentou o governante, que veio participar no 1.º Encontro de Comércio e Investimento República Dominicana-Portugal.País com 49.000 km2 e 11 milhões de habitantes, a República Dominicana, que se tem consolidado como democracia nas últimas décadas (o Índice da Economist põe-na à frente de alguns países da UE e da Argentina e do Brasil), beneficia da estabilidade para atrair investimentos. E por isso olha com especial atenção para o que se passa na sua vizinhança, nomeadamente no problemático Haiti, situado no terço ocidental da ilha Hispaniola. “O Haiti é um país que necessita de cooperação. Para ter uma ideia, cerca de um milhão de haitianos vivem na República Dominicana, e consomem uma percentagem muito significativa dos recursos de saúde e educação, porque a República Dominicana fornece educação e cuidados de saúde a todos. Cooperamos sempre com o Haiti. Ora, se a comunidade internacional não defender verdadeiramente a cooperação com o Haiti, o Haiti, por si só, terá muita dificuldade de recuperar e desenvolver-se. Está assolado por gangues. A República Dominicana tem participado em todos os fóruns multilaterais para defender a ajuda ao Haiti”, explicou . “Não temos problemas de fronteiras ou de segurança com o Haiti”.Também o Corolário Trump da Doutrina Monroe não parece afetar diretamente a República Dominicana, sendo que em relação à Venezuela, alvo de recente intervenção dos EUA, Rivera diz que “o mais importante é que a paz seja alcançada e que a Venezuela, de alguma forma, possa reintegrar-se na cooperação regional, para que possa voltar a ser ator importante na região”. A última eleição, em 2024, de Nicolás Maduro, agora preso nos EUA, não tinha sido reconhecida pelas autoridades dominicanas. O presidente Luis Abinader, sobre a nova situação na Venezuela, declarou logo que “a República Dominicana estará sempre ao lado da democracia, onde quer que seja, quando quer que seja e perante quem quer que seja.”Curiosamente, a própria guerra global das tarifas levada a cabo desde que Donald Trump tomou posse para um segundo mandato, até tem vindo a beneficiar a República Dominicana, explica o vice-ministro: “A República Dominicana, que tem um acordo de comércio livre com os EUA, paga apenas 10%, enquanto outros países pagam 25%, 30% e assim por diante. Isto levou muitas empresas a decidirem estabelecer-se na República Dominicana”.Um dos objetivos deste 1.º Encontro foi atrair empresas portuguesas, explicando as múltiplas vantagens que o país oferece. “Ao analisarmos a relação bilateral, constatamos que esta não tem sido totalmente explorada. Existem centenas de oportunidades entre os nossos dois países. Acreditamos que a balança comercial poderá atingir as centenas de milhões de euros. A República Dominicana necessita da vasta experiência que as empresas portuguesas já possuem em infra-estruturas e logística. Acreditamos também que podemos comercializar produtos tropicais dominicanos que não são cultivados ou transformados aqui. Além disso, dispomos de um regime especial de zona franca, que permite a uma empresa portuguesa estabelecer-se na República Dominicana e exportar para a União Europeia e para os Estados Unidos”, sublinhou Rivera.Também o turismo é uma área que os dominicanos pretendem promover ainda mais junto de Portugal, aproveitando que muitos portugueses já são frequentadores de praias como as de Punta Cana. “O meu país é um lugar pacífico e tranquilo. E acolhedor. Recebemos mais de 11 milhões de turistas por ano. Para ter uma ideia, recebemos mais turistas do que um país tão grande como o Brasil. Somos o segundo maior destino turístico da região,”, destacou Rivera, notando que na América Latina só o México recebe mais turistas.O vice-ministro lembrou ainda que Santo Domingo é a mais antiga cidade fundada pelos espanhóis nas Américas, ainda no século XV, e que há uma longa história de presença portuguesa: “Um dos líderes independentistas que criou a República Dominicana, o general José María Cabral, era de origem portuguesa”.Depois de uma época sob ocupação do vizinho Haiti, francófono, a República Dominicana tornou-se independente em 1844, mas a Espanha repôs entretanto uma efémera colonização e a restauração da independência deu-se em 1865. Foi nesse contexto que o general Cabral se tornou presidente da república.Apesar de os Estados Unidos serem o primeiro parceiro económico, Rivera sublinhou a forte relação dos dominicanos com a Europa, cultural e economicamente: “Quando contamos todos os países europeus, em termos de investimento, a Europa é o nosso primeiro investidor”. .“Portugal tem vindo a fortalecer o seu interesse e a sua ação no espaço latino-americano e caribenho”