Dois brasileiros mortos em ataque de Israel no Líbano. Trump insatisfeito com a última proposta do Irão

Acompanhe aqui as incidências desta terça-feira sobre a guerra no Médio Oriente.
Dois brasileiros mortos em ataque de Israel no Líbano. Trump insatisfeito com a última proposta do Irão
EPA/ATEF SAFADI

Teerão desafia capacidade dos EUA de continuar a impor os seus interesses

O Irão desafiou hoje a capacidade de os Estados Unidos continuarem a impor os seus interesses a outros países, numa altura em que Washington analisa uma nova proposta iraniana para desbloquear o estreito de Ormuz.

“Os Estados Unidos já não estão em posição de ditar a sua política a nações independentes”, afirmou o porta-voz do Ministério da Defesa iraniano, Reza Talaei-Nik, citado pela televisão estatal.

O porta-voz acrescentou que os Estados Unidos devem renunciar ao que descreveu como “exigências ilegais e irracionais”, de acordo com a agência de notícias France-Presse (AFP).

Lusa

Trump insatisfeito com a última proposta do Irão para acabar com a guerra

Donald Trump está descontente com a última proposta iraniana para resolver a guerra que dura há dois meses, revelou um responsável norte-americano.

A última proposta do Irão, a ser aceite, adiaria a discussão sobre o programa nuclear iraniano até que a guerra termine e as disputas sobre o transporte marítimo no Golfo estejam resolvidas.

É improvável que isto satisfaça os Estados Unidos, que afirmam que as questões nucleares devem ser tratadas desde o início, o que fez com que Trump ficasse desagradado.

Dois brasileiros mortos em ataque de Israel no Líbano. Trump insatisfeito com a última proposta do Irão
Irão propõe aos EUA deixar nuclear para depois da guerra e reabrir Ormuz

A porta-voz da Casa Branca, Olivia Wales, disse que os EUA "não vão negociar através da imprensa" e "deixaram claras as suas linhas vermelhas".

Dois brasileiros mortos em ataque de Israel no Líbano

O Governo do Brasil anunciou a morte de dois brasileiros no Líbano, devido a um ataque israelita, que descreveu como "mais um exemplo" das "reiteradas e inaceitáveis" violações do cessar-fogo de 16 de abril.

De acordo com um comunicado divulgado no início da noite de segunda-feira em Brasília, o Ministério das Relações Exteriores disse ter tomado conhecimento, "com consternação e pesar", das mortes, na segunda-feira, de uma criança de 11 anos, da mãe - ambos brasileiros -, e do pai, libanês, "vítimas de ataque das Forças de Defesa de Israel".

Outro filho do casal, igualmente brasileiro, encontra-se hospitalizado, refere-se no comunicado, onde se lê ainda que a família se encontrava em casa, no distrito de Bint Jeil, no sul do Líbano, no momento do bombardeamento.

"Esse ataque constitui mais um exemplo das reiteradas e inaceitáveis violações ao cessar-fogo anunciado em 16 de abril, as quais já resultaram na morte de dezenas de civis libaneses, incluindo mulheres e crianças, assim como de uma jornalista e de dois integrantes franceses da Força Interina das Nações Unidas no Líbano (UNIFIL)", lê-se na nota.

Ao expressar "sinceras condolências" aos familiares das vítimas, o Brasil reiterou a "mais veemente condenação a todos os ataques perpetrados durante a vigência do cessar-fogo", tanto pelas forças israelitas como pelo grupo xiita libanês pró-Irão Hezbollah.

O ministério condenou ainda as "demolições sistemáticas de residências e de outras estruturas civis no sul do Líbano", nas últimas semanas, "pelas forças israelitas, e a persistência do deslocamento forçado de mais de um milhão de libaneses".

O Brasil pediu às partes o "cumprimento integral" da resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas, que estabeleceu os termos do cessar-fogo que encerrou a guerra de 2006, e a "imediata cessação das hostilidades", com a retirada completa das forças de Israel de território libanês.

No comunicado lê-se ainda que a Embaixada do Brasil em Beirute, capital do Líbano, está em contacto com a família, para prestar assistência consular, incluindo ajuda ao filho que se encontra hospitalizado.

Lusa

Irão revê balanço de ataque contra escola de Minab para 155 mortos

O bombardeamento da escola de Minab, no Irão, no primeiro dia da guerra desencadeada pelos EUA e Israel, matou 155 pessoas, incluindo 120 crianças, segundo um balanço revisto em baixa, divulgado hoje pela televisão estatal.

No final de março, o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, declarou perante a ONU que "mais de 175 alunos e professores foram massacrados a sangue frio" na escola localizada no sul do Irão.

Mas, de acordo com um novo balanço publicado pela televisão estatal Irib e pelos meios de comunicação locais, que citam um responsável do poder judicial iraniano, "73 rapazes, 47 raparigas, 26 professores, sete pais, um motorista de autocarro escolar e um farmacêutico da clínica próxima da escola morreram como mártires no ataque à escola de Minab".

O bombardeamento do estabelecimento ocorreu em 28 de fevereiro, no primeiro dia da ofensiva dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão, que respondeu atacando Israel e alvos norte-americanos na região.

Enquanto o Governo iraniano aponta o dedo ao exército norte-americano desde o ataque, o Presidente dos EUA, Donald Trump, negou inicialmente qualquer envolvimento do país, antes de recuar parcialmente e indicar que aceitaria o resultado da investigação aberta pelo Pentágono. Israel negou qualquer ligação ao ataque.

De acordo com o jornal New York Times, que cita responsáveis norte-americanos e fontes próximas da investigação, o míssil que atingiu a escola foi disparado pelo exército dos Estados Unidos após um erro de mira.

A agência de notícias France-Presse apurou que o edifício se situava perto de dois locais controlados pelos Guardas da Revolução Islâmica, a guarda ideológica do regime, mas não conseguiu aceder ao local para verificar de forma independente o balanço ou as circunstâncias dos factos.

Lusa

Israel utiliza acesso a água como arma contra palestinianos, acusam Médicos Sem Fronteiras

Um relatório divulgado hoje pelos Médicos Sem Fronteiras (MSF) acusa Israel de utilizar o acesso à água como arma contra a população de Gaza, privando-a do recurso essencial no âmbito de uma "campanha punitiva coletiva".

Entre a destruição de infraestruturas e os obstáculos ao abastecimento, "a privação deliberada de água infligida aos palestinianos faz parte integrante do genocídio perpetrado por Israel", afirmou a MSF, num comunicado publicado juntamente com o relatório "A água como arma: a destruição e a privação de água e saneamento por parte de Israel em Gaza".

Israel têm veementemente rejeitadas acusações de genocídio em Gaza, que se multiplicaram ao longo da guerra.

O relatório, que se baseia em dados da MSF e em testemunhos recolhidos pelo pessoal da organização, entre 2024 e 2025, defende que "a instrumentalização repetida da água" pelas autoridades israelitas se insere "num padrão recorrente, sistemático e cumulativo".

"Isto vem somar-se aos assassínios diretos de civis, à destruição de estruturas de saúde e à demolição de habitações, provocando deslocamentos massivos da população. Em conjunto, estes elementos revelam uma vontade de impor condições de vida destrutivas e desumanas aos palestinianos de Gaza", alertou a organização não-governamental (ONG).

"As autoridades israelitas sabem que sem água a vida acaba. No entanto, destruíram sistemática e deliberadamente as infraestruturas hidráulicas em Gaza, ao mesmo tempo que bloqueiam constantemente a entrada de equipamentos relacionados com a água", afirmou a responsável pelas emergências na MSF, Claire San Filippo, citada no comunicado.

Lusa

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Bom dia!

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