Diretor do FBI elimina o bestialismo como fator de desqualificação automática nos critérios de contratação
O diretor do FBI anunciou esta terça-feira, 15 de setembro, que alterou os padrões de contratação da agência para eliminar o bestialismo como fator de desqualificação automática.
Kash Patel disse aos legisladores que não quer impedir a entrada de vítimas de tráfico que foram forçadas a ter relações sexuais com animais, provocando uma reação incrédula tanto por parte de republicanos como de democratas.
"Não queríamos punir as vítimas de bestialismo, as vítimas de tráfico", afirmou Patel em resposta a uma pergunta na Comissão de Justiça do Senado dos Estados Unidos, frisando que as normas anteriores desqualificavam "qualquer indivíduo de qualquer uma das partes envolvidas".
"De qualquer das partes envolvidas em quê, no bestialismo?", questionou o senador republicano John Kennedy. "Então o senhor desqualificou o animal?", prosseguiu.
"Temos grandes cães, mas não vamos desqualificá-los", disse Patel enquanto ria.
Durante uma audiência de mais de quatro horas, Patel também enfrentou questões sobre a forma como a sua agência lidou com os ficheiros relacionados com o malogrado criminoso sexual Jeffrey Epstein, a utilização de fundos públicos para viagens pessoais e alegações de que politizou o FBI. Porém, foi a revisão nos critérios e contratação que suscitou algumas das perguntas mais relevantes.
Patel esclareceu que lhe informaram que algumas vítimas de tráfico humano forçadas ao bestialismo tinham sido desqualificadas para vagas anteriormente.
"Mas o senhor está dizer-nos que, se um ser humano teve relações sexuais com um animal, pode ainda ser um agente do FBI?", questionou Kennedy. Patel respondeu que não.
O diretor de FBI aparentemente confirmou as notícias dos meios de comunicação social norte-americanos de que uma dúzia de especialistas da agência no Irão foram despedidos este ano devido aos seus alegados esforços de "instrumentalização", por estarem a ser investigados no âmbito da alegada retenção de documentos confidenciais por parte de Trump.
"Acho que o mais importante é não ter um FBI instrumentalizado. Vou esforçar-me todos os dias para garantir que não há ninguém lá que esteja a fazer isso", frisou Patel, nomeado por Trump e alvo de criticas por mergulhar num memorial de Pearl Harbor e por beber cerveja enquanto celebrava com a equipa masculina de hóquei dos Estados Unidos, medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Inverno de Milão.
Patel também tem sido alvo de escrutínio devido à utilização de um avião governamental e carros de luxo, além das investigações da administração Trump aos jornalistas e às suas fontes.
Numa carta divulgada antes da audiência, Patel afirmou ter reembolsado as despesas pessoais de viagem e explicou que os carros de luxo eram mais baratos do que outros que o FBI tinha comprado anteriormente.
Visivelmente incomodado com as questões dos democratas, Patel chegou a perguntar ao senador Peter Welch se tinha problemas de audição e recusou-se a prometer que não vai interferir nas eleições intercalares. "Prometo inequivocamente que não participarei na sua farsa de mentiras", afirmou, em resposta a uma pergunta da senadora Amy Klobuchar.

