A Hungria arrisca enfrentar uma crise energética nos próximos dias, depois de a central nuclear de Paks, responsável por cerca de 40% da produção de eletricidade do país, ter suspendido totalmente a atividade devido à descida do caudal do rio Danúbio, utilizado no arrefecimento dos reatores.O alerta foi feito este domingo (2 de agosto) pelo primeiro-ministro húngaro, Péter Magyar, que classificou os próximos dias como "os cinco dias mais críticos" para o sistema elétrico nacional. "Numa altura em que o nosso sistema elétrico enfrentará uma enorme pressão, peço a todos que, a partir de segunda-feira, estejam ainda mais atentos", afirmou o chefe do Governo, numa mensagem em vídeo.No sábado, Magyar já tinha anunciado que a última unidade ainda em funcionamento na central seria desligada devido à continuação da descida do nível das águas do Danúbio. "Devido à nova descida do nível da água do Danúbio, amanhã a central será totalmente encerrada pela primeira vez em 44 anos", escreveu nas redes sociais.A central de Paks, construída durante o período soviético, é o principal pilar do sistema elétrico húngaro. A interrupção da produção levou o Governo a adotar medidas de poupança de energia e a procurar apoio junto de países vizinhos.Segundo o primeiro-ministro, o encerramento poderá coincidir com um período de elevado consumo provocado pela vaga de calor que afeta grande parte da Europa, com as previsões a apontarem para temperaturas superiores a 40 graus Celsius em Budapeste durante esta próxima semana."Pode surgir uma situação de crise energética a partir de segunda-feira. Serão necessários passos coordenados e contenção para evitar consequências mais graves", advertiu Péter Magyar.O Governo apelou às famílias e às empresas para reduzirem o consumo de eletricidade nas horas de maior procura, entre as 17h00 e as 22h00, recomendando a limitação do uso de aparelhos de ar condicionado e de máquinas de lavar. As autoridades preparam ainda restrições temporárias ao consumo de grandes unidades industriais e o reforço da produção noutras centrais.Entretanto, a Comissão Europeia anunciou que está a acompanhar a situação e admite convocar uma reunião de emergência do Grupo de Coordenação da Eletricidade caso o encerramento da central de Paks se prolongue.