Deputado francês atacado por manifestantes anti vacinas

Manifestantes contra o certificado de vacinação atacaram Stephane Claireaux à porta da sua casa. O deputado francês já fez saber que vai apresentar queixa.

Políticos franceses de todo o espetro condenaram esta segunda-feira o ataque a um deputado das ilhas Saint Pierre e Miquelon, do Atlântico Norte, perpetrado por manifestantes contra o certificado de covid-19 implementado pelo governo.

O vídeo que está a circular nas redes sociais mostra Stephane Claireaux, um deputado do partido do presidente Emmanuel Macron, a ser atingido durante o fim de semana com algas e lama por manifestantes que protestavam contra o certificado de vacinação do lado de fora da casa do político.

"Obviamente, vou apresentar queixa. Todos estamos a receber ameaças de morte por email. Em algum momento isto tem de parar", disse Claireaux à rádio France Info.

Nas redes sociais, a ministra do Mar, Annick Girardin, condenou o ataque "completamente inaceitável" e partilhou o vídeo no qual se vê o deputado a ser atacado à porta da sua casa. "As imagens são profundamente chocantes", escreveu no Twitter.

As imagens são "terríveis. É mais um nível de violência contra as autoridades eleitas", disse o ministro dos Assuntos Parlamentares, Marc Fesneau, ao canal de televisão Public Senat.

O ataque de domingo ocorreu alguns dias antes da introdução do certificado digital de covid-19 no território ultramarino francês, as ilhas Saint Pierre e Miquelon, onde residem menos de 6000 pessoas. A medida, há muito em vigor na França continental, exige que as pessoas apresentem um comprovativo de vacinação ou um teste com resultado negativo à covid-19 para entrar em espaços públicos.

"Temos que condenar estes ataques. Isto não é aceitável numa democracia", disse Fesneau.

Claireaux afirmou à France Info que estava à espera dos manifestantes do lado de fora da sua casa "para falar com eles".

"Havia um carro carregado de algas ... e as pessoas começaram a atirar contra mim. Parecia um apedrejamento. A minha mulher juntou-se a mim no degrau da frente. Esquivei-me de uma pedra que não acertou no nosso rosto por cinco centímetros ", relatou.

Contou que a situação tornou-se "irracional". "Um deles arrancou a máscara que eu tinha no rosto, e disse que o vírus não existe. A discussão era impossível. Houve insultos, abusos", acrescentou sobre o momento "surreal" que viveu no fim de semana.

O político referiu que desde o Natal o território ultramarino francês registou um aumento no número de infeções, tendo sido decidido implementar o certificado digital de covid-19 a partir desta quarta-feira. O que motivou protestos na população.

Christophe Castaner, líder do partido de Macron no parlamento, disse à rádio France Inter que existiram 322 ameaças contra deputados em 2021 - dois terços contra o partido no poder.

O descontentamento contra as medidas de combate à pandemia subiu de tom depois de o presidente Emmanuel Macron admitir que o seu plano era "irritar" os não vacinados com uma série de restrições.

"Alguns anti vacinas usam as declarações provocativas do presidente para justificar a violência. Mas nada pode justificá-la. Estes atos são profundamente chocantes, especialmente no exterior da casa particular de uma família", disse o líder do Partido Socialista, Olivier Faure.

Enquanto isso, o deputado conservador Eric Ciotti disse que o incidente foi apenas um entre muitos "excessos que estão a tomar uma direção extraordinariamente preocupante e perigosa", pedindo "punições pesadas para aqueles que usam a violência".

Mas Ciotti também atacou Macron por "procurar o conflito, a tensão e a divisão por razões políticas".

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