Scott Bessent, secretário do Tesouro dos EUA.
Scott Bessent, secretário do Tesouro dos EUA.Foto: EPA / SHAWN THEW

Depois de Fúria Épica e Projeto Liberdade, Trump lança operação Pária Económico

Tesouro dos EUA anuncia sanções secundárias que afetarão países que mantenham negócios com Teerão.
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Os Estados Unidos anunciaram um novo pacote de sanções que visa 60 entidades externas ao Irão e ligadas aos setores da energia, da defesa e das atividades cibernéticas. “Sob a orientação do presidente Trump, o Tesouro dos EUA inicia a operação Pária Económico”, disse Scott Bessent.

O secretário do Tesouro afirmou que os EUA lançaram “uma ofensiva económica contra as ligações financeiras iranianas em todo o mundo, com o objetivo de cortar a linha económica vital que sustenta este regime tirânico”. Ao expandir a “exposição a sanções secundárias para aqueles que continuam a fazer negócios com o regime iraniano”, os países que mantenham relações económicas devem “esperar partilhar o isolamento de um regime em declínio”.

Bessent disse que o presidente está a desenvolver contactos com vários líderes para expor esta política, mas recusou responder aos jornalistas, na conferência de imprensa, que países são e qual é o prazo que têm para mudar o rumo.

“Cada país terá um prazo definido para encerrar a atividade relacionada com o Irão que identificámos. Se não agirem, o Tesouro irá agir”, disse. “Qualquer envolvimento económico de qualquer tipo com este regime assassino exporá os responsáveis à totalidade do poder norte-americano.”

Num comunicado divulgado em paralelo, o Tesouro especificou que entidades e indivíduos foram alvo de sanções por parte do Gabinete de Controlo de Ativos Estrangeiros. A maior parte das empresas tem sede na China ou em Hong Kong. Questionado se as sanções também atingiriam Pequim, Bessent disse que “ninguém está fora do alcance das sanções dos EUA” e que, “se facilitarem transações e fizerem parte do ecossistema que transforma o petróleo iraniano em dinheiro, em repressão, serão alvo”.

As sanções incidem em especial nas áreas económicas de ativos digitais (“o regime iraniano recorre cada vez mais às criptomoedas como ferramenta de eleição para contornar sanções”); tecnologia (“o Irão também está a tentar aceder a tecnologias avançadas e a integrar estas tecnologias nos seus programas de armamento fabricados localmente”); comércio de ouro (“à medida que o setor financeiro formal do Irão colapsa, o regime tenta cada vez mais estabilizar o rial com ouro para se proteger da inflação desenfreada”); aviação (“continua a usar as suas supostas companhias aéreas ‘comerciais’ para transportar combatentes, enviar armas e tecnologias sensíveis, e movimentar ouro e dinheiro vivo para os seus aliados”); e transporte marítimo (“a linha de transporte marítimo nacional do Irão transporta regularmente componentes de armas sensíveis e precursores de mísseis, enquanto o serviço nacional de petroleiros do Irão envia ilegalmente petróleo para o regime e os seus serviços militares”).

No domingo, o secretário do Tesouro havia usado a expressão Dia D económico numa opinião publicada no Financial Times para defender a ideia de que os EUA estão a entrar na “fase final” da guerra com o Irão, graças à “maior ofensiva financeira já organizada contra um adversário” que o irá levar ao “total isolamento financeiro”.

Queda do rial e ameaças

O secretário do Tesouro norte-americano ainda não tinha anunciado as medidas e já a moeda iraniana caíra para níveis recorde, enquanto o tom das ameaças de Teerão voltou a ressoar.

A situação económica do país - que levou ao eclodir das manifestações iniciadas em de dezembro de 2025 - deteriorou-se. O produto interno bruto irá contrair-se em mais de 5%, segundo estimativas do Fundo Monetário Internacional. Desde o início da guerra, o arroz subiu cerca de 60% e o preço da carne de vaca mais do que triplicou. E, horas antes das medidas anunciadas pelos EUA, o rial caiu para 2,02 milhões por dólar norte-americano.

Entre as reações anteriores ao anúncio, o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros Kazem Gharibabadi questionou Bessent se as novas sanções são “uma vitória ou uma admissão da derrota dos EUA?”. O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão alertou que Teerão irá responder de forma severa à expansão das sanções, incluindo medidas contra países que considera estarem a cooperar com Washington. “Qualquer escalada desta situação terá, sem dúvida, consequências. As nossas mãos não estão atadas”, disse Esmail Baghaei.

O novo chefe do principal órgão de segurança do Irão alertou no domingo que Teerão considerará qualquer apoio de um país às sanções como um “ato de guerra”. Mohsen Rezaei disse que “se [Trump] quiser fazer alguma coisa”, a retaliação será “sísmica”. O líder do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irão acrescentou que o país iria visar outras rotas de transporte de petróleo do Golfo Pérsico alternativas ao estreito de Ormuz.

Scott Bessent, secretário do Tesouro dos EUA.
Irão avisa que países que aderirem às sanções dos EUA sofrerão consequências
Scott Bessent, secretário do Tesouro dos EUA.
Trump ameaça com “Dia D económico”, mas Irão responde que não reabrirá estreito de Ormuz
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