A polícia espanhola retirou no domingo (27 de setembro) os migrantes acampados perto da central de dessalinização de Ceuta, na Praia de Benítez, devido ao risco que representam para a instalação.
A polícia espanhola retirou no domingo (27 de setembro) os migrantes acampados perto da central de dessalinização de Ceuta, na Praia de Benítez, devido ao risco que representam para a instalação.FOTO:EPA/REDUAN

Delegado do governo espanhol em Ceuta demite-se dois meses após crise migratória

Miguel Ángel Pérez Triano renuncia também à liderança dos socialistas da cidade autónoma e deixa a política após o que disse ter sido uma campanha "difamatória" contra si.
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O delegado do governo espanhol em Ceuta, Miguel Ángel Pérez Triano, renunciou a esse cargo e disse adeus à política, denunciando ter sofrido "pressão injusta, insultos e uma campanha difamatória" no rescaldo da crise migratória que teve início há quase dois meses.

"Fui criticado por muitas questões sobre as quais não tenho competência" enquanto delegado de governo, disse numa declaração aos jornalistas de apenas sete minutos, sem direito a perguntas, antes de afirmar que, há "alguns dias", comunicou ao ministro da Política Territorial, Ángel Víctor Torres, a sua vontade de "não continuar" no cargo.

Mas reiterou o seu "firme compromisso" com Ceuta, bem como o facto de, desde o final de Julho, estar a realizar um "trabalho imenso" num ambiente "hostil".

Mais cedo, fontes governamentais citadas pela imprensa espanhola tinham dito que ia usar razões "humanas e pessoais", depois de "muitas semanas de imenso trabalho" marcadas pela gestão da crise migratória para renunciar.

Segundo a Cadena Ser, o governo de Pedro Sánchez já tem um substituto: será David de la Encina, ex-autarca da localidade andaluza de Porto de Santa María que nasceu em Ceuta. A nomeação será oficializada no Conselho de Ministros de terça-feira (29 de setembro).

Pérez Triano, no cargo desde fevereiro, tinha rejeitado ainda no início do mês a possibilidade de se demitir, defendendo a sua atuação durante os dias imediatamente anteriores a essa entrada maciça de pessoas. Segundo o El País, uma semana antes, o delegado solicitou reforços ao governo face ao agravamento da pressão migratória.

Nos documentos desclassificados pelo governo em relação à crise migratória, foi revelado que o seu antigo chefe de gabinete, Gonzalo Sanz, manteve contactos com um membro dos serviços de informação espanhóis sobre os planos que circulavam nas redes sociais para a entrada maciça de migrantes.

Na altura, Pérez Triano (que também deverá deixar o cargo de líder dos socialistas em Ceuta) disse que não tinha conhecimento dessa troca de mensagens, mas Sanz garantiu que o tinha informado. O caso levou à demissão do chefe de gabinete, que deverá ser ouvido esta semana como testemunha pela juíza da Audiência Nacional que está a investigar a crise migratória, María Tardón.

Também o chefe do governo de Ceuta, Juan Jesús Vivas, será ouvido esta semana pela juíza.

A 30 e 31 de julho, mais de 70 mil migrantes entraram em Ceuta, cruzando a nado a fronteira com Marrocos. Apesar de a maioria ter regressado quase de imediato, vários milhares continuam na cidade autónoma.

A polícia espanhola retirou no domingo (27 de setembro) os migrantes acampados perto da central de dessalinização de Ceuta, na Praia de Benítez, devido ao risco que representam para a instalação.
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A polícia espanhola retirou no domingo (27 de setembro) os migrantes acampados perto da central de dessalinização de Ceuta, na Praia de Benítez, devido ao risco que representam para a instalação.
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