Migrantes nas ruas da cidade autónoma de Ceuta.
Migrantes nas ruas da cidade autónoma de Ceuta.FOTO:EPA/LAURA RINCON

Serviços de informação espanhóis deram alerta na véspera da entrada maciça de migrantes em Ceuta

Forças de segurança constataram a passividade de agentes marroquinos durante a crise migratória.
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Os serviços de informação espanhóis notificaram por WhatsApp a Delegação do Governo em Ceuta da existência de uma “convocatória” nas redes sociais para realizar um “assalto pela vedação e pelo mar” à cidade autónoma espanhola. O alerta foi dado a 29 de julho, na véspera da entrada maciça de 72 mil migrantes, a 30 e 31 de julho.

Os marroquinos também foram avisados, tendo sido contudo constatada a passividade das forças de segurança de Rabat durante a crise migratória.

“Há uma convocatória nas redes sociais para uma invasão pela vedação e pelo mar amanhã, às 20h, aproveitando a Festa do Trono [em Marrocos] e o facto de que as suas Forças e Corpos de Segurança estarão ocupados”, dizia a mensagem enviada por um agente do Centro Nacional de Inteligência (CNI) a um membro da delegação às 13h52. E avisou que essa convocatória estava a ser transmitida em dois grupos que tinham mais de 180 mil pessoas. “Para se ter uma ideia do alcance da disseminação”, escreveu.

Estas mensagens estão nos documentos desclassificados pelo executivo espanhol, tornados públicos esta quarta-feira. O primeiro-ministro, Pedro Sánchez, tinha dito quando compareceu no Congresso para falar da crise migratória em Ceuta que “nenhum relatório prévio” permitiu prever a magnitude do que aconteceu e que ia divulgar todos os documentos. A Moncloa insiste que o CNI não alertou para uma entrada maciça de pessoas.

Sánchez também tem alegado que não há provas do envolvimento de Rabat, apesar de outros documentos mostrarem como as forças de segurança espanholas denunciaram a “passividade” das congéneres marroquinas. Um relatório do Centro de Inteligência das Forças Armadas, de dia 30 às 13h00, indica ser “altamente provável” que as autoridades de Marrocos “não estejam a incentivar ativamente a vaga migratória, mas tenham agido de forma negligente e passiva até à data”.

A oposição não tardou a reagir às informações: “Eles tinham as informações; são diretamente responsáveis pela incursão em Ceuta e pelas mortes”, disse a porta-voz do Partido Popular (PP) no Congresso, Ester Muñoz. “Sánchez mente. Sabiam e não fizeram nada”, diz simplesmente uma mensagem na conta oficial do partido no X.

O Vox, entretanto, está a pedir a aplicação do artigo 102 da Constituição espanhola, que estabelece as regras para a responsabilização criminal dos membros do governo - incluindo o primeiro-ministro - perante o Supremo Tribunal.

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