Há uma semana foi notícia porque apareceu nas cerimónias fúnebres de Ali Khamenei — e com direito a títulos espetaculares nos meios de comunicação como “De volta dos mortos”. Mahmoud Ahmadinejad, presidente do Irão entre 2005 e 2013, voltou a dar que falar, agora porque terá sido convertido num ativo de Israel, segundo uma notícia do New York Times. Os serviços secretos israelitas desenvolveram e puseram em prática um plano de aproximação a Mahmoud Ahmadinejad que teria como meta instalá-lo no poder, contam várias fontes ao jornal nova-iorquino. Também o israelita Haaretz reporta sobre o tema, tendo adiantado que o plano foi delineado em 2022, mas interrompido em 2023 com os ataques terroristas do Hamas e a guerra que se seguiu. O plano tomou forma quando, em 2024, o reitor da Universidade Ludovika de Administração Pública, em Budapeste, recebeu a indicação de um membro do governo húngaro para convidar o antigo dirigente iraniano. Gergely Deli explicou que, apesar dos riscos para a reputação pessoal e da universidade, acabou por convidar o homem que negava o Holocausto, porque “se houver dois inimigos, e esses inimigos quiserem falar entre si, então a melhor coisa a fazer é tudo o que estiver ao alcance para que conversem”.Segundo ainda o NYT, Ahmadinejad encontrou-se com agentes israelitas em Budapeste uma segunda vez em junho de 2025, pouco antes de Israel e os EUA lançarem os ataques da campanha de bombardeamentos de 12 dias. Ahmadinejad terá conseguido despistar os guarda-costas dos Guardas da Revolução em duas ocasiões durante a viagem para se encontrar com o então chefe do Shin Bet, David Barnea. Os contactos entre o homem que várias vezes apelou à destruição de Israel e agentes israelitas não terão começado na capital húngara, mas na Guatemala. Em 2023, Ahmadinejad deslocou-se a uma conferência sobre ambiente que decorreu naquele país da América Central.Meios de comunicação de Teerão tinham noticiado a sua morte aquando do bombardeamento à casa de Khamenei. A história foi outra. O mesmo jornal que faz estas revelações noticiara em maio que, quando se deu o bombardeamento que matou Khamenei e familiares, a casa de Ahmadinejad foi atingida por um ataque aéreo israelita que tinha como alvo os seus guarda-costas e um veículo blindado, após o que agentes da Mossad o terão transportado para uma casa segura. Acabou por sair desse local por razões desconhecidas e não foi visto até surgir no funeral do antigo guia supremo. Segundo fontes iranianas, os Guardas da Revolução detiveram-no e mantém-se em prisão domiciliária. De acordo com o NYT, Ahmadinejad, repetidamente impedido de concorrer de novo à presidência, tornou-se mais moderado ao ponto de um seu próximo ter dito que se via como um reformador pronto a reconhecer Israel.R.Irão desvaloriza anúncio de Trump sobre regresso do bloqueio naval.Cessar-fogo com o Irão acabou e já pressiona BCE a duplicar subida de juros