A rede elétrica de Cuba enfrenta este domingo (5 de julho) o seu momento mais crítico, num colapso que evidencia o esgotamento do seu um modelo económico dependente de subsídios externos à asfixia comercial que o país está a sofrer. Dados da estatal Unión Elétrica, compilados pela agência EFE, indicam que até 72% do território nacional ficará sem energia durante as horas de maior procura, estabelecendo um novo recorde histórico de apagões e superando a marca de 71% registada na sexta-feira anterior.O governo cubano qualifica a situação como “aguda” e “extremamente tensa”, mas o problema central é estrutural. A central termoelétrica Antonio Guiteras — o coração energético da ilha — sofre de paragens constantes por avarias e falta de manutenção. Atualmente, 10 das 16 unidades geradoras do país estão totalmente inoperacionais, gerando um défice de 2230 megawatts num país que necessita de 3100 megawatts para funcionar minimamente.O fim da "muleta" venezuelana e o erro de cálculoA vulnerabilidade atual da ilha decorre diretamente do colapso do seu modelo de abastecimento. Durante décadas, Cuba dependeu do petróleo quase gratuito enviado pela Venezuela em troca de serviços médicos e de segurança. Com a interrupção definitiva desses envios no início de 2026, a economia cubana — centralizada e sem capacidade de gerar divisas (moeda estrangeira) — ficou exposta à sua incapacidade de comprar combustível a preços normais de mercado.O país produz apenas 40 mil dos 100 mil barris diários de que necessita, e a falta de liquidez impede a importação regular para alimentar os motores geradores a diesel, que representam 40% da matriz energética nacional.Embora o discurso oficial de Havana continue a centrar-se nas sanções dos EUA e nas restrições marítimas impostas pelas ordens executivas de Washington, analistas de mercado sublinham que a incapacidade de Cuba em modernizar a sua rede — uma obra avaliada entre 8 mil a 10 mil milhões de euros — decorre da sua própria reputação financeira.Com um historial crónico de incumprimento de prazos com credores internacionais e um modelo económico que rejeita a abertura ao capital privado, o país não oferece qualquer garantia económica. O endurecimento das sanções norte-americanas funciona apenas como o golpe final num mercado que, por razões de risco de crédito e falta de reformas, já considerava o regime cubano financeiramente inviável.Com bairros inteiros da capital sem luz durante 20 horas consecutivas, o recorde deste domingo expõe um país que esgotou os seus recursos e as suas alianças, sem qualquer margem de manobra técnica ou financeira para travar o colapso da rede.